O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, visitou na terça-feira (3), em Plymouth, na Inglaterra, o NDM Oiapoque, navio de 176 metros e 18 mil toneladas comprado pela Marinha. A embarcação ainda não está no país: passa por um processo de revitalização na Inglaterra, e a previsão é de que chegue ao Brasil em outubro de 2026. Só depois disso ela entra em operação na Esquadra.
A visita serviu para acompanhar o andamento das obras e as demonstrações técnicas a bordo, além do trabalho dos militares brasileiros destacados para o projeto.
Saio daqui com muito orgulho. Vou relatar ao Presidente da República o quanto esse esforço está sendo bem empregado
A declaração é do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ao fim da visita.
Em que fase o navio está: comprado e em obras, ainda não entregue
Vale separar as etapas, porque elas costumam ser confundidas. O NDM Oiapoque já foi adquirido e já pertence à Marinha, mas continua na Inglaterra em revitalização — ou seja, não é um navio construído do zero, e sim uma embarcação existente que está sendo modernizada por dentro antes de mudar de dono na prática.
Enquanto o serviço não termina, o navio não navega sob bandeira brasileira em missão, não integra a rotina da Esquadra e não pode ser acionado em emergência. A data que interessa ao leitor é outubro de 2026, previsão de chegada ao Brasil. A entrada em serviço efetivo vem depois da travessia e dos testes finais.
O que um navio desse tipo faz de fato
A função principal não é atirar. Um navio dessa classe funciona como base flutuante que leva gente, veículo e carga pesada até onde não há porto, estrada nem pista de pouso — e consegue desembarcar tudo isso perto da costa ou de um rio.
Na prática, a lista de tarefas informada pelo Ministério da Defesa inclui:
- defesa do território, transportando tropa e material para o ponto onde forem necessários;
- abastecimento de outros navios, o que estende o tempo que uma força consegue ficar no mar sem voltar ao porto;
- operações fluviais, em rios onde o acesso por terra é limitado;
- assistência a comunidades ribeirinhas, com transporte simultâneo de hospitais de campanha, ambulâncias, medicamentos e alimentos.
É por isso que a mesma embarcação aparece em cenário de guerra e em socorro a desastre. O que ela oferece é espaço interno e capacidade de descarregar sem depender de estrutura em terra — exatamente o que falta quando uma enchente isola uma cidade ou quando uma comunidade de rio fica sem atendimento de saúde.
O que significam 18 mil toneladas, 34 km/h e 290 tripulantes
Os números do NDM Oiapoque dizem mais do que parecem:
- 18 mil toneladas é o deslocamento, isto é, o peso da água que o navio empurra quando está flutuando. Não é o peso da carga, e sim a medida usada para comparar o porte de embarcações militares. Com esse valor, o Oiapoque será o segundo maior da Esquadra, atrás apenas do NAM Atlântico.
- 176 metros de comprimento é o que abre espaço para carros de combate, viaturas blindadas e duas aeronaves de grande porte a bordo ao mesmo tempo.
- 34 km/h é a velocidade máxima. Parece pouco perto de um carro, mas mover 18 mil toneladas a essa velocidade exige potência muito maior que a de um navio pequeno — e é esse ritmo que define em quantos dias a carga chega ao destino.
- 290 militares formam a tripulação, a equipe que opera o navio. Os 700 combatentes são passageiros: a tropa transportada, que desembarca no destino.
O que a revitalização troca e por quanto tempo
A modernização não é pintura. Segundo o Ministério da Defesa, o serviço mexe nos sistemas de comando, controle, comunicações, propulsão e geração de energia — respectivamente, o que permite ao comandante enxergar a situação e dar ordens, o que mantém o navio em contato com terra e com outras embarcações, o que o faz andar e o que alimenta tudo isso de eletricidade.
De acordo com o Capitão de Fragata Antonio de Barcellos Neto, futuro comandante, as melhorias garantem pelo menos vinte anos adicionais de operação segura. É esse o cálculo por trás da compra de um navio já usado em vez de um novo: entrega em prazo mais curto, com duas décadas de vida útil pela frente.
Em paralelo às obras, militares brasileiros passam por treinamento conduzido pela Royal Navy britânica. A tripulação precisa aprender a operar sistemas que não existem em nenhum outro navio da frota antes de a embarcação zarpar.
O quinto navio a levar o nome Oiapoque
O nome não é novo na Marinha. Esta é a quinta embarcação a receber a designação Oiapoque, dentro da praxe de batizar navios com referências geográficas do país. Na prática, o nome funciona como registro: a numeração permite acompanhar a sucessão de embarcações que cumpriram funções parecidas ao longo das décadas.
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