A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu em flagrante, na segunda-feira (3), um homem de 27 anos suspeito de integrar uma quadrilha especializada no golpe da falsa venda de veículos pela internet. A prisão foi feita por policiais do 5º Distrito Policial (DP) de Vitória, unidade que fica em Jardim Camburi, e aconteceu no bairro Eurico Salles, na Serra, no momento em que o suspeito negociava com uma vítima. Ele foi autuado por tentativa de estelionato e liberado após o recolhimento de fiança.
Qual era a função do suspeito dentro do grupo
De acordo com o titular do 5º Distrito Policial de Vitória, delegado Fabiano Rosa, o suspeito tinha uma tarefa definida no esquema: apresentar o veículo às vítimas interessadas na compra. Pela participação no crime, receberia R$ 3 mil. Foi durante uma dessas negociações que os policiais civis fizeram a abordagem, efetuaram a prisão em flagrante e conduziram o homem à 3ª Delegacia Regional da Serra para os procedimentos legais.
O próprio relato da polícia indica divisão de tarefas dentro da quadrilha: o preso cuidava da apresentação do carro, e a apuração segue atrás dos outros integrantes do grupo.
O mesmo carro já havia sido usado em 26 de setembro
Durante as diligências, a Polícia Civil constatou que o veículo usado na negociação já havia servido a outra tentativa de golpe, registrada em 26 de setembro deste ano, com participação do mesmo suspeito identificado nas investigações. São, portanto, pelo menos dois episódios registrados em pouco mais de um mês envolvendo o mesmo automóvel.
Esse detalhe é o que mais interessa a quem está comprando. O carro exibido num encontro pode ser exatamente o mesmo de outro anúncio. Ver o veículo de perto, abrir a porta e conversar com alguém que o mostra não prova que essa pessoa é a dona nem que ela pode vendê-lo. No caso, mostrar o carro era justamente a função de quem foi preso.
Como o golpe chega até o comprador
Pelo que a Polícia Civil descreveu, o esquema parte de um anúncio publicado em plataforma de vendas on-line e desemboca num encontro presencial, em que alguém apresenta o veículo à pessoa interessada. O comprador vê um carro de verdade e uma pessoa disposta a mostrá-lo — e é esse conjunto que dá ao negócio aparência de legítimo, mesmo quando quem está ali não tem nenhuma relação com o dono do bem.
O que dá para conferir antes de pagar
- Preço muito abaixo do mercado. Oferta bem mais barata que a média do mesmo modelo e ano é o primeiro sinal de alerta e o motivo pelo qual muita gente aceita apressar o negócio.
- Documentação antes do dinheiro. A checagem dos documentos do veículo, e se o nome de quem está vendendo é o mesmo que aparece neles, vem antes de qualquer transferência — não depois.
- Ver o carro não é garantia. Quem apresenta o veículo pode ser apenas a pessoa escalada para apresentá-lo, como no caso registrado na Serra.
- O mesmo veículo pode reaparecer. Um carro já usado numa tentativa anterior pode voltar a circular em outro anúncio, com outro suposto vendedor.
Já pagou e o carro não chegou? O que fazer
A Polícia Civil informou que busca identificar possíveis vítimas do esquema. Na prática, isso significa que quem passou por uma negociação parecida e não procurou a polícia ainda pode integrar o caso — e é o registro que liga um episódio ao outro.
- Registre ocorrência na delegacia, mesmo que o valor pareça pequeno ou que a negociação não tenha se completado. Tentativa também é apurada, como mostra o enquadramento deste caso.
- Guarde tudo: o anúncio, o print da conversa, os comprovantes de pagamento, o local do encontro e a placa do veículo apresentado.
- 190 é o número para situação de emergência, quando o fato está acontecendo naquele momento.
- 181 recebe informação de forma anônima, para quem quer denunciar sem se identificar.
Preso em flagrante não quer dizer condenado
O suspeito foi autuado em flagrante por tentativa de estelionato e liberado para responder em liberdade, após o recolhimento da fiança arbitrada pela autoridade policial da Central de Teleflagrante. A fiança é uma garantia paga para que a pessoa aguarde o andamento do processo fora da prisão, com o compromisso de se apresentar quando chamada — não encerra a apuração nem substitui julgamento.
O enquadramento como tentativa também tem explicação factual: a abordagem policial ocorreu durante a negociação. Até o fim do processo, ele segue como suspeito, e o caso continua sob investigação.
O que o comunicado não informa
O material divulgado pela Polícia Civil não traz alguns dados que ajudariam quem tenta se proteger. Ficam em aberto:
- quantas vítimas o grupo já fez e qual o prejuízo somado — o único valor informado, de R$ 3 mil, é o que o suspeito receberia pela participação, e não o dinheiro perdido por alguém;
- em que momento e de que forma o pagamento era combinado com o comprador;
- há quanto tempo o grupo atua e quantas pessoas o integram;
- a origem do veículo usado nas duas tentativas.
Fonte: Polícia Civil do Espírito Santo (PCES)
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!