Ensaio clínico para Alzheimer testa dois remédios reaproveitados

ensaio clínico para Alzheimer
Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels.

Um ensaio clínico para Alzheimer foi lançado no Reino Unido com o objetivo de acelerar a busca por novos tratamentos para a doença. O estudo, chamado AD-SMART, vai testar simultaneamente múltiplos medicamentos já aprovados para outras condições, comparando os resultados com um grupo que recebe placebo.

A iniciativa começa com 2 remédios reaproveitados: a metformina, usada no tratamento do diabetes tipo 2, e a atomoxetina, indicada para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ambos podem ajudar a reduzir a inflamação cerebral, um dos fatores que impulsionam a neurodegeneração.

Como o ensaio clínico para Alzheimer vai funcionar

O estudo vai recrutar 1.200 participantes com Alzheimer de leve a moderado em mais de 30 locais no Reino Unido. Unidades em Cambridgeshire, Surrey, Londres, Southampton e Edimburgo já estão em operação.

O formato do AD-SMART permite adicionar novos tratamentos ao longo do tempo e descartar rapidamente os que não apresentam benefício. Essa abordagem, já utilizada com sucesso em pesquisas sobre câncer, pode encurtar em anos o processo tradicional de avaliação.

O investigador principal, Prof. Paresh Malhotra, do UK Dementia Research Institute Centre for Care Research & Technology no Imperial College London, afirmou que a pesquisa sobre Alzheimer avançou durante muito tempo no ritmo de um medicamento, um ensaio e uma resposta — às vezes levando uma década ou mais. Segundo ele, o estudo aplica avanços obtidos em outras doenças para acelerar os testes.

Pacientes e famílias na linha de frente da pesquisa

A primeira participante do ensaio é uma mulher de 67 anos de Cambridgeshire, diagnosticada com Alzheimer em janeiro.

O marido dela, parceiro no estudo, disse que participar do ensaio os tirou do desespero gerado por um diagnóstico que todos reconhecem como irreversível.

O Alzheimer é o tipo mais comum de demência e afeta cerca de 600.000 pessoas no Reino Unido. A diretora de pesquisa da Alzheimer’s Research UK destacou que o tempo é precioso para quem vive com a doença e que mais opções de tratamento são urgentemente necessárias.

Os cientistas esperam concluir a avaliação dos primeiros medicamentos em 2030. Pessoas com diagnóstico confirmado de Alzheimer podem registrar interesse de participação pelo site oficial do AD-SMART.

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Sobre Ary Ribeiro

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