Festival Parque Aberto 2024: a edição de 15/09 já passou

Atenção à data: a programação descrita nesta página é de setembro de 2024. O Festival Parque Aberto 2024 aqui anunciado ocorreu no domingo, 15/09/2024, e o que segue é registro — não é convocação nem agenda. O comunicado oficial que deu origem a este texto foi divulgado em 10 de setembro de 2024, cinco dias antes, para informar a estreia do Coral ArcelorMittal no Parque Cultural Casa do Governador, na Praia da Costa, em Vila Velha, com início às 9 horas.

A busca que traz alguém até aqui, dois anos depois, raramente é pela atração daquele domingo. Costuma ser pelo endereço, pelo preço, pela regra da portaria: coisas que o aviso respondeu de passagem e que sobreviveram ao calendário. Abaixo, o serviço daquele dia item a item, o que o comunicado descreve como norma do parque e a relação do que ele nunca informou.

Das 9 às 13 horas: o serviço que o aviso publicou

  • O quê: apresentação de um coral dentro do Festival Parque Aberto. Pelo comunicado, era a primeira vez do grupo no festival.
  • Onde: Parque Cultural Casa do Governador, Rua Santa Luzia, Praia da Costa, Vila Velha.
  • Que dia: domingo, 15/09/2024.
  • Que horas: o evento começava às 9 horas; a entrada era permitida até as 12 horas e a permanência ia até as 13 horas, quando encerrava. A hora em que o coral cantaria não aparece no comunicado.
  • Quanto custava: nada. Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso.
  • Precisava de ingresso: sim. Eram 2.500 ingressos gratuitos, liberados ao meio-dia de terça-feira, 10 de setembro, na plataforma Sympla, com conta cadastrada na plataforma e limite de duas unidades por CPF.
  • Quem podia ir: o aviso não fixa classificação etária. Informa que crianças com menos de 12 anos não precisavam de ingresso, e repete o dado duas vezes: na abertura e na lista de regras.
  • Como chegar: pelo endereço acima. Não há estacionamento dentro do parque; o comunicado indica a garagem do Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes), nas proximidades, como opção gratuita para quem fosse de carro. Linha de ônibus, ponto de embarque e condições de acessibilidade do trajeto não são mencionados.

O endereço dos 2.500 ingressos mudou de lugar e continua abrindo

O aviso trazia um link para a retirada dos ingressos, e ele foi conferido para este texto. O endereço original responde com redirecionamento e desemboca, dentro do mesmo sistema de vendas, numa página que segue no ar: a página do evento de 15 de setembro na plataforma Sympla abre normalmente. Ou seja: o endereço não quebrou nem sumiu — mudou de caminho e continua funcionando. Quem clicar hoje não encontra erro, encontra a ficha da edição encerrada, com a distribuição das 2.500 entradas fechada desde 2024. São situações diferentes, e vale dizer qual é qual: endereço morto se avisa, endereço vivo apontado por um aviso vencido se explica.

Festival Parque Aberto 2024: o nome do programa não descreve o dia

Parque Aberto é o nome de um programa, e nome de programa não conta o que acontecia entre as 9 e as 13 horas. O comunicado descreve uma única atração, o coral, e não cita nenhuma outra. Não informa se havia oficina, visita mediada, feira, curadoria ou atividade paralela, não descreve a duração da apresentação e não diz quantas pessoas o parque comportaria naquele formato. Este texto não acrescenta atração que o material não listou: o que existe é uma atração declarada e silêncio sobre o resto do dia.

O que o aviso descreve, isso sim, é o modo de estar ali: público acomodado na área externa, com a recomendação de levar cadeiras ou cangas, e food trucks vendendo comida e bebida no local.

Um coral mantido por empresa privada dentro de um equipamento público

O grupo que se apresentou carrega uma marca privada no próprio nome, e o comunicado explica a razão. O projeto do Coral ArcelorMittal é realizado pela MM Projetos Culturais em parceria com a Secretaria da Cultura (Secult) e tem patrocínio da ArcelorMittal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC). O arranjo, portanto, está declarado: um espaço público administrado pelo Estado recebeu, em programação gratuita e aberta, um grupo custeado por patrocínio empresarial dentro de um mecanismo estadual de incentivo.

Declarar o arranjo não é o mesmo que abrir a conta, e a conta o material não abre. Ele não informa o valor do patrocínio, não descreve contrapartida, não diz por quanto tempo o apoio vale e não explica em que consiste a LICC — quem autoriza, com base em que critério e qual parcela do custo deixa de ser arrecadada pelo poder público para virar projeto cultural. Também não diz se a apresentação no parque integrava o projeto patrocinado ou se foi contratação separada, nem se houve pagamento por ela.

Há ainda uma distinção que o comunicado embaralha e o leitor precisa: uma coisa é quem mantém o coral, outra é quem organiza o festival. Sobre o segundo ponto o material só registra que a infraestrutura do parque é compartilhada pela Secult e pela Secretaria do Governo (SEG) e que o evento contou com o apoio da Prefeitura de Vila Velha — sem dizer em que consistiu esse apoio, se envolveu recurso, cessão de equipe ou serviço. Nenhum outro patrocinador ou marca é citado no aviso.

Sobre o grupo, o comunicado informa 38 anos de história e 55 coralistas, e o apresenta como o coral em atividade mais antigo do Estado do Espírito Santo — afirmação do próprio material, que não indica a base de comparação. Dois maestros dividem a regência: Adolfo Alves, que esteve na fundação do grupo, e Ângela Volpato, incorporada à direção musical em data que o texto não especifica. O repertório descrito reúne Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, Hallelujah, de Leonard Cohen, e as Três Toadas de Congo, entre as músicas tradicionais capixabas.

