Estudantes da 3ª série do curso Técnico em Logística Integral da EEEFM Nelson Vieira Pimentel, escola estadual localizada em Viana, passaram os dias 25 e 26 de setembro dentro do Terminal de Cargas do Aeroporto de Vitória. A saída pedagógica integrou o componente curricular de Logística e levou a turma para ver, no lugar onde a carga realmente circula, processos que até então só apareciam no material didático.
No terminal, os estudantes acompanharam desembaraço aduaneiro, logística fiscal, movimentação e armazenagem de mercadorias e o fluxo de produtos importados e exportados que passa pelo Espírito Santo. A atividade foi feita em parceria com uma empresa que opera logística aeroportuária e atua em aeroportos de Curitiba, Goiânia, Navegantes, Recife e Vitória.
O que é desembaraço aduaneiro, em português claro
É a palavra que mais aparece nesse tipo de visita e a que menos gente entende. Desembaraço aduaneiro é a etapa final da liberação de uma mercadoria que cruza a fronteira do país. Enquanto ela não acontece, a carga já chegou fisicamente ao Brasil, mas não pode ser retirada nem entregue a ninguém: fica retida em área alfandegada, sob controle, esperando a conferência.
Nessa conferência, a autoridade aduaneira verifica se o que está declarado no papel corresponde ao que está dentro da caixa, se os documentos de importação estão corretos e se os tributos devidos foram recolhidos. Só depois disso a carga é liberada e segue para o destinatário. É por esse motivo que um pacote comprado no exterior pode ficar parado por dias sem sair do lugar — ele já está no país, mas ainda não foi desembaraçado.
A logística fiscal, também citada na visita, é o trabalho de manter essa papelada em ordem: notas, declarações, classificação da mercadoria e os impostos que incidem sobre cada tipo de produto. Errar a classificação de um item costuma custar mais caro do que atrasar o transporte.
O que faz, na prática, quem opera um terminal de cargas
Um operador logístico é a empresa contratada para cuidar da carga de outras empresas do momento em que ela chega até o momento em que ela sai. Não é a dona da mercadoria e não é a companhia aérea que a transportou: é quem fica com ela no meio do caminho.
Na prática, isso envolve receber e conferir o volume, pesar, identificar, decidir onde a carga vai ficar armazenada — refrigerada, separada por ser perigosa, isolada por ser de alto valor —, controlar entradas e saídas, cuidar da documentação e organizar a retirada. Também envolve a inspeção de segurança: no terminal, praticamente tudo que entra passa por equipamento de raio X, independentemente do que seja.
Foi justamente esse detalhe que ficou na memória de um dos estudantes.
“Aprendi coisas novas e curiosas, como o fato de até um traslado funerário precisar passar pelo Raio X no terminal de cargas. Foi uma experiência única viver isso dentro do aeroporto.”
A declaração é do estudante Kauã de Oliveira Buliano.
Por que uma carga de Miami desce em Vitória
Durante a visita, a turma viu o terminal funcionando como porta de entrada de cargas internacionais, com mercadorias recebidas diretamente de Miami, nos Estados Unidos. Um terminal de cargas aéreo existe para o que é urgente, caro ou perecível — o tipo de item em que o custo do frete aéreo compensa o tempo economizado em relação ao transporte marítimo.
Ter esse ponto de entrada dentro do estado importa para quem importa e exporta daqui: significa que a carga é conferida e liberada no Espírito Santo, sem precisar descer em outro estado e depois rodar de caminhão até o destino final. Os estudantes acompanharam ainda decolagens de aeronaves e helicópteros durante a atividade.
A ponte entre a sala de aula e o galpão
As coordenadoras dos cursos técnicos em Administração e Logística, professoras Mylleyde Ferri e Adriana Nascimento da Silva, avaliaram que a visita aproximou teoria e prática e estimulou o protagonismo dos estudantes. Segundo a equipe escolar, a saída pedagógica serviu para consolidar aprendizagens e relacionar o conteúdo curricular com situações reais do setor.
Vale registrar o que o material divulgado sobre a atividade não informa: quantos estudantes participaram, quais outras turmas da escola têm o mesmo componente curricular e se novas visitas estão previstas para as próximas séries. Também não há informação sobre o calendário de matrícula do curso técnico nem sobre a oferta de vagas para os próximos anos.
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