Quem parou de estudar e quer voltar a estudar na rede estadual do Espírito Santo tem uma porta que fica aberta o ano inteiro — e ela não é a barraca de rua que circulou pelos terminais da Grande Vitória. A campanha Chamadão da EJA, da Secretaria da Educação (Sedu), esteve no Terminal de Laranjeiras, na Serra, na sexta-feira, 25 de julho de 2025, das 13h às 16h, e ali fechou o roteiro daquela semana. Essa etapa já terminou. Para quem procura matrícula na EJA na Serra ou em qualquer outro município capixaba, o caminho que continua de pé é o permanente: procurar uma escola da rede estadual que ofereça a Educação de Jovens e Adultos (EJA), levando os documentos que a rede pede.
O mutirão nos terminais já acabou — e nunca foi o único caminho
A mobilização começou na segunda-feira, 21 de julho de 2025, e escolheu pontos de grande fluxo de trabalhadores: os terminais rodoviários de Jardim América, em Cariacica; de Vila Velha; e de Carapina, na Serra, antes de chegar a Laranjeiras. A ideia era abordar quem passa. Antes dos terminais, as equipes já tinham feito plantões tira-dúvidas e panfletagem em escolas e em pontos de circulação de Vitória.
Pela contagem apresentada pela gerente de Educação de Jovens e Adultos da Sedu, Mariane Berger, as equipes já tinham conversado com mais de duas mil pessoas só nos pontos de embarque até aquele momento.
“Nosso objetivo é estar onde as pessoas estão, facilitando o acesso às informações sobre a EJA e mostrando que é possível retomar os estudos em qualquer fase da vida”
A avaliação é da gerente de Educação de Jovens e Adultos da Sedu, Mariane Berger.
Mais de um ano depois daquela sexta-feira, quem chega ao Terminal de Laranjeiras não encontra mais o ponto de atendimento da campanha. Vale entender a diferença entre as duas coisas: a ação de rua era divulgação, com data e hora marcadas; a matrícula é feita na escola e não depende de campanha nenhuma. O material da Sedu não anuncia nova edição do Chamadão nem informa se as equipes voltariam a outros terminais depois de julho de 2025.
Quem pode se matricular: 15 anos para o fundamental, 18 para o médio
A EJA atende jovens, pessoas adultas e pessoas idosas que não concluíram o ensino fundamental ou o ensino médio na idade prevista para cada etapa. Não há idade máxima. As idades mínimas são estas:
- EJA Fundamental: a partir de 15 anos completos;
- EJA Médio: a partir de 18 anos.
É a única exigência de entrada que o material da Sedu formula. Não há menção a prova de seleção, a sorteio, a comprovação de renda ou a limite de vagas por escola.
Como fazer a matrícula na EJA na Serra e no restante do Estado
O procedimento descrito pela Sedu é presencial e direto: ir a uma escola da rede estadual que oferte a EJA e pedir a matrícula no balcão. Leve, se tiver:
- documento de identificação;
- certidão de nascimento;
- comprovante de residência;
- cartão de vacinação;
- histórico escolar, se possível — é ele que permite à escola reconhecer o que a pessoa já cursou e evitar que refaça etapa concluída.
Duas observações que costumam travar quem está decidindo. Primeiro: as inscrições para novos alunos foram anunciadas como abertas em todo o Estado, sem prazo final divulgado. Segundo: não existe, no material, um número de telefone, um site de inscrição on-line ou uma lista das escolas que ofertam a modalidade em cada município — inclusive na Serra. Na prática, quem quiser confirmar antes de sair de casa precisa perguntar na escola estadual mais próxima.
Falta de documento não pode barrar quem quer voltar
Este é o ponto que mais interessa a quem passou anos fora da sala de aula e não sabe onde está o histórico de uma escola que talvez nem exista mais. Pela orientação citada pela Sedu, a ausência de documento não impede a matrícula. A pessoa se inscreve, é orientada sobre o que falta e combina com a escola um prazo para regularizar a papelada.
A regra vem da Resolução CEE nº 3.777/2014, segundo a qual pendência de papel não pode ser motivo para negar entrada na modalidade, contanto que a pessoa assuma o compromisso de acertar a situação. Quem ouvir na secretaria que sem histórico não dá para matricular pode citar o número da resolução: ela existe exatamente para essa situação. O material não informa qual é o prazo máximo dessa regularização — o texto fala em prazo acordado com a escola, o que joga a definição para cada unidade.
As cinco ofertas de EJA da rede estadual
A rede não tem um formato único. São cinco desenhos diferentes, e escolher o certo muda a chance de concluir. As modalidades são presencial e semipresencial, esta última por meio dos Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) — unidades voltadas a quem estuda em ritmo próprio, instaladas nos municípios de Vitória, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Linhares. Há ainda os Núcleos de EJA, espalhados por praticamente todo o território capixaba.
- EJA Noturna (regular) — o formato tradicional, à noite, normalmente das 18h00 às 22h10, em escolas da rede estadual. É a escolha de quem trabalha durante o dia e concentra hoje mais de 14 mil estudantes em todo o Espírito Santo.
- EJA Diurna — aulas de segunda a sexta-feira, de manhã ou à tarde, conforme a organização de cada escola. O currículo reúne atividades de formação cidadã, projetos integradores e as disciplinas da base nacional comum. Serve principalmente a quem trabalha à noite e por isso não consegue frequentar o turno noturno.
- EJA Profissional — junta a escolarização a cursos de qualificação profissional, de modo que a pessoa avance nos estudos e ao mesmo tempo saia com uma qualificação técnica inicial. Está em diversas escolas da rede, com horários que variam entre diurno e noturno conforme a unidade. O material não lista quais cursos são oferecidos nem em que escolas.
- EJA Prisional — oferecida dentro das próprias unidades prisionais, em parceria entre a Sedu e a Sejus, com carga horária adaptada à rotina e às condições de segurança de cada unidade. Familiares de pessoas privadas de liberdade podem manifestar o interesse às equipes psicossociais e pedagógicas da unidade.
- EJA na Socioeducação — voltada a adolescentes e jovens que cumprem medida socioeducativa de internação ou semiliberdade, nas unidades do Iases, com horários organizados de acordo com a rotina de cada unidade. Ao entrar no sistema, a inserção na escola é uma das condições exigidas como parte da medida.
Vale uma nota sobre o tamanho da rede: são 14.801 estudantes matriculados atualmente na EJA regular, distribuídos por 194 escolas da rede pública estadual. É a fotografia informada pela Secretaria na época da campanha, e o material não diz se esse número subiu ou caiu depois das ações nos terminais.
O que o material da Sedu não responde
Release de órgão público conta o que foi feito e raramente diz o que ficou de fora. Nesta divulgação, ficaram sem resposta:
- quais escolas ofertam EJA em cada município — não há lista, mapa nem endereço, nem para a Serra, nem para os demais;
- até quando as inscrições ficam abertas — o texto fala em inscrições abertas, sem data-limite;
- se há canal de atendimento a distância — telefone, site ou formulário on-line não foram divulgados;
- quantas pessoas abordadas nos terminais efetivamente se matricularam — o número informado é de abordagens, não de matrículas;
- o prazo máximo para entregar documento pendente, que fica a critério de cada escola;
- quais cursos a EJA Profissional oferece e em que unidades.
Também não há, no material, avaliação independente sobre a campanha nem manifestação de quem estuda na modalidade — o que é normal em comunicação oficial, mas convém registrar: ausência de crítica não é o mesmo que consenso.
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