Escolas da rede ganham guia de linguagem inclusiva da Sedu — Direto Notícias

Escolas da rede ganham guia de linguagem inclusiva da Sedu

A Secretaria da Educação (Sedu) lançou o Guia de Letramento Inclusivo, material que orienta professores e equipes das escolas da rede estadual sobre a linguagem e as práticas pedagógicas usadas no contato com estudantes com deficiência. O documento foi produzido pela gerência da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e está disponível em PDF, de graça, no site da própria Sedu.

A proposta central é simples de enunciar e trabalhosa de aplicar: garantir que todo estudante tenha acesso à aprendizagem sem barreiras, incluindo as barreiras que ninguém vê porque estão no vocabulário do dia a dia. O guia trata de palavras, de postura e de recursos de sala de aula, e vale para as escolas estaduais de toda a rede.

O guia nasceu de um edital aberto aos professores da rede

O material não foi escrito em gabinete. Ele é o resultado de um chamamento feito seis meses antes: em agosto de 2024, a Sedu publicou o edital do Guia de Letramento Inclusivo, convocando professores da rede a enviar suas práticas pedagógicas para compor a publicação. Um edital, nesse caso, funciona como uma convocação pública com regras e prazo — quem quisesse contribuir precisava inscrever a experiência e passar por seleção. Na prática, boa parte do que o guia recomenda saiu do que já vinha sendo feito nas salas de aula da rede.

A troca de termo que o material pede logo na abertura

A recomendação de linguagem mais direta do guia é a substituição de expressões que reduzem alguém à sua condição. Em vez de “deficiente”, a orientação é usar “pessoa com deficiência”: a pessoa vem antes, a condição vem depois. A lógica se repete em outras construções — o guia pede termos que respeitem a identidade e a individualidade e que evitem preconceitos e estereótipos, no lugar de expressões que a rotina escolar naturalizou.

Esse cuidado com a palavra tem nome técnico dentro do documento: combate ao capacitismo, que é a discriminação contra pessoas com deficiência. Segundo a gerente da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, Giovanne Berger, o guia é um instrumento para enfrentar justamente as barreiras atitudinais — aquelas que não estão na rampa ou no material didático, mas no comportamento de quem convive com o estudante.

“Uma escola anticapacitista não exclui, invisibiliza ou inviabiliza nenhuma pessoa ou grupo. O letramento inclusivo convida à reflexão e à mudança de práticas para um ambiente verdadeiramente acessível a todos”, enfatizou.

O que o guia recomenda para a sala de aula

Além da linguagem, o documento reúne estratégias de comunicação e de ensino que as escolas podem adotar. Entre as recomendações apresentadas por Giovanne Berger estão:

  • Uso de termos adequados na comunicação com estudantes, famílias e servidores;
  • Acessibilidade comunicativa, para que avisos, aulas e materiais cheguem a todos;
  • Metodologias pedagógicas adaptadas à diversidade dos estudantes;
  • Recursos acessíveis, como materiais em Braille, softwares de leitura de tela e o uso de Libras.

Libras é a língua de sinais usada pelas comunidades surdas; o Braille é o sistema de leitura e escrita em relevo usado por pessoas cegas; e os softwares de leitura de tela são programas que transformam em áudio o texto exibido no computador. São recursos já conhecidos das escolas, e o guia trata de como integrá-los à rotina em vez de deixá-los reservados a momentos pontuais.

Da recomendação ao cotidiano da escola

A gerente reforça que o material não se esgota na lista de termos: ele pede mudança de prática, com metodologias diversificadas e tecnologias assistivas — equipamentos e programas que ampliam a autonomia de quem tem alguma deficiência.

“A acessibilidade também passa pelo reconhecimento e valorização da diversidade no aprendizado. Para isso, o guia incentiva práticas pedagógicas que respeitem as necessidades individuais dos estudantes, utilizando metodologias diversificadas e tecnologias assistivas que garantam equidade no processo educacional. A inclusão vai além do discurso e precisa ser incorporada ao cotidiano escolar por meio de ações concretas”, frisou a servidora.

O guia se soma a outras frentes de formação que a Sedu vem abrindo para as equipes das escolas. Em agosto de 2024, por exemplo, a Secretaria abriu o curso de Formação em Letramento Racial, que segue a mesma lógica de qualificar o professor para lidar com a diversidade em sala. O Guia de Letramento Inclusivo pode ser baixado a qualquer momento no site da Sedu, em arquivo PDF.

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