O escritor capixaba Edmar Zorzal, autor do livro Fininho, participou de um encontro literário com estudantes do CEEFMTI Elisa Paiva, em Conceição do Castelo. A conversa marcou a culminância do projeto Leituras Literárias, desenvolvido ao longo do segundo trimestre, e envolveu estudantes do 8º e do 9º ano do ensino fundamental, que acompanharam a obra em sala antes de encontrar quem a escreveu.
Durante o evento, os estudantes conversaram com o autor, conheceram o processo de criação do livro, leram cartas de agradecimento e recitaram poesias inspiradas na obra. Duas estudantes destacaram a emoção de conhecer o autor pessoalmente.
O que muda quando o autor entra na sala de aula
A escola é um Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral, formato em que a jornada ampliada abre espaço para projetos que não cabem na aula comum — e foi nesse espaço que o projeto de leitura se desenvolveu ao longo do trimestre.
A presença do autor na escola foi um momento especial. Os alunos puderam compreender que, por trás de cada obra, há uma pessoa que pensa, sente e se inspira, tornando a leitura uma experiência viva e transformadora
A avaliação é da professora Fernanda Aparecida Frandoloso Gomes.
Culminância não é o começo do projeto, é o fechamento
Culminância é o nome que a escola dá à etapa final de um projeto: o momento em que o trabalho feito ao longo de semanas sai do caderno e vira apresentação, mostra ou evento aberto. A ordem importa. O encontro com o autor só funciona porque a leitura veio antes — quem chega à roda de conversa já leu o livro, já discutiu a história e já escreveu sobre ela.
É essa diferença que separa uma visita de autor de uma aula sobre o livro. Sem a leitura prévia, o encontro vira palestra; com ela, o estudante chega com pergunta própria e reconhece na resposta a história que carregou por um trimestre inteiro.
Ler e escrever: os dois objetivos do projeto
O Leituras Literárias tinha duas metas declaradas: aproximar os estudantes da literatura e incentivar o gosto pela leitura e pela produção textual. A segunda parte é a que costuma passar despercebida em projeto de leitura, e foi ela que apareceu no encontro em duas formas concretas:
- Cartas de agradecimento escritas pelos estudantes e lidas para o autor — texto com destinatário real, e não redação para nota.
- Poesias inspiradas na obra, recitadas em voz alta, exercício que junta leitura, escrita e oralidade na mesma atividade.
Escrever para alguém que vai ouvir muda o texto. O estudante que sabe que o autor está na plateia revisa o que escreveu por um motivo que ele entende, e não porque a margem do caderno pede.
O relato de quem participou
Foi interessante saber como ele teve a ideia do livro Fininho. A história ficou mais real para mim depois que ele contou sobre sua inspiração. Também foi emocionante ver meus colegas recitando poesias e lendo as cartas de agradecimento.
O relato é de uma das estudantes que participaram do encontro.
O roteiro que levou o autor até a escola
A sequência seguida pelo projeto é simples de descrever e serve de referência para quem quer montar algo parecido:
- escolher uma obra e trabalhá-la ao longo de um período letivo inteiro, e não em uma semana;
- pedir aos estudantes produção própria a partir da leitura — cartas, poemas, resenhas;
- convidar o autor para a etapa final, com perguntas já preparadas sobre o processo de criação;
- reservar tempo, no encontro, para os estudantes apresentarem o que escreveram, e não só ouvirem.
A aposta em autor regional facilita o roteiro: escritores da região circulam por escolas com mais frequência do que nomes de circulação nacional, o que torna o encontro presencial viável para uma escola do interior.
Não é a primeira vez que a leitura junta estudantes no município: outra etapa desse mesmo esforço foi a interação entre estudantes de escola estadual e municipal para incentivo à leitura em Conceição do Castelo, que colocou turmas de redes diferentes na mesma atividade.
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