A agenda da COP 30, a conferência do clima realizada em Belém, foi organizada em torno de seis eixos temáticos, com dois assuntos no centro das atenções: o que fazer com as florestas e quem paga a conta da transição energética. O roteiro dos temas e os números que balizavam as negociações foram divulgados em 14 de outubro de 2025, e é esse material — o que estava previsto para a conferência — que este texto registra.
Vale a ressalva de fase, porque ela muda tudo o que se lê a respeito: nada do que aparece abaixo era medida em vigor. Eram eixos de discussão, metas apresentadas e propostas em negociação. Meta anunciada por uma delegação não é lei, não é orçamento aprovado e não cria direito para ninguém; é a posição que o país levou à mesa.
O que era a Agenda de Ação e o que ela não resolvia
A Agenda de Ação da COP 30 era uma lista de temas prioritários, não um pacote de decisões. Ela organizava o debate, dizia sobre o que se ia conversar e em que ordem — mas o desfecho de cada assunto dependia do acordo entre os países presentes. Por isso o próprio material listava, entre os desafios, alinhar os compromissos de países desenvolvidos e em desenvolvimento em relação ao financiamento climático: sem convergência entre esses dois grupos, um tema pode ocupar a agenda inteira e terminar sem definição.
Os outros dois desafios listados eram garantir que as metas de redução de emissões fossem compatíveis com a ciência e lidar com os impactos socioeconômicos das mudanças climáticas sobre populações vulneráveis.
Os seis eixos temáticos da conferência
A Agenda de Ação tinha seis temas principais:
- transição nos setores de energia, indústria e transporte;
- gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade;
- transformação da agricultura e dos sistemas alimentares;
- construção de cidades mais preparadas para riscos ambientais;
- promoção do desenvolvimento humano e social;
- transferência de tecnologia e incentivo ao financiamento climático.
É no segundo item que mora a chamada agenda de florestas. Em linguagem simples, ela trata do que se faz com a mata que ainda está em pé e com a que já foi derrubada: conservar, usar de forma sustentável e recuperar área degradada, tratando isso como parte da resposta ao aquecimento — e não apenas como assunto de preservação da natureza.
Financiamento climático em linguagem leiga: de US$ 300 bilhões a US$ 1,3 trilhão
Financiamento climático é o dinheiro que os países mais ricos se comprometem a destinar aos países em desenvolvimento para que eles troquem a matriz de energia e se preparem para os efeitos do clima. É a resposta prática a uma cobrança antiga: quem enriqueceu poluindo mais deve bancar parte do custo de quem precisa crescer poluindo menos.
O valor em vigor até então era de US$ 300 bilhões anuais. A meta em discussão na COP 30 era elevá-lo a US$ 1,3 trilhão por ano a partir de 2035 — mais de quatro vezes o patamar existente. O número, porém, entrou em Belém como proposta, não como compromisso firmado: valor de financiamento só vale quando os países que pagam concordam com ele.
As metas que a delegação brasileira levou
A delegação brasileira chegou à conferência com quatro metas declaradas: valorizar a Amazônia como solução climática, garantir financiamento justo para países em desenvolvimento, promover transições justas e inclusivas e integrar clima, biodiversidade e justiça social.
Do lado dos números, a meta brasileira era reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases que afetam o aquecimento do planeta até 2035. Na prática, isso significava tirar da atmosfera o equivalente a 850 milhões a 1 bilhão de toneladas de CO₂. Percentual e tonelagem descrevem a mesma promessa por dois ângulos: um mede o corte em relação ao que o país emitia; o outro, o volume de gás que deixaria de ser lançado.
Por que florestas foram tratadas como forma de ganhar tempo
Recuperar florestas, segundo o embaixador André Corrêa do Lago, pode reduzir gases do efeito estufa e trazer ecossistemas de volta à vida — ou seja, uma mesma ação responderia a dois problemas ao mesmo tempo, o do clima e o do desaparecimento de espécies.
“As florestas podem nos fazer ganhar tempo na ação climática durante uma janela de oportunidade que se está fechando”
A avaliação é do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP 30.
O que significa o limite de 1,5 grau
O número mais repetido nesse debate é 1,5 grau Celsius: o limite de aumento da temperatura global até o fim deste século definido no Acordo de Paris, firmado na COP 21, em 2015. É a referência contra a qual toda meta de redução de emissões é medida — quanto mais lento o corte, menor a chance de o limite ser respeitado.
Segundo o material, a redução de gases de efeito estufa seria um dos principais tópicos de debate na COP 30, ao lado da adaptação às mudanças climáticas e dos compromissos de financiamento climático para países em desenvolvimento.
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