
Amostras de esgoto indicam que o consumo de cocaína no Reino Unido subiu 26% entre 2021 e 2025. Ao mesmo tempo, pesquisas de crime apontam queda ou estabilidade no número de pessoas que admitem usar a droga. A contradição sugere que um grupo menor de usuários consome a substância com mais frequência — e enfrenta riscos crescentes à medida que envelhece.
O Home Office estimou que pessoas na Inglaterra consumiram 123 mil quilos de cocaína em 2024-25. Esse volume equivale a cerca de 2,5 bilhões de linhas, com valor de mercado estimado em £ 9,8 bilhões por ano.
Cocaína no Reino Unido teve preços que caíram e voltaram a subir
A National Crime Agency informou ao Guardian que os preços no atacado caíram a níveis historicamente baixos em 2025. No entanto, sinais de alta surgiram em 2026. Conforme Josh Torrance, especialista em mercados de drogas, o preço subiu de cerca de £ 700 para £ 1.000 entre setembro de 2025 e julho de 2026, com leve recuo a £ 950 em setembro. Torrance afirmou nunca ter visto aumento tão rápido no preço da cocaína em tão pouco tempo.
A cocaína vendida como “pura” costuma ter entre 70 e 80% de pureza. De acordo com Torrance, preço menor impulsiona o consumo e, combinado com alta pureza, resulta em mais mortes.
Usuários envelhecem e mortes batem recorde
Em 2024-25, 33.612 pessoas iniciaram tratamento para problemas com cocaína na Inglaterra — alta de 57% em relação a 2019-20. Atualmente, os usuários na faixa dos 30 anos formam o maior grupo em busca de ajuda, enquanto dez anos antes eram os de 20 anos. Torrance descreve essa dinâmica: um grupo de usuários de cocaína envelheceu e continua usando a droga.
As mortes ligadas à cocaína atingiram níveis recordes. Mais da metade dos óbitos registrados no último ano envolveu pessoas acima de 40 anos. Overdoses agudas frequentemente estão associadas a problemas cardíacos, além dos efeitos do uso prolongado.
Crimes violentos ligados à droga aumentam
Dados coletados pelo Guardian em 39 forças policiais mostram alta de 10% nos crimes com menção à cocaína desde 2019. Em 2025, foram quase 30.000 registros. Desses, 18% envolviam crimes violentos e 4% eram crimes sexuais, incluindo 344 casos de estupro.
Torrance aponta a ausência de investimento em prevenção como explicação para a escalada de mortes na última década. Educação precoce e acesso a serviços de saúde para grupos de risco poderiam reduzir os danos nas próximas décadas, conforme o especialista.
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