O governador Renato Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço assinaram, no domingo (02), o termo de fomento para as obras de restauro da Catedral Metropolitana de Vitória. O documento prevê R$ 1,66 milhão para o serviço e é o passo que viabiliza a contratação da obra — que ainda não começou. Pelo que foi divulgado, o início está previsto para novembro de 2025 e o término, para março de 2026.
O termo foi firmado entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e a Mitra Arquidiocesana de Vitória – Paróquia Nossa Senhora da Vitória, parceira do Estado no acordo.
Assinar termo não é restaurar: o que existe hoje é o compromisso
Um termo de fomento é o documento pelo qual o poder público destina recursos a uma entidade parceira para executar uma ação definida. Instrumentos desse tipo fixam quanto será repassado, o que precisa ser feito e em quanto tempo, e obrigam quem recebe a comprovar como o dinheiro foi aplicado.
Ou seja: o que se concretizou no domingo foi a destinação do dinheiro e a definição do serviço. Assinatura, início da obra e entrega são três momentos distintos, e apenas o primeiro já aconteceu. Nenhuma telha da catedral foi trocada até aqui.
Onde a obra vai mexer: lajes, telhado, fachada e colunas
A lista divulgada concentra o serviço em dois problemas típicos de edificação antiga: água entrando por cima e desgaste do que fica exposto ao tempo. Estão previstas as seguintes intervenções:
- impermeabilização da área externa superior das lajes da sacristia, da secretaria e da sala do batismo;
- reparos em áreas com infiltrações;
- manutenção e substituição dos parafusos do telhado por modelos em inox;
- substituição de telhas danificadas por peças idênticas às originais;
- pintura externa da fachada, mantendo a paleta de cores atual;
- recuperação de capitéis e bases de colunas danificadas.
O capitel é a peça que remata o topo da coluna, no ponto em que ela recebe o peso do que está acima; a base é a parte de baixo, que apoia a coluna no piso. São justamente os trechos que mais sofrem com umidade e com o vaivém de quem circula pelo prédio.
Por que se fala em restauro, e não em reforma
Uma reforma pode trocar o que está velho pelo que existe de melhor hoje. O restauro trabalha sob outra regra: a intervenção precisa recuperar o bem sem apagar aquilo que o caracteriza. A própria lista de serviços mostra essa lógica — as telhas novas têm de ser idênticas às originais, a pintura mantém a paleta de cores atual e a recuperação dos capitéis e das bases segue a arquitetura e a estética históricas do edifício.
É também por isso que uma obra assim costuma levar mais tempo entre o anúncio e o primeiro andaime do que uma reforma comum. Material, técnica e acabamento precisam estar detalhados em projeto antes de a equipe subir no telhado, porque cada peça retirada tem de ser reproduzida conforme a que sai. E, quando o imóvel é protegido por tombamento — condição que o anúncio não detalha —, o projeto ainda depende de análise e autorização do órgão que responde por essa proteção antes de a obra começar.
A restauração da Catedral de Vitória é um gesto de respeito à nossa história e de reafirmação da identidade capixaba. Mais do que recuperar um monumento, é devolver à cidade um símbolo de memória, fé e pertencimento que atravessa gerações. Sua revitalização fortalece o Centro Histórico e valoriza o patrimônio cultural da capital.
A avaliação é do secretário de Estado da Cultura, Fabricio Noronha. Na assinatura, o governador esteve acompanhado pela primeira-dama Maria Virginia Casagrande.
O calendário anunciado e o que vale hoje
O cronograma divulgado vai de novembro de 2025 a março de 2026, cobrindo o fim deste ano e o primeiro trimestre do próximo. Vale ler esse intervalo como previsão: em obra de restauro, o prazo só passa a correr de fato quando a execução começa, e imprevisto sob telhado antigo — extensão de infiltração, peça que não pode ser simplesmente substituída — é ocorrência comum.
Para quem frequenta a catedral ou o Centro Histórico, o que vale hoje é o seguinte: existe recurso destinado, existe uma lista de serviços definida e existe um prazo anunciado. O que não existe ainda é obra em andamento.
O que o anúncio não informou
- a data exata do início — a informação divulgada fala apenas em novembro;
- quem vai executar o serviço e como será contratado;
- se a catedral permanecerá aberta durante a obra e se haverá mudança nos horários de uso;
- o prazo de vigência do termo e como será feito o repasse do R$ 1,66 milhão;
- se está prevista alguma intervenção na parte interna do templo — a lista divulgada trata de lajes, telhado, fachada e colunas.
Nenhum desses pontos foi detalhado no anúncio da assinatura.
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