Escola de Alegre promove palestra sobre Educação Étnico-Racial com foco na valorização das identidades e no combate ao racismo

Escola de Alegre debate educação antirracista com estudantes

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Professor Pedro Simão, no município de Alegre, reuniu na última terça-feira (27) os estudantes do 3º ano do curso técnico em Análises Clínicas para uma palestra sobre Educação Étnico-Racial. A atividade foi organizada pela professora de Língua Portuguesa Maria Aparecida Azevedo e teve como tema “Chega de Invisibilizar! Educação Antirracista é Dever! Não uma Escolha!”. Além da exposição principal, a programação incluiu relatos de convidadas e uma roda de conversa com a turma.

A palestra foi conduzida por Vanusia Azevedo Aguiar de Oliveira, mestra em Ensino, Educação Básica e Formação de Professores e professora de História. A escolha da turma não foi aleatória: são alunos em fase final de um curso técnico da área da saúde, que devem atender público em consultórios, laboratórios e unidades de atendimento depois de formados.

A base legal que sustenta o tema em sala de aula

Em sua exposição, Vanusia destacou o marco legal das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino da História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena no currículo escolar. É o ponto que costuma passar despercebido fora da escola: o assunto não depende de iniciativa isolada de um professor nem se resume a datas comemorativas.

A primeira delas inseriu na legislação educacional a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. A segunda ampliou essa exigência ao acrescentar a temática indígena. Na prática, a chamada Educação das Relações Étnico-Raciais não funciona como uma disciplina separada, com aula e nota próprias — ela atravessa os componentes curriculares já existentes, como Língua Portuguesa, História e as áreas técnicas, e é isso que explica uma palestra desse tipo dentro de um curso de Análises Clínicas.

A palestrante também abordou a valorização da diversidade étnico-racial como um valor pedagógico essencial e a urgência da adoção de práticas pedagógicas antirracistas na escola.

Da teoria ao que acontece dentro da escola

Com uma abordagem fundamentada nos saberes decoloniais, a convidada promoveu um debate sobre os processos históricos de invisibilização e marginalização de identidades afrodescendentes e indígenas. A discussão passou também pelo racismo estrutural e por suas implicações nas práticas escolares — o que inclui desde o conteúdo que entra no material didático até a forma como os estudantes são tratados no dia a dia.

Segundo o relato da atividade, os estudantes participaram amplamente e refletiram sobre o papel da escola e dos futuros profissionais da saúde na construção de uma sociedade mais inclusiva.

Três convidadas contaram as próprias trajetórias

A programação incluiu a participação de três convidadas negras, que compartilharam suas trajetórias de vida em um espaço de escuta e valorização das experiências pessoais enquanto formas de resistência e afirmação identitária. O formato tira o tema do plano abstrato: em vez de ouvir apenas conceitos, a turma ouviu histórias de pessoas que viveram as situações descritas.

Essa aproximação, informa a escola, permitiu aos estudantes compreender de forma concreta os impactos do racismo e o valor das narrativas que historicamente foram silenciadas. A atividade foi encerrada com uma roda de conversa entre os estudantes, a palestrante e as convidadas, promovendo a troca de saberes e o aprofundamento das reflexões sobre diversidade, representatividade e responsabilidade social.

O que a escola aponta como resultado

O resultado pedagógico da ação, na avaliação da escola, foi a ampliação do repertório crítico dos estudantes sobre as questões étnico-raciais, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a compreensão da Educação Étnico-Racial como um compromisso ético e político.

A estudante Érica de Oliveira Machado destacou a relevância da experiência: “Essa atividade foi muito importante para nós, porque nos fez refletir sobre coisas que, muitas vezes, passam despercebidas no nosso dia a dia. A presença das convidadas e a roda de conversa nos ajudaram a entender melhor o quanto a representatividade é fundamental e como o racismo, muitas vezes, acontece de forma velada. Saímos daqui mais conscientes, não só como estudantes, mas como futuros profissionais, sobre a responsabilidade que temos de combater o preconceito e valorizar a diversidade.”

Palestras com convidados externos não são novidade em Alegre

Atividades como essa, com especialistas de fora do quadro docente, aparecem com alguma regularidade na agenda escolar do município: em outubro de 2024, estudantes de Alegre participaram de uma palestra sobre perícia criminal, em uma área completamente diferente desta, mas com a mesma lógica de aproximar a sala de aula de quem atua no assunto.

No recorte étnico-racial, a pauta já vinha aparecendo na rede estadual antes desta palestra. No fim de 2024, o tema chegou aos alunos por outro caminho, o dos próprios registros escolares, quando estudantes da rede estadual passaram a poder realizar a autodeclaração étnico-racial — um dado que ajuda a rede a enxergar quem são seus alunos. Para quem acompanha a escola em Alegre, a palestra da EEEFM Professor Pedro Simão é a versão local e presencial dessa mesma discussão.

As informações são da Sedu.

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