O governador Renato Casagrande assinou, no sábado (13), dois documentos que destravam obras no distrito de Praia Grande, em Fundão. Um é o convênio de R$ 6,8 milhões para drenagem e pavimentação da Rua Minas Gerais. O outro é a ordem de serviço da primeira etapa da revitalização da Orla de Praia Grande – Trecho 2, orçada em R$ 15,1 milhões. As duas obras estão em estágios diferentes, nenhuma delas foi concluída e nenhuma teve prazo de entrega divulgado.
Somadas, as duas cifras chegam a R$ 21,9 milhões, mas não formam um pacote único: são dois compromissos distintos, com objetos, origens e etapas próprias. A divulgação oficial não apresenta esse total nem informa data de início, empresa responsável ou prazo de conclusão para qualquer um dos dois.
O que foi assinado no sábado e o que isso significa na prática
Os dois documentos não são equivalentes, e a diferença entre eles muda o que o morador pode esperar.
- Convênio (Rua Minas Gerais): é o acordo que formaliza o repasse de recursos do Estado para a Prefeitura e define o objeto da obra e o valor. Assinar o convênio garante o dinheiro, não a obra. Depois dele ainda vêm a licitação, a contratação da empresa e a autorização para começar.
- Ordem de serviço (orla de Praia Grande): é o documento que autoriza a empresa já contratada a colocar equipe e máquina na rua. É a partir dele que o prazo do contrato começa a correr. É uma etapa adiante do convênio, mas ainda é o começo da obra, não a entrega.
Na prática, o item mais caro dos dois é o que está mais perto de virar canteiro. O de R$ 6,8 milhões na Rua Minas Gerais é o que ainda tem mais caminho pela frente antes de a primeira máquina chegar.
Rua Minas Gerais: R$ 6,8 milhões em convênio, obra sem data
O convênio foi firmado por meio da Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e prevê intervenção estrutural na Rua Minas Gerais, no distrito de Praia Grande. A estimativa oficial é de que pouco mais de cinco mil moradores sejam beneficiados diretamente.
O projeto contempla:
- 8.501 metros quadrados de pavimentação em blocos de concreto;
- 1.506 metros de rede de drenagem;
- 5.548 metros quadrados de calçada cidadã.
A chamada calçada cidadã é o passeio construído dentro do padrão de acessibilidade: largura livre para cadeira de rodas e carrinho de bebê, piso regular e rampa nas travessias, em vez do degrau e do remendo que costumam obrigar o pedestre a descer para a pista. Já a rede de drenagem é a parte invisível do serviço e costuma ser a que resolve o alagamento de rua em dia de chuva forte, porque conduz a água para fora do leito antes que ela empoce.
O que não foi informado: quando a licitação será aberta, qual o prazo de execução e em que mês a obra começa.
Orla de Praia Grande: ordem de serviço para 2.234 metros do Trecho 2
A revitalização da orla foi dividida em trechos, e o que recebeu ordem de serviço é a primeira etapa do Trecho 2. Ela cobre 2.234 metros de extensão, da Passarela da Moqueca até a Praia do Amor, com investimento total de R$ 15,1 milhões. O restante da orla não teve valor, etapa nem prazo divulgados nesta assinatura.
Nesse trecho, o projeto prevê pavimentação, passeio em concreto, meio-fio e rede de drenagem com poços de visita e bocas de lobo, além de 300 metros de contenção com enrocamento. Enrocamento é a fileira de blocos de rocha depositada na faixa de contato entre a areia e a estrutura urbana: ela quebra a força da onda antes que a água alcance o calçadão e é usada justamente onde o mar já vinha avançando sobre o que foi construído.
A parte que o frequentador vê inclui 5.490 metros quadrados de ciclovia, 270 metros quadrados de deck em madeira tratada, pórticos, guarda-corpo em madeira e mobiliário urbano novo — bancos, bicicletários e coletores seletivos. O paisagismo prevê 274 novas árvores e 11.391 metros quadrados de grama esmeralda, ou mais de 11 mil metros quadrados de área gramada.
A orla já tinha edital anunciado desde 2024
A ordem de serviço não é o primeiro passo dessa obra. Um ano antes, em dezembro de 2024, o edital de licitação para a reurbanização da orla de Praia Grande já havia sido anunciado — a etapa em que se abre a disputa para escolher quem executa. A assinatura de agora é o passo seguinte na mesma sequência: com a licitação concluída e o contrato firmado, a empresa recebe autorização para iniciar. Comparar as duas datas dá a medida do intervalo entre anunciar uma obra de orla e liberar o seu começo.
O que a Sedurb diz que pretende alcançar
Nosso objetivo é ampliar o acesso à infraestrutura urbana de qualidade e garantir que cada município avance de forma planejada e sustentável. As obras em Fundão vão transformar a mobilidade, valorizar os espaços públicos e oferecer mais segurança e conforto para moradores e visitantes. Esse é o tipo de investimento que muda a realidade das pessoas e fortalece o desenvolvimento regional
A declaração é do secretário de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Marcos Soares. Os verbos estão no futuro, e é assim que a fala deve ser lida: o que existe hoje é o compromisso formalizado no papel, não a obra em uso.
O que ainda não foi informado
Quem mora em Praia Grande ou pretende usar a orla no próximo verão fica sem quatro respostas que a divulgação oficial não traz:
- Prazo de conclusão de cada uma das duas obras;
- Data de início efetivo dos serviços na orla, mesmo com a ordem de serviço assinada;
- Cronograma da licitação da Rua Minas Gerais, que ainda precisa acontecer;
- Etapas seguintes da orla, além da primeira etapa do Trecho 2, sem valor e sem previsão divulgados.
Até que esses pontos sejam informados, o que vale hoje em Praia Grande é o que já está no papel: um repasse garantido para a Rua Minas Gerais e a autorização para começar a obra da orla. Quem for cobrar agora o calçadão pronto, a ciclovia ou o novo pavimento vai ouvir que a intervenção ainda está por vir.
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