A Nvidia divulgou receita de US$ 57 bilhões no terceiro trimestre do seu ano fiscal, acima dos US$ 55 bilhões que Wall Street projetava para o período. O lucro ajustado ficou em US$ 1,30 por ação, contra um consenso de US$ 1,26. Os números se referem ao trimestre já encerrado, e não ao ano inteiro nem ao trimestre em curso.
Depois da divulgação, feita após o fechamento do pregão, as ações da companhia subiram mais de 5% no chamado pós-mercado — a janela de negociação que continua funcionando depois do horário oficial e costuma reunir volume menor do que o do dia normal.
O que a Nvidia vende e por que o balanço dela virou termômetro
A empresa fabrica chips. O produto que hoje responde pela maior parte do seu faturamento são as GPUs — placas que executam muitos cálculos ao mesmo tempo e se tornaram o equipamento padrão para treinar e para rodar sistemas de inteligência artificial dentro de grandes centros de dados, os data centers.
Isso explica por que um balanço trimestral de uma fabricante de componentes é lido como indicador de um setor inteiro: quem constrói e amplia data centers precisa comprar esses chips antes de oferecer qualquer serviço de inteligência artificial. A receita da companhia mostra, portanto, quanto foi efetivamente gasto em equipamento no trimestre — um dado de compra já realizada, diferente de anúncio de investimento futuro. O efeito também aparece na direção contrária: fornecedores e concorrentes da mesma cadeia costumam oscilar junto, como aconteceu depois deste resultado.
A divisão de data centers cresceu 66% em um ano
O braço que vende para centros de dados alcançou US$ 51,2 bilhões no trimestre, crescimento de 66% na comparação com o mesmo período do ano anterior. É a fatia que responde pela maior parte dos US$ 57 bilhões informados no balanço.
Jensen Huang, presidente-executivo da companhia, descreveu a demanda pelos chips da linha Blackwell como “fora dos gráficos”. Segundo ele, as GPUs disponíveis em nuvem — ou seja, alugadas por hora, sem que o cliente precise comprar a máquina — estão esgotadas no mundo inteiro.
As bolsas asiáticas reagiram ainda na madrugada
Como o resultado saiu depois do fechamento do pregão, os primeiros mercados a precificá-lo foram os da Ásia. O índice japonês Nikkei 225 chegou a subir 4,2% durante o pregão e encerrou o dia com alta de 2,6%. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 3%, puxado pelas empresas de tecnologia: a Samsung subiu 6,1% e a SK Hynix, 3,5%.
Em Taiwan, o Taiex teve alta de 3,2%. China e Hong Kong também fecharam no positivo, com ganhos mais modestos. Na Austrália, mercado com peso menor de empresas de tecnologia, o S&P/ASX 200 avançou 1,2%.
O que Huang respondeu sobre a bolha da inteligência artificial
Questionado sobre o risco de uma bolha — situação em que o preço dos ativos sobe muito acima do que a atividade real justifica, até corrigir de forma brusca —, Huang afirmou que o mercado não vive um excesso irracional, e sim uma transformação estrutural apoiada em três mudanças de plataforma.
São elas a computação acelerada, que distribui um mesmo cálculo por milhares de núcleos em paralelo em vez de processá-lo em sequência; a IA generativa, que produz texto, imagem, som ou código a partir de um comando; e a IA agêntica, em que o sistema executa uma tarefa em várias etapas encadeadas, acionando ferramentas por conta própria, em vez de apenas devolver uma resposta. A avaliação é do presidente-executivo da própria empresa, parte interessada no resultado.
Os US$ 65 bilhões do próximo trimestre são projeção, não resultado
Para o quarto trimestre fiscal, a companhia projeta receita de US$ 65 bilhões, acima dos US$ 62 bilhões que Wall Street esperava. O primeiro número é a estimativa que a própria empresa apresenta ao mercado; o segundo é o consenso, isto é, a média das projeções feitas pelos analistas que acompanham a ação. Nenhum dos dois é dinheiro que já entrou no caixa.
Vale a distinção entre os dois tipos de informação que aparecem no mesmo comunicado. Receita, lucro e crescimento de 66% descrevem um período que terminou e podem ser conferidos no balanço. A projeção de US$ 65 bilhões descreve um período que ainda vai começar e pode não se confirmar — no trimestre seguinte, o próprio número servirá de régua para dizer se a empresa entregou o que prometeu.
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