Do biquíni ao cão na coleira: o que era proibido e o que era permitido

A lista abaixo é reproduzida como o comunicado a publicou, porque é serviço e parafrasear serviço estraga serviço. Ela valia para o evento no Parque Cultural Casa do Governador:

  • não há estacionamento no parque; quem fosse de carro podia estacionar gratuitamente na garagem do Crefes, próximo ao parque;
  • crianças com menos de 12 anos não precisavam de ingresso;
  • a entrada no parque era permitida até as 12 horas;
  • a permanência ia até as 13 horas, encerramento do evento;
  • o local disponibilizaria food trucks com comidas e bebidas para venda;
  • era proibido retirar plantas do parque;
  • era proibido fumar no local;
  • era proibido entrar com bebidas alcoólicas;
  • não era permitido usar a área da praia;
  • era permitido entrar com cães, desde que na coleira;
  • era permitido entrar com bicicleta, mas não pedalar dentro do parque;
  • não era permitido entrar de biquíni e sunga de praia.

Regra de evento não é necessariamente regra de visita comum, e o comunicado de 2024 não distingue as duas situações. Para quem pensa em ir ao parque hoje, um roteiro escrito depois cobre parte disso: em julho de 2025 o parque teve seu funcionamento e suas condições de visita descritos em detalhe, quase um ano depois deste aviso.

93 mil metros quadrados e 26 obras: o parque como ele era descrito em 2024

O parque ocupa a área da Residência Oficial do Governo do Estado e abriu em maio de 2022, endereçado, pelo texto oficial, a quem se interessa pelo que se produz de arte no próprio Estado. São 93 mil metros quadrados de área, com infraestrutura mantida em conjunto pela Secult e pela SEG, abertos à visitação gratuita e organizados, segundo o material, em três eixos temáticos: ambiental, histórico e artístico. O comunicado o chama de maior galeria de arte ao ar livre do Espírito Santo, e essa é uma avaliação do texto oficial, não uma medição apresentada nele.

O acervo declarado é de 26 obras permanentes e temporárias, entre esculturas, instalações e site-specifics. O número 26 aparece duas vezes no comunicado — uma no trecho sobre as produções instaladas na área externa, outra na descrição geral do parque — e nas duas se refere ao mesmo conjunto, não a dois. Assinam essas peças 17 artistas, com origens no Espírito Santo, em Minas Gerais, em São Paulo e no Paraná. Todas saíram de um edital de 2023, aberto para escolher propostas artísticas que iriam compor tanto a mostra fixa quanto as rotativas.

Esses números retratam o parque em setembro de 2024. Um comunicado de divulgação não é inventário, e nada nele permite dizer como está o acervo hoje.

As aspas do comunicado cercam músicas, não falas

Ninguém é citado no material de origem: a secretaria não fala, a produção não fala, os maestros não falam e quem cantou também não. As aspas que aparecem no texto original estão em volta de títulos de canção, e título de canção não tem falante. Daí a ausência de bloco de citação nesta página — não há declaração a restituir, e converter nome de música em fala inventaria um autor.

Isso limita o que o texto pode sustentar. Trata-se de peça de divulgação assinada por quem organiza e publicada antes do domingo: nenhuma avaliação vinda de fora, nenhuma contagem de comparecimento, nenhum relato do que ocorreu. Agenda descreve o que estava marcado; marcado e realizado são coisas diferentes, e o comunicado só alcança a primeira.

Da hora do coral ao valor do patrocínio: o que o aviso não respondeu

  • A que horas o coral se apresentaria dentro da janela das 9 às 13 horas, e por quanto tempo.
  • Se havia outras atrações, oficinas ou atividades no mesmo domingo.
  • O que aconteceria em caso de chuva, e se havia área coberta.
  • Se uma pessoa com deficiência conseguiria percorrer os 93 mil metros quadrados: o aviso não descreve terreno, trajeto, sanitário adaptado nem recurso de acessibilidade de qualquer natureza.
  • Como chegar sem carro. O aviso resolve o estacionamento e ignora ônibus, ponto de embarque e caminhada até a Rua Santa Luzia. Também não diz quantas vagas caberiam na garagem do Crefes.
  • O que fazer sem ingresso na mão: se havia lista de espera, se restariam entradas na portaria, se bastava chegar.
  • Quantos dos 2.500 ingressos saíram e quanta gente apareceu — número que só nasceria depois do domingo e nunca foi acrescentado à página.
  • Valor do patrocínio, contrapartida do projeto e funcionamento da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba.
  • Em que consistiu o apoio da Prefeitura de Vila Velha.
  • Onde confirmar qualquer uma dessas coisas. O comunicado divulga o endereço da bilheteria eletrônica e nenhum canal do próprio parque — nada de linha telefônica, correio eletrônico, endereço na internet ou página de rede social.

Depois de 15 de setembro, o comunicado não marca nenhuma data

O aviso termina no serviço daquele domingo e não menciona data posterior nenhuma. Ficar em branco sobre o assunto é diferente de descartá-lo: o material em nenhum momento afirma que o festival se encerraria ali. O que se sabe é que o formato teve continuidade — houve outra edição do mesmo festival em junho de 2025, também encerrada, e o parque chegou a divulgar uma agenda própria de atividades para o ano de 2025. Os dois registros são posteriores a este texto e não integravam o que foi anunciado em 10 de setembro de 2024.

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