Dois homens, de 20 e 26 anos, foram presos em flagrante em Marataízes sob suspeita de um roubo a motorista de aplicativo ocorrido na localidade de Lagoa do Siri. As capturas aconteceram em dias seguidos, na noite de quarta-feira (20) e na manhã de quinta-feira (21), com equipes da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e da Guarda Civil Municipal (GCM) de Marataízes.
As duas prisões são flagrantes, e não cumprimento de ordem judicial. Em nenhum momento a nota oficial menciona mandado de prisão ou mandado de busca e apreensão. Isso muda o que o leitor deve entender do caso: não houve decisão anterior de um juiz determinando a captura de ninguém: houve autuação feita na delegacia, cuja manutenção precisa ser depois analisada pela Justiça. O material não informa se essa análise já havia acontecido quando o release foi divulgado.
Como foi o roubo a motorista de aplicativo, segundo a polícia
O assalto foi na quarta-feira (20), em Lagoa do Siri. Pelo relato oficial, a vítima foi rendida e teve o veículo e pertences levados. As prisões, informa a Polícia Civil, vieram depois de diligências contínuas e do apoio do sistema de videomonitoramento, sem que o material detalhe de quem são as câmeras nem em que ponto elas ajudaram.
O homem de 20 anos foi detido pela Guarda Municipal de Marataízes ainda na noite de quarta-feira (20). Segundo a nota, foi ele quem apontou onde o veículo estava escondido, trancado e sem combustível, e quem descreveu a participação do segundo suspeito, de 26 anos. Foi levado à Delegacia Regional de Itapemirim, em outro município, e ali autuado em flagrante por roubo qualificado pelo concurso de pessoas e uso de arma. Depois dos procedimentos, seguiu para o Centro de Detenção Provisória (CDP).
A segunda prisão foi dentro de uma residência, e a nota não diz quem autorizou a entrada
Na manhã de quinta-feira (21), equipes da Delegacia de Polícia (DP) de Marataízes, do Canil da Guarda Municipal e da 9ª Companhia Independente da PMES chegaram ao homem de 26 anos na região de Jacarandá. Ele estava dentro de uma residência.
O material não informa de quem é o imóvel nem quem franqueou o acesso das equipes. Não há menção a mandado de busca, a autorização de morador nem a qualquer outra forma de consentimento. É um dado de interesse público que a nota deixa em aberto, e que não se supõe.
Foi no interrogatório, segundo a Polícia Civil, que esse suspeito falou sobre o caso e sobre o celular da vítima:
Durante interrogatório, ele confessou a autoria do roubo do veículo, ocorrido na quarta-feira, e indicou o local onde teria dispensado o celular da vítima. O aparelho foi localizado em uma moita de capim e recolhido pela equipe policial
O relato é do titular da Delegacia de Polícia (DP) de Marataízes, delegado Thiago Viana.
Esse suspeito foi conduzido à própria DP de Marataízes e também autuado em flagrante, ali por roubo qualificado pelo concurso de pessoas e uso de arma branca. Há uma diferença entre os dois registros que a nota não explica: no caso do homem de 20 anos, a autuação cita apenas uso de arma, sem especificar qual; no caso do homem de 26, cita arma branca. E nenhuma arma aparece entre os itens recuperados pelas equipes, que são o veículo e o celular.
Um segundo roubo em Presidente Kennedy é atribuído ao homem de 26 anos
O ponto que o anúncio do caso não carregava está no fim do release: a autoridade policial atribui ao suspeito de 26 anos outro assalto, no mesmo dia, em outro município, dentro da casa de alguém.
Além do crime contra o motorista de aplicativo, esse detido de 26 anos é autor de um roubo de celular ocorrido em Presidente Kennedy, na tarde do mesmo dia do roubo ao motorista, quando invadiu uma residência e ameaçou o proprietário
A informação é do delegado Thiago Viana.
Vale separar o que essa fala é e o que ela não é. Trata-se de uma atribuição feita pela autoridade policial, não de decisão de um juiz nem de condenação. A nota não diz se o episódio de Presidente Kennedy gerou registro próprio, inquérito ou uma segunda autuação, não informa se o morador ameaçado ficou ferido e não menciona qual foi o desfecho daquela ocorrência. As duas autuações descritas no material dizem respeito ao assalto ao motorista.
O que significam os termos usados no registro policial
- Prisão em flagrante — é a prisão feita sem ordem judicial prévia, quando alguém é capturado durante o crime ou logo depois dele. A autuação é o registro formal desse ato na delegacia; cabe depois a um juiz decidir se a prisão se mantém.
- Roubo qualificado — roubo é a subtração de bem alheio com violência ou grave ameaça. As qualificadoras são circunstâncias que agravam esse crime.
- Concurso de pessoas — a circunstância de o crime ter sido praticado por mais de uma pessoa, em conjunto.
- Arma branca — instrumento que fere por corte ou perfuração, sem disparo, como faca ou canivete.
- Centro de Detenção Provisória (CDP) — unidade que recebe quem está preso antes de uma decisão definitiva sobre o caso. Não é o mesmo que cumprir pena.
O que a nota oficial não informa
Release de órgão de segurança traz um lado só, e o silêncio dele também é informação. Neste caso, ficou de fora:
- qualquer dado sobre a vítima além da atividade de motorista de aplicativo, inclusive se ficou ferida;
- se o veículo e o celular recuperados já foram devolvidos ao dono;
- qual arma teria sido usada contra o motorista e se alguma chegou a ser apreendida;
- quem autorizou a entrada das equipes na residência da região de Jacarandá;
- para onde o homem de 26 anos foi levado depois da autuação, já que a nota só cita o CDP no caso do outro suspeito;
- se os dois estavam acompanhados por defesa no momento do interrogatório;
- como se enquadrou como flagrante uma prisão feita na manhã seguinte ao assalto;
- se há outras pessoas procuradas pelo mesmo caso;
- a versão da defesa dos dois suspeitos. A ausência de contraditório no material oficial não significa que ela não exista.
Onde denunciar roubos e assaltos
Informações sobre roubos na região podem ser repassadas ao 181, o Disque-Denúncia da segurança pública, que recebe relatos de forma anônima. Situação em andamento, com risco imediato a alguém, é caso de 190, a linha de emergência da Polícia Militar. Nenhum outro canal de atendimento ao cidadão foi divulgado junto com esta ocorrência.
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