Escola leva jogos educativos a unidade prisional de Cachoeiro

Jogos educativos em unidade prisional marcaram o Dia do Estudante no Centro de Detenção Provisória de Cachoeiro de Itapemirim. A atividade foi realizada pela Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Professora Inah Werneck, na quadra da unidade, e já aconteceu: o material divulgado pela Sedu situa os jogos na semana anterior à publicação, de 14 de agosto de 2024, sem informar o dia exato.

Vale separar três coisas que o título da divulgação junta. Onde ocorreu: na quadra da unidade, em Cachoeiro de Itapemirim. Quem informou: a Sedu, de quem partiu o material. De onde veio alguma decisão: de lugar nenhum — não há decisão judicial, operação, investigação ou ocorrência de segurança no relato. Apesar de o nome da unidade prisional abrir a frase, o fato aqui é escolar.

O que os jogos educativos em unidade prisional envolveram

O material descreve as atividades por categorias, não por nome. Cita jogos populares, jogos cooperativos e jogos estratégicos com atividade física, além de dinâmicas voltadas ao raciocínio lógico e à criatividade. Nenhum jogo é identificado individualmente e não há descrição de como a quadra foi organizada, quanto tempo durou a programação ou quantas pessoas participaram.

Também não é dito se a escola atua de forma permanente dentro da unidade ou se a ação foi pontual, de data comemorativa. Atividades escolares com estudantes internos no mesmo município voltaram a ser registradas meses depois, em episódio distinto deste, quando estudantes internos de Cachoeiro de Itapemirim cultivaram uma horta — outra atividade, outro momento, sem relação declarada com esta.

O que a professora afirma ter sido trabalhado

A única fala do material é da professora Michelle Aparecida, e ela vem antes de qualquer avaliação de resultado. Ao falar dos jogos lúdicos e de cooperação, ela descreve o que a atividade se propôs a exercitar:

Eles oferecem um ambiente seguro e estruturado, no qual os internos podem praticar e aperfeiçoar competências fundamentais para a vida em sociedade. Por meio desses jogos, trabalhamos valores como respeito, empatia, colaboração e a resolução pacífica de conflitos.

A avaliação é da professora Michelle Aparecida. O trecho de fala que a divulgação publica em seguida está costurado com a narração de quem escreveu o texto — começa com um verbo que descreve a professora, e não com o que ela teria dito —, e por isso não é reproduzido aqui como declaração.

Os resultados aparecem sem dizer como foram medidos

Boa parte do material não descreve o que aconteceu, e sim o que a atividade teria produzido. O texto afirma que os jogos reforçaram conteúdos acadêmicos, despertaram maior interesse e motivação pelos estudos, promoveram habilidades sociais e contribuíram para o bem-estar dos alunos.

São afirmações do próprio material, e ele não informa como esses efeitos foram medidos, por quem, em que período ou com base em qual avaliação. Não há nota, frequência, número de participantes nem qualquer indicador. Vale ler essa parte como o balanço que a escola e a pasta fazem dos jogos educativos em unidade prisional, e não como resultado verificado.

O que o nome da unidade diz, e o que a matéria não afirma

A unidade citada é um Centro de Detenção Provisória. O material não explica o que a designação significa na prática, não informa a situação processual de nenhum participante e não diz se alguém ali já foi julgado. Nada no texto permite concluir que os estudantes citados tenham condenação.

Nenhuma pessoa em custódia é identificada na divulgação — nem por nome, nem por apelido, nem por rótulo — e aqui também não será. O material alterna dois termos para o mesmo grupo, alunos e internos, sem descrever ninguém individualmente. Regras de cumprimento de pena, capacidade da unidade ou efeito do estudo sobre a situação de cada pessoa não são tratados no material e, por isso, não são afirmados nesta matéria.

O que o material da Sedu não informa

As lacunas do relato oficial sobre os jogos educativos em unidade prisional dizem tanto quanto o que ele conta, e nenhuma delas é preenchida aqui por suposição:

  • Quantas pessoas participaram dos jogos, e quantas estudam na unidade.
  • A data exata da atividade — o texto diz apenas que foi na semana anterior à divulgação.
  • Quanto tempo durou a programação e se houve mais de um dia.
  • Quem executou além da escola: se houve apoio de outros profissionais, servidores da unidade ou parceiros.
  • Se a escola funciona ali de forma contínua, com turmas e matrícula regulares, ou se atendeu apenas à data comemorativa.
  • Como se matricular ou como familiares obtêm informação sobre a oferta escolar na unidade. Não há canal de atendimento ao leitor no material, e nenhum é inventado aqui.

Por que este relato traz um lado só

Todo o conteúdo parte de quem organizou a atividade. Não há na divulgação a versão de quem participou, de familiares, da defesa de nenhum dos estudantes nem de órgão de assistência jurídica. Também não há avaliação independente sobre a oferta de ensino dentro da unidade.

Isso não significa que haja divergência escondida — significa apenas que ausência de crítica no material não é o mesmo que consenso. É o registro de uma atividade feito por quem a realizou, e é assim que ele deve ser lido.

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