Cão e gato também se queimam de sol, e o estrago não para na vermelhidão. Segundo o médico-veterinário dermatologista Leandro Haroutune Hassesian Galati, a radiação ultravioleta pode causar nos animais desde inflamação e dor na pele até doenças autoimunes e câncer — motivo pelo qual ele defende que o protetor solar entre na rotina de cuidados básicos, e não na lista de supérfluos.
Galati é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e atua no grupo Pet Care, vínculo profissional informado pela própria matéria de origem. É dele a orientação técnica reproduzida abaixo — o texto original é assinado por Rebecca Vettore, e o material não informa a formação dela.
Os pets necessitam de proteção solar tanto quanto nós. Eles estão suscetíveis a cânceres de pele, queimaduras solares e até dermatoses autoimunes
A afirmação é do médico-veterinário dermatologista Leandro Haroutune Hassesian Galati.
O que a exposição excessiva ao sol pode provocar na pele do animal
A matéria de origem lista as principais condições ligadas ao excesso de sol em cães e gatos:
- carcinomas e melanomas;
- queimaduras solares — o nome técnico é dermatite actínica;
- doenças autoimunes, como o lúpus;
- agravamento de dermatites que o animal já tem;
- inflamação e dor na pele.
Há um ponto em que o texto publicado por aqui vinha errando e que vale corrigir com todas as letras: pelo escuro não é escudo. A orientação da fonte é que cães com áreas pouco pigmentadas, perda de pelos ou lesões anteriores estão ainda mais vulneráveis, mas que todos os cachorros e gatos precisam de proteção, independentemente da cor da pelagem. Quem tem animal preto ou de pelagem cheia não está dispensado.
Os casos em que o veterinário considera o protetor obrigatório
A indicação vale para todos os animais de estimação, mas a matéria de origem separa três situações em que o uso deixa de ser recomendação e passa a ser obrigatório:
- animais que já têm doenças de pele diagnosticadas;
- animais com alto risco de câncer;
- animais que estão perdendo pelo.
Onde passar e de quanto em quanto tempo
Segundo Galati, o produto deve ser aplicado cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicado entre 2 e 4 horas — atenção redobrada em passeios, idas à praia e em qualquer situação de permanência prolongada em área aberta.
As regiões que sempre precisam de proteção, segundo a mesma orientação, são focinho, orelhas, barriga e as áreas com falhas de pelo. São justamente os pontos em que a pele fica mais exposta e menos coberta.
Dia nublado e luz que entra pela janela também contam
Uma das confusões mais comuns entre tutores é achar que céu fechado significa dia sem risco. O veterinário explica que os raios UVA continuam existindo mesmo sem sol visível, e que por isso o uso precisa ser contínuo:
A proteção deve ser feita independentemente de estar nublado. A luz indireta pela janela ou varanda também é nociva.
A avaliação é de Leandro Haroutune Hassesian Galati. Na prática, isso alcança o animal que vive dentro de casa ou de apartamento: se ele passa o dia deitado perto de uma porta de vidro ou de uma varanda muito iluminada, também precisa de proteção.
Protetor solar de gente serve no animal? O que a fonte diz — e o que ela não diz
Esta é a pergunta que mais gera dúvida, e a resposta da matéria de origem é condicional, não um sim aberto: muitos protetores de uso humano podem ser utilizados, desde que respeitem alguns critérios. São eles:
- ter FPS mínimo de 30;
- não conter zinco, descrito na fonte como substância tóxica;
- ser à prova d’água;
- ter proteção contra UVA;
- ter efeito químico, de absorção, e não físico;
- ser preferencialmente indicado para uso dermatológico.
Vale ser transparente sobre os limites dessa lista. A matéria de origem não explica em que situação o zinco se torna tóxico para o animal e não trata do que acontece quando o cão ou o gato lambe a região onde o produto foi passado — comportamento comum, principalmente em patas, barriga e focinho, que são exatamente as áreas indicadas para aplicação. Como o material consultado não responde a isso, esta reportagem também não responde: pergunte ao veterinário que acompanha o seu animal antes de passar nele qualquer produto feito para pessoas, levando a embalagem junto para que o profissional leia a composição. A própria matéria de origem reforça que a escolha do produto deve seguir orientação veterinária.
Nenhuma marca de protetor solar é citada ou recomendada no material de origem, e esta matéria também não indica nenhuma. A orientação sobre dose, frequência e produto é do veterinário que atende o animal, e só dele.
O protetor ajuda, mas quem protege mesmo é a sombra
Apesar da eficácia dos protetores, o dermatologista destaca que o método mais importante continua sendo evitar a exposição excessiva. As recomendações reunidas na fonte são:
- restringir o acesso do animal às áreas de maior incidência de luz;
- evitar a exposição entre 10h e 16h;
- redobrar os cuidados na primavera e no verão;
- acompanhar diariamente os índices de radiação UV;
- garantir sombra e hidratação durante os passeios.
Um alerta fecha a orientação e costuma passar batido: protetor solar não previne insolação. São coisas diferentes. A insolação está mais relacionada ao estresse térmico, ou seja, ao calor em si — e nenhum creme resolve isso. Por isso a recomendação é evitar situações de calor intenso e superfícies muito quentes, mesmo com o animal protegido.
Em resumo: passar o protetor não libera o passeio do meio-dia. Ele é uma camada a mais de cuidado, não um passe livre para o horário de sol mais forte.
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