Projeto Deam’s Itinerante vence o prêmio Farol do Bem

O Projeto Deam’s Itinerante, que leva atendimento especializado a mulheres que vivem no interior do Espírito Santo, ficou em 1º lugar na categoria Ação Social – Entidades Estatais do concurso de projetos Farol do Bem. O resultado saiu na noite de quinta-feira (28). A iniciativa é da Seção de Projetos Educacionais e Prevenção da Violência, ligada à Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Mulher) da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), e o concurso é promovido pelo Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo (Sindifer).

O que está decidido é o resultado do concurso, e só ele. O material divulgado não traz calendário de visitas, não diz quais municípios já receberam a equipe nem quais receberão, e não informa se o projeto tem continuidade garantida. Prêmio não é agenda: a partir do que foi publicado, nenhuma mulher do interior consegue descobrir quando o atendimento chega à cidade dela.

O que o Projeto Deam’s Itinerante faz na prática

A lógica declarada é de descentralização. Em vez de a mulher se deslocar até a unidade especializada mais próxima — o que, no interior, costuma significar viagem, custo e um dia de trabalho perdido —, a equipe vai até o município. Segundo a descrição oficial, o trabalho se divide em três frentes:

  • Atendimento — atendimentos especializados a mulheres nos municípios visitados, voltados a quem vive situação de violência doméstica e familiar;
  • Prevenção e formação — palestras educativas, capacitações e orientação sobre os direitos que a mulher tem;
  • Articulação local — apoio prestado junto com quem já atua no município, na assistência social e na segurança pública.

Uma ressalva de leitura, porque a diferença é grande para quem vai buscar ajuda: o material não afirma que a equipe registra ocorrência, instaura investigação ou providencia medida protetiva durante a visita. O que o texto oficial sustenta é atendimento, orientação e articulação com a rede local. Onde começa e onde termina cada uma dessas etapas, a divulgação não explica — e essa é a informação que faria a diferença no balcão.

Quem concede o Farol do Bem, e o que o prêmio mede

Quem promove o concurso é uma entidade de representação de trabalhadores, o Sindifer. Não é órgão de controle, não é instituição de pesquisa e não é auditoria de resultado: é a escolha de um promotor externo entre projetos inscritos. Isso não diminui a distinção, mas delimita o que ela significa — reconhecimento de terceiro, não medição de eficácia.

O critério publicado é de propósito, não de método. O material diz que a premiação reconhece iniciativas que fazem diferença no Estado, com foco em impacto social positivo e em mudança sustentável, e não apresenta indicador, meta, nota ou etapa de avaliação. Foram contempladas três categorias — meio ambiente, educação e ação social —, e a vitória da DIV-Mulher se deu no recorte reservado a entidades estatais, o que indica que os concorrentes diretos eram outros órgãos públicos. Quantos concorreram, quem os julgou e quais projetos ficaram nas colocações seguintes, o material não informa.

Vale registrar também de onde vem a informação: a divulgação partiu da própria instituição premiada. É o padrão em prêmio institucional e não invalida nada, mas explica por que o texto original traz a conquista sem qualquer dado de comparação.

A avaliação de quem idealizou o projeto

Esse prêmio é o reconhecimento de um trabalho coletivo desenvolvido por profissionais maravilhosos, comprometidos com mudanças sociais e a luta por uma sociedade sem violência contra as mulheres. Gratidão a todos os policiais civis e militares envolvidos, bem como aos municípios parceiros que recebem nossas ações de forma integrada

A declaração é da delegada Cláudia Dematté, chefe da DIV-Mulher e idealizadora do projeto. É a única fala do material — não há manifestação de quem concedeu o prêmio, de município parceiro nem de quem foi atendido.

O que a divulgação não informa

A lista de ausências é longa, e cada item dela é o que separaria a notícia de um comunicado:

  • quantos projetos disputaram a categoria, quem formou a comissão julgadora e como se avaliou cada inscrição;
  • em que edição do concurso o resultado se deu e se a premiação é anual;
  • se houve premiação em dinheiro e, havendo, o que muda na operação do projeto;
  • quantos municípios já receberam a equipe, quais são eles e quantas mulheres foram atendidas até aqui;
  • desde quando o projeto funciona e com que frequência as visitas acontecem;
  • como uma prefeitura ou uma rede local solicita a visita da equipe, e a quem se dirige o pedido;
  • o que significa a sigla Deam, que dá nome ao projeto e é usada sem explicação no texto oficial.

Sem número de concorrentes e sem critério de avaliação publicado, o primeiro lugar é um fato — houve a escolha, houve o anúncio —, mas não é um dado verificável sobre a qualidade do serviço. Quem quiser medir o projeto pelo que ele entrega precisa de outra informação, e ela não foi divulgada.

Os canais que atendem todos os dias

O comunicado original terminava com telefones de comunicação institucional, que servem à imprensa e não a quem precisa de socorro. Os números que atendem o cidadão são estes, gratuitos e disponíveis a qualquer hora:

  • 190 — emergência policial, para agressão em curso ou risco imediato;
  • 180 — central de atendimento à mulher, para orientação sobre direitos, denúncia e encaminhamento à rede de proteção;
  • 181 — disque-denúncia, para informar com sigilo, inclusive quando quem chama é vizinho ou parente.

Esses três canais funcionam independentemente de o Projeto Deam’s Itinerante ter passado ou não pelo município, e não exigem que a mulher se desloque para pedir ajuda.

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