Marcos Pereira apresenta números de déficit nas contas públicas

O deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, apresentou um conjunto de números sobre as contas do governo federal e afirmou que o país gasta mais do que arrecada. A fala foi dada no quadro Fala Brasília, do Balanço Geral da Record Interior SP, e divulgada pelo partido em 3 de outubro de 2025.

Os valores a seguir são os que o parlamentar apresentou no programa. O texto divulgado pelo Republicanos não informa de qual levantamento os números foram tirados, não detalha o critério de cálculo usado em cada um deles e não traz resposta do governo federal.

Os números que o deputado apresentou

Segundo Marcos Pereira, só no mês de agosto o governo federal gastou R$ 15,6 bilhões a mais do que arrecadou. Ele também citou a Previdência Social, com déficit de R$ 19 bilhões no mesmo mês.

“A Previdência já acendeu a luz vermelha faz tempo. E o que o governo tem feito? Nada”

A afirmação é do deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos.

A comparação com o orçamento de uma família

Para explicar o quadro, o parlamentar usou uma comparação doméstica: uma família com renda mensal de R$ 4 mil que gasta R$ 4,5 mil por mês.

“Se essa família pega empréstimos ou usa o cartão de crédito para cobrir o que falta, vai pagar juros sobre a dívida. E, se nada for feito, vira uma bola de neve, com endividamento cada vez maior”

O alerta é de Marcos Pereira, no mesmo programa.

A comparação é didática, e tem limites: diferentemente de uma família, o Estado arrecada tributos, emite títulos com prazos longos e se financia na própria moeda que emite. Contas públicas e orçamento doméstico não reagem da mesma forma a uma dívida que cresce.

Juros e o tamanho da dívida, segundo o parlamentar

Ainda de acordo com os dados apresentados por Pereira, apenas em agosto quase R$ 75 bilhões foram destinados ao pagamento de juros pela União. No acumulado de janeiro a agosto, ele citou R$ 86 bilhões em juros da dívida pública. Os dois valores aparecem lado a lado no material do partido, sem explicação do critério: como estão, o gasto de um único mês corresponderia a quase todo o total de oito meses.

O deputado disse ainda que a dívida pública brasileira atinge a marca de R$ 9,6 trilhões.

“O país está quebrado. E o pior é que quem paga essa conta somos todos nós, com impostos altíssimos, juros caros e serviços ruins”

A declaração é do presidente nacional do Republicanos.

O que significam déficit, juros e dívida

Déficit é a diferença entre o que o poder público arrecada e o que gasta em um período. Quando o cálculo deixa de fora os juros, o resultado costuma ser chamado de primário; quando os juros entram, passa a ser o nominal. O mesmo mês pode aparecer com valores bem diferentes conforme o critério adotado — e o material não informa qual foi usado.

A dívida pública é o total que o Estado deve a quem comprou seus títulos, e os juros são o custo de carregá-la: quanto maior o estoque e mais alta a taxa, maior a fatia do orçamento que vai para esse pagamento em vez de ir para serviços e investimentos. Já no caso da Previdência Social, o resultado compara contribuições recolhidas e benefícios pagos; quando as contribuições ficam abaixo dos pagamentos, a diferença é coberta pelo orçamento da União.

A cobrança por corte de gastos

Ao final da participação, o parlamentar criticou a gestão dos gastos federais e cobrou o que chamou de responsabilidade com o dinheiro público.

“Enquanto famílias fazem sacrifícios, apertam o orçamento e cortam despesas, o governo continua com a torneira aberta, como se nada estivesse acontecendo. Chega de irresponsabilidade com o dinheiro público”

A conclusão é de Marcos Pereira. Não é a primeira vez que ele se manifesta sobre medidas fiscais do governo federal: em maio, o mesmo parlamentar criticou o aumento do IOF, que atinge o outro lado da mesma conta, o da arrecadação.

O que o material não responde

O texto é comunicação do próprio partido presidido pelo parlamentar, e não um levantamento independente. Três pontos ficam em aberto:

  • A origem dos dados. O material não indica de qual relatório ou balanço os valores foram extraídos, nem quem os calculou.
  • O critério e o período. Não há informação sobre se os resultados citados são primários ou nominais, nem sobre o recorte usado em cada valor.
  • A outra versão. Não há manifestação do governo federal sobre os números apresentados nem contestação de qualquer dos valores.

Sem esses esclarecimentos, o que está registrado é a posição de um dirigente partidário sobre as contas públicas, com os números na forma em que ele os apresentou.

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