
Em menos de uma hora na tarde de quarta-feira, São Paulo recebeu o volume de chuva esperado para 11 dias do mês. O resultado foi o caos: túneis submersos, parques alagados, terminais de ônibus inundados. Além disso, houve congestionamentos quilométricos, transtornos no transporte público e a morte de uma pessoa na Brasilândia. A cidade mostrou, de forma inequívoca, que não estava preparada.
A Prefeitura de São Paulo classificou o evento como “inesperada”. Essa justificativa não se sustenta. A meteorologia já sinalizava precipitações intensas para aquele dia e para os seguintes. Atualmente, em tempos de mudanças climáticas, chuvas extremas não são exceção — são o novo normal. Alegar surpresa diante de um fenômeno anunciado é, no mínimo, irresponsável.
Falhas que colocaram vidas em risco em São Paulo
A poucos passos da Prefeitura, o túnel do Vale do Anhangabaú submergia. Enquanto isso, o prefeito Ricardo Nunes monitorava a situação em telões. A administração municipal afirmou que as bombas instaladas no local funcionaram sem problemas. Se isso é verdade, esses equipamentos se mostraram claramente insuficientes: carros e ônibus foram engolidos pela água em minutos.
Há perguntas que precisam ser respondidas. Por que apenas um dos sentidos do túnel foi fechado? Por que levou quase 30 minutos para caminhões com bombas chegarem ao local? Decisões equivocadas podem ter colocado em risco a segurança de quem estava no túnel. Não é aceitável que a gestão da crise tenha sido tão lenta diante de um cenário tão grave.
Uma metrópole vulnerável e sem plano de contingência
A chuva escancarou vulnerabilidades estruturais da maior metrópole do País. O sistema de drenagem mostrou-se incapaz de escoar a água e evitar enchentes. O trânsito travou em artérias como a Avenida 23 de Maio. Além disso, o Terminal Bandeira teve seu funcionamento comprometido. A cidade inteira parou.
São Paulo precisa de um plano de contingência robusto para eventos climáticos extremos. Esse plano deve incluir revisão do sistema de drenagem, bem como atualização dos protocolos de interdição de vias e medidas concretas de adaptação climática. Os protocolos atuais, se foram seguidos, provaram que não funcionam. É preciso corrigi-los com urgência.
Os gestores públicos não podem mais se esconder atrás da imprevisibilidade do clima. Os paulistanos não podem ser surpreendidos pelo caos. Cabe ao poder público assumir a liderança na construção de uma cidade mais resiliente.
Artigo de opinião.
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