Operação Carapebus prende dois e apreende cinco armas na Serra

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) deflagrou na madrugada de sexta-feira (03) a Operação Carapebus, no município da Serra. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) para cumprir nove mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão contra pessoas que, segundo a corporação, teriam ligação com uma organização criminosa apontada como responsável por ataques a ônibus e por tiroteios em via pública na região.

Cerca de 50 policiais civis participaram das diligências. Duas pessoas foram presas e encaminhadas ao Sistema Prisional. A polícia apreendeu cinco armas, um simulacro, drogas e rádios comunicadores.

Quem responde por quê — e o que a polícia não detalhou

Os dois presos são suspeitos: prisão em flagrante é o início de um procedimento, não uma condenação. Cada um foi autuado por um conjunto diferente de crimes, e a distinção importa.

  • Homem de 26 anos — autuado em flagrante por tráfico de drogas, porte ilegal de armas e por integrar organização criminosa. De acordo com a Polícia Civil, ele confirmou que estava guardando armas para uma facção.
  • Homem de 28 anos — autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Nenhuma outra autuação foi informada em relação a ele.

Dois pontos ficaram sem dono no material divulgado pela corporação, e não cabe fechá-los por eliminação. O primeiro: ao mencionar passagens por roubo, tráfico e homicídios, o titular do Denarc falou dos presos em conjunto, sem dizer qual passagem seria de qual deles — e passagem anterior não integra a autuação desta operação. O segundo: entre as ordens judiciais havia um mandado de prisão, mas as duas prisões relatadas são em flagrante, e o comunicado não informa se esse mandado chegou a ser cumprido nem contra quem foi expedido.

O termo que a polícia usou para descrever o cenário

Vale separar as palavras. O enquadramento citado pela PCES é organização criminosa, que é o tipo penal aplicado a um dos presos. As palavras facção e grupo criminoso aparecem quando a corporação descreve a disputa na região e na versão atribuída ao homem de 26 anos. A expressão guerra de facções está na fala do delegado responsável, transcrita abaixo: é a avaliação de quem conduziu a operação sobre o contexto local, não uma decisão judicial a respeito dos dois presos.

“Esse é mais um trabalho do Denarc. Com apoio de outras delegacias e do NOTAer, viemos intervir nesse cenário de guerra de facções que tem vitimado pessoas inocentes, além de outras investidas desses criminosos nesta região. Os presos hoje são indivíduos envolvidos diretamente nessa guerra do tráfico, com passagens por roubo, tráfico e homicídios. Também coletamos informações para, posteriormente, retornarmos à região e dar continuidade a este trabalho”

A declaração é do titular do Denarc, delegado Tarcísio Otoni.

Apoio aéreo e informação repassada às equipes em solo

Além do Denarc, foram empenhadas equipes das Delegacias de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat). O apoio aéreo coube ao Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer).

“O NOTAer atendeu à solicitação do Denarc para prestar o apoio aéreo. Nós acompanhamos as entradas das equipes em quase todos os alvos e fornecemos às equipes que estavam em solo informações sobre indivíduos que estavam atuando naqueles locais, de modo que as equipes já chegaram aos alvos cientes de que haveria a possibilidade de resistência. O objetivo é passar informações que minimizem os riscos para o trabalho dos policiais”

A explicação é do piloto da PCES no NOTAer, delegado Arthur Bogoni.

Onde as buscas foram feitas

As diligências se concentraram no Balneário de Carapebus, na Praia de Carapebus e na Lagoa de Carapebus, todas no município da Serra. São áreas que, de acordo com a Polícia Civil, vêm sendo impactadas pela atuação da organização criminosa investigada.

Segundo a corporação, a operação teve um segundo objetivo além do cumprimento das ordens judiciais: reunir dados sobre o território para subsidiar investigações futuras.

Da prisão em flagrante até o processo: as fases

Uma operação como essa é o começo do caminho, e cada etapa decide uma coisa diferente. Entender a sequência evita confundir prisão com culpa.

  • Mandados — busca e apreensão e prisão são autorizados previamente pela autoridade judicial. O mandado permite entrar e apreender; não afirma que alguém é culpado.
  • Autuação em flagrante — formaliza a prisão na delegacia. A partir dela, a pessoa é suspeita ou investigada.
  • Audiência de custódia — em regra nas 24 horas seguintes, a autoridade judicial vê o preso e decide se a prisão foi legal. Pode relaxar a prisão, conceder liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares, ou converter o flagrante em prisão preventiva. Essa audiência não julga o mérito nem declara ninguém culpado.
  • Inquérito policial — a polícia reúne provas e conclui com o indiciamento, que é conclusão da investigação, não acusação formal.
  • Denúncia — o órgão de acusação analisa o inquérito e decide se apresenta a acusação formal. Cabe à autoridade judicial recebê-la ou rejeitá-la. Só quando a denúncia é recebida o investigado passa a ser réu.
  • Processo e sentença — há defesa, produção de provas e julgamento. A culpa só existe depois de condenação transitada em julgado, isto é, quando não cabem mais recursos.

Entre a operação e uma eventual condenação existe, portanto, um percurso inteiro. Cada crime informado na autuação é apurado separadamente e pode ter desfecho diferente.

Canais para quem precisa acionar a polícia

  • 190 — emergência policial. É o número para situação em andamento, com risco imediato.
  • 181 — Disque-Denúncia. Serve para repassar informação sobre crimes sem que a pessoa precise se identificar, inclusive sobre armas, drogas e movimentação de grupos armados.

Registro sem urgência também pode ser feito em delegacia. Anotar dados objetivos, como horário e local, ajuda mais do que a descrição do episódio.

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