Inteligência artificial aplicada ao controle do lixo, iniciativas de bem-estar animal, eficiência energética e uso mais consciente da água. Essas foram algumas das propostas apresentadas por estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Honório Fraga, em Colatina, durante o projeto “Urbanidade 4.0: Explorando as Cidades Inteligentes”, realizado entre 15 de março e 14 de abril. Em vez de tratar o assunto como um conceito distante, os alunos partiram de problemas que qualquer morador reconhece na própria rua.
As ideias que os estudantes colocaram na mesa
O miolo do projeto foram as soluções pensadas pelos próprios alunos. Entre as ideias desenvolvidas, destacam-se o uso da inteligência artificial no controle de resíduos sólidos, ações de incentivo à convivência, iniciativas voltadas ao bem-estar animal, além de soluções para a eficiência energética e o uso consciente da água.
São assuntos que cabem na rotina de qualquer prefeitura: coleta de lixo, conta de luz, desperdício de água e uso dos espaços públicos. É esse recorte que dá algum chão a uma expressão que costuma soar abstrata. Cidade inteligente, na definição corrente, é a cidade que usa tecnologia e dados para administrar melhor serviços como transporte, energia, saneamento e destino do lixo.
Um mês de pesquisa dentro e fora do horário de aula
Para a execução do projeto, além dos debates em sala de aula, os alunos participaram de pesquisas, rodas de conversa e atividades colaborativas no contraturno, ou seja, no período do dia em que normalmente não teriam aula. Durante esse período, investigaram os conceitos relacionados ao tema “Cidades Inteligentes” e discutiram alternativas para a melhoria da qualidade de vida nos centros urbanos.
Atividade prática fora do quadro-negro tem aparecido com frequência nas escolas do município. Doze dias antes, em 4 de abril, alunos de Colatina participaram de um experimento sensorial, e em 7 de março outra turma do município construiu modelos tridimensionais para estudar o conteúdo com as mãos. São escolas e turmas diferentes, mas o método se repete: tirar o aluno da posição de ouvinte.
Tecnologia, sustentabilidade e inclusão como ponto de partida
Segundo o professor de Geografia e coordenador da ação, José Augusto de Araújo Pires da Luz, o projeto desafiou os estudantes a repensarem os espaços urbanos com base em pilares como tecnologia, sustentabilidade e inclusão, transformando o ambiente escolar em um laboratório de ideias que conecta o conhecimento acadêmico aos desafios do cotidiano.
Para ele, discutir a cidade em sala de aula é também discutir como as decisões públicas são tomadas. “A Geografia contemporânea deve apresentar alternativas ao desenvolvimento urbano e sugerir políticas de transformação. Criamos novas formas de governança municipal quando estimulamos a efetiva participação dos cidadãos e a utilização conjunta de diferentes inteligências, humana e artificial”, afirmou Pires da Luz.
O pilar da inclusão também não é estreia em salas de aula da cidade. Em 30 de setembro de 2024, estudantes de Colatina discutiram diversidade racial em uma visita a museu virtual, em outra atividade que usou tecnologia para tratar de convivência.
O que ficou para quem participou
O estudante Christian Alifer destacou que participar da iniciativa foi uma oportunidade de enxergar a cidade com novos olhos. “O uso de tecnologias, associado ao conceito de urbanidade, facilita a criação de um espaço urbano acolhedor e inclusivo. Cidades inteligentes não se resumem aos aspectos tecnológicos, mas à junção da inteligência artificial, coletiva e humana”, relatou o jovem.
A proposta busca destacar a educação como elemento essencial para a formação de cidadãos conscientes e atuantes na transformação urbana, estimulando o pensamento crítico, o trabalho colaborativo e a conexão com temas atuais.
Projetos parecidos apareceram em outras escolas de Colatina
Poucos dias depois do encerramento do projeto na Honório Fraga, em 21 de abril, alunos da EJA em Colatina discutiram estrutura celular de forma prática. A EJA é a modalidade de Educação de Jovens e Adultos, voltada a quem não concluiu o ensino fundamental ou médio na idade regular. Antes disso, em 5 de dezembro de 2024, uma mostra escolar reuniu trabalhos de alunos de Colatina e mostrou o que sai desse tipo de projeto quando chega ao público.
A escola faz parte da rede estadual, e a divulgação do projeto foi feita pela Sedu.
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