21 cabras sem água doce por 200 anos intrigam a ciência

Primeiramente, imagine um rebanho sobrevivendo dois séculos inteiros em uma ilha minúscula, sem nenhuma gota de água doce disponível. De fato, essa história extraordinária aconteceu no Arquipélago de Abrolhos, litoral sul da Bahia, e agora mobiliza pesquisadores de todo o país.

Consequentemente, a comunidade científica brasileira voltou suas atenções para a Ilha de Santa Bárbara, um pedaço de terra com apenas 1,5 quilômetro de extensão situado a 65 quilômetros de Caravelas. Nesse sentido, o caso dessas cabras isoladas representa um enigma biológico sem precedentes.

Navegadores europeus abandonaram animais no período colonial

Certamente, a origem do rebanho remonta à colonização. Exploradores europeus deixaram caprinos na ilha como reserva alimentar para futuras viagens marítimas. Com o tempo, porém, ninguém retornou para buscá-los. Dessa forma, os animais ficaram completamente isolados em um ambiente hostil, sem rios, lagos ou lençóis freáticos.

Vegetação de cactos foi a chave para a sobrevivência

A ilha possui um ecossistema classificado como cerrado insular, composto por suculentas, gramíneas e cactos. Ou seja, a única fonte de hidratação disponível estava contida nos próprios alimentos. Além disso, pesquisadores acreditam que adaptações genéticas permitiram ao rebanho aproveitar cada molécula de água presente na vegetação.

Operação científica capturou 21 animais em 2025

Em uma ação coordenada pelo ICMBio, com apoio da Marinha, Embrapa e universidades, especialistas capturaram 21 cabras para análises laboratoriais. Por exemplo, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, o pesquisador Ronaldo Vasconcelos investiga marcadores genéticos associados à resistência hídrica. Assim sendo, esses dados podem revolucionar a caprinocultura em regiões áridas.

Sertão nordestino pode ser o maior beneficiado

Sem dúvida, o potencial dessas descobertas é enorme para o semiárido brasileiro. Caso os genes de resistência sejam confirmados, programas de melhoramento genético poderão fortalecer rebanhos em propriedades rurais do sertão. Em outras palavras, milhares de famílias que dependem da criação de caprinos teriam animais mais resistentes à escassez de água.

Plano de manejo prevê remoção para proteger a ilha

Por outro lado, a presença prolongada das cabras causou impactos ambientais significativos. Portanto, desde 2023, um Plano de Manejo determina a retirada gradual dos animais para permitir a regeneração natural do ecossistema insular. Finalmente, ciência e preservação caminham juntas nesse caso extraordinário que transforma sobrevivência animal em esperança para o futuro da pecuária brasileira.

Fonte: Metrópoles

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