A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) concluiu o inquérito que apurou o homicídio de um homem de 38 anos, ocorrido no dia 02 de agosto do ano passado, no bairro São José, em Vitória. A apuração foi conduzida pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, que identificou três homens como suspeitos do crime. Um deles está preso; os outros dois não foram localizados até agora. O resultado foi apresentado em coletiva de imprensa nessa segunda-feira (19), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória.
A dinâmica que a investigação reconstruiu
O delegado adjunto da DHPP de Vitória, George Zan, relatou como o crime teria ocorrido. Segundo a investigação, a vítima conversava com um colega quando os dois foram surpreendidos por um homem de 25 anos, armado com uma espingarda calibre 12. Antes dos disparos, houve luta corporal, e a arma chegou a ser tomada do suspeito.
“Na sequência, dois comparsas, de 31 e 29 anos, chegaram ao local e efetuaram os disparos contra a vítima”
O relato é do delegado adjunto da DHPP de Vitória, George Zan.
Ainda de acordo com Zan, a vítima tentou se defender usando a arma que havia sido tomada do primeiro suspeito, sem êxito. O homem foi atingido diversas vezes, foi socorrido e não resistiu aos ferimentos.
“As investigações avançaram rapidamente, os autores foram identificados e o inquérito foi devidamente estruturado, o que resultou nos pedidos de prisão”
A avaliação é do delegado George Zan.
A prisão de novembro veio por outro caso
Em novembro, a DHPP cumpriu mandado de prisão contra o suspeito de 31 anos. Ele foi detido por violência doméstica contra a ex-companheira: havia invadido a residência dela, que conseguiu fugir e pedir ajuda. Depois disso, foi localizado e preso. Os outros dois suspeitos seguem sendo procurados.
Disputa territorial entre facções, segundo a apuração
As investigações apontam que os envolvidos integram facções criminosas e são associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teriam se aliado a criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) para a execução do crime. Sobre a vítima e sobre a origem do conflito, o delegado detalhou:
“A vítima era ligada ao Primeiro Comando de Vitória (PCV) e possuía antecedentes criminais relacionados ao tráfico de drogas no bairro São José, área que atualmente se encontra em disputa territorial. Em 2020, os suspeitos teriam sido expulsos da região por integrantes da facção rival, o PCV, juntamente com outros membros ligados ao PCC, que anteriormente comandavam as ações criminosas na localidade”
A explicação é do delegado adjunto da DHPP de Vitória, George Zan. Antecedente criminal não muda o dever de apurar: a investigação de um homicídio busca quem matou, seja quem for a pessoa morta.
O que significa dizer que um inquérito foi concluído
Inquérito é a fase de apuração, e ela é conduzida pela polícia. Concluir o inquérito quer dizer que a polícia encerrou essa etapa, reuniu o que levantou — perícia, depoimentos, laudos, quebra de dados — e formalizou a quem atribui a autoria e por qual enquadramento. Nada disso é sentença.
Ser apontado como suspeito ao fim de um inquérito é o oposto de estar condenado. Não é sequer acusação formal: o relatório da polícia é uma opinião técnica, e o órgão responsável por acusar não está obrigado a segui-la. Quem recebe o inquérito pode oferecer acusação formal contra todos, contra apenas parte deles, contra pessoas que a polícia não apontou, pedir novas diligências antes de decidir ou concluir que não há elementos para acusar ninguém.
Só depois que a acusação é aceita é que existe um processo — e nele é que entram defesa, produção de provas em audiência e testemunhas ouvidas na frente do juiz. Culpa, pena e regime de cumprimento são decididos apenas no julgamento. Em caso de homicídio doloso, o julgamento cabe ao júri popular. Enquanto isso não acontece, quem responde continua presumido inocente, esteja preso ou solto.
Prisão antes do julgamento também não antecipa condenação: ela é medida de garantia do processo, revista periodicamente e passível de revogação. E o fato de duas pessoas não terem sido localizadas não altera o cálculo — a apuração e o eventual processo seguem, e quem não foi encontrado continua com direito a defesa.
Onde denunciar
Informações que ajudem a localizar suspeitos podem ser repassadas ao 181, o Disque-Denúncia, que funciona 24 horas, não pede identificação e mantém sigilo sobre quem liga. Situações em andamento — pessoa armada, ameaça, agressão em curso — devem ser comunicadas ao 190, que aciona atendimento imediato.
Outros inquéritos de homicídio concluídos no Estado
São episódios independentes deste, envolvendo pessoas diferentes e sem qualquer relação entre si. Para entender o percurso que um inquérito de homicídio costuma seguir até o encerramento, veja o caso em que a DHPP de Vitória concluiu inquérito e prendeu dois suspeitos de homicídio em Jucutuquara. No interior do Estado, outra apuração igualmente sem ligação com esta foi finalizada quando a DHPP de Colatina concluiu o inquérito da morte de uma vendedora no bairro Olívio Zanotelli.
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