A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu três homens, com idades entre 20 e 22 anos, na madrugada desta sexta-feira (12), em uma operação simultânea nos municípios de João Neiva, Aracruz e Colatina. Os três são investigados por tentativa de homicídio, e a ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia (DP) de João Neiva.
Além do inquérito por tentativa de homicídio, os três figuram como investigados em outra apuração, que trata de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa no município. Nenhum deles foi julgado ou condenado: nesta fase, o que existe é investigação em andamento e prisão determinada por ordem judicial.
O que a operação cumpriu em cada município
As equipes cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. As diligências ocorreram ao mesmo tempo em João Neiva, Aracruz e Colatina, e as investigações que levaram à operação começaram em meados de junho.
Em João Neiva, no bairro Acioli, os policiais cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão contra um homem de 20 anos investigado por tentativa de homicídio, que também é investigado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa. Durante a ação, a mãe dele tentou impedir a entrada da equipe e se dirigiu aos policiais e ao delegado que coordenou a operação, Leandro Comper Sperandio, com ofensas e palavras de baixo calão.
Em outro endereço do mesmo município, foi cumprido mandado de prisão contra um segundo homem, também de 20 anos, investigado por tentativa de homicídio. Ele esboçou resistência e foi contido e algemado pelos agentes. Responde ainda a inquéritos por tráfico de drogas, associação ao tráfico e organização criminosa, e teve entorpecentes apreendidos em sua residência pela Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) em duas ocasiões neste ano.
A terceira prisão ocorreu no distrito de Baunilha, em Colatina, contra um homem de 22 anos investigado por tentativa de homicídio. Ele também integra as investigações sobre tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa, e teve drogas apreendidas em sua residência em duas ocasiões neste ano.
Tentativa de homicídio: onde está a diferença para lesão corporal
O termo que aparece nos mandados não é detalhe de linguagem. A tentativa de homicídio é caracterizada quando há intenção de matar e a morte não acontece por circunstâncias alheias à vontade de quem agiu — a vítima é socorrida a tempo, o disparo erra o alvo, alguém interrompe a ação. Já na lesão corporal a intenção apurada é de ferir, não de matar.
Como a intenção é reconstruída pela apuração — laudos, depoimentos, o meio empregado —, e como a pena prevista para uma hipótese é bem maior que a da outra, o enquadramento pode mudar ao longo do inquérito.
Prisão temporária não é condenação — e o que a audiência de custódia decide
A prisão temporária é uma medida com prazo determinado, pedida durante a investigação e autorizada pela autoridade judicial quando ela é considerada necessária para a apuração de crimes graves. Ela existe para viabilizar diligências, não para antecipar pena: vencido o prazo, sem outra decisão que mantenha a pessoa presa, a soltura é obrigatória.
Toda pessoa presa deve ser apresentada em audiência de custódia em curto prazo. Vale entender o que esse ato decide e o que ele não decide:
- Decide: se a prisão foi legal, se houve maus-tratos na abordagem e se a pessoa continua presa, é solta, ou responde ao processo em liberdade com medidas alternativas — como comparecimento periódico, proibição de contato ou monitoramento.
- Não decide: se a pessoa é culpada. A audiência de custódia não examina provas do crime, não condena e não absolve. Culpa só se define ao fim do processo, depois da denúncia apresentada pelo órgão de acusação e da defesa.
O mandado de busca e apreensão, cumprido junto com as prisões, também é ordem judicial: autoriza a entrada em endereço determinado para recolher objetos de interesse da investigação. Foi assim que foram apreendidos os celulares dos investigados.
Por que os celulares apreendidos importam para o caso
Os aparelhos apreendidos serão encaminhados à perícia para extração e análise de dados, com o objetivo de ampliar o conjunto probatório. Em investigações sobre grupos criminosos, esse material costuma ser o que liga uma pessoa à outra: mensagens, registros de chamadas, localização e transferências ajudam a mostrar quem combinou o quê e quando.
A extração precisa preservar a integridade dos dados para que o resultado tenha valor no processo, e a análise pode levar semanas.
As investigações continuam
Segundo a Polícia Civil, novas diligências seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, mapear conexões criminosas e aprofundar a responsabilização dos suspeitos. Ou seja, o inquérito não está encerrado com as três prisões.
João Neiva já havia sido alvo de outra operação da Polícia Civil, em episódio independente e sem relação com este, quando dois suspeitos foram presos no município em investigação diversa, envolvendo outras pessoas.
Como informar a polícia
Quem tiver informação que ajude em investigações como esta pode acionar o 181, o Disque-Denúncia, que recebe relatos de forma anônima e não exige identificação de quem liga. Em situação de emergência, com crime em andamento ou risco imediato a alguém, o número é o 190.
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