Exercício nuclear em Angra dos Reis mobiliza 479 militares

Moradores de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, ouviram sirenes e receberam mensagens de alerta no celular entre 30 de setembro e 3 de outubro de 2025 sem que houvesse qualquer emergência real. Era um exercício: o Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear, conhecido como Exgar, que reuniu as Forças Armadas brasileiras e dezenas de instituições civis para testar como o país reagiria a um incidente nuclear.

Um exercício desse tipo é um simulado: o cenário de emergência é encenado e cada procedimento é executado como treino. O que se testa é o encadeamento das ações — quem avisa quem, em quanto tempo o aviso chega, se o equipamento está no lugar certo e se órgãos diferentes conseguem trabalhar sob o mesmo comando. Por isso a sirene e a mensagem no telefone fizeram parte do roteiro, e não de uma ocorrência.

Quase 500 militares e cerca de 60 instituições em quatro dias

Ao todo, 479 militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea atuaram em conjunto com aproximadamente 60 instituições civis e militares. A operação encadeou simulações de evacuação, acionamento de sirenes, transporte de equipamentos especializados e coleta de amostras ambientais.

As equipes também executaram procedimentos de descontaminação de locais e materiais supostamente afetados — ou seja, sobre alvos marcados como contaminados apenas dentro do roteiro do exercício, para medir o tempo e a técnica de quem faria esse trabalho numa situação verdadeira.

O alerta que chega ao celular sem cadastro prévio

A novidade desta edição foi a estreia do Sistema Defesa Civil Alerta, tecnologia que permite enviar mensagens diretamente aos aparelhos celulares da população sem necessidade de cadastro prévio. Foi a primeira vez que o recurso foi usado no Brasil, e o uso se deu dentro do exercício.

A diferença em relação ao que já existia é a inscrição. Serviços de aviso por mensagem costumam depender de a pessoa se cadastrar antes, o que deixa de fora quem nunca ouviu falar do serviço, quem trocou de número e quem está de passagem pela cidade. Um alerta que não pede cadastro alcança o aparelho de quem estiver na área — inclusive turista e trabalhador que não mora ali.

O que foi testado do lado de quem mora na região

Para o morador, o exercício se resumiu ao que dá para ver e ouvir: a sirene, a mensagem no celular e a movimentação de equipes. São os elos mais visíveis do aviso à população, e os primeiros que precisam funcionar para que o restante do sistema faça diferença.

Vale registrar o que este exercício não é: um simulado bem-sucedido demonstra que os procedimentos foram executados nas condições do roteiro, e não que uma emergência real teria o mesmo desfecho. É um treino, com o valor e os limites de um treino. Quem quiser acompanhar o mesmo exercício contado pelo lado da operação e da cooperação entre as instituições envolvidas pode ler a cobertura publicada semanas depois, no fim de outubro.

Por que as Forças Armadas entram numa emergência civil

A participação das Forças Armadas em apoio à Defesa Civil está prevista na legislação brasileira como ação subsidiária. Na prática, a atuação é de apoio: a resposta corre pela estrutura civil, e a militar entra para complementar com o que tem de específico — pessoal treinado, transporte e equipamentos especializados, como os que circularam no exercício.

Segundo o Contra-Almirante Roberto Lemos, comandante do Exgar, a integração entre diferentes órgãos é o que garante uma resposta coordenada.

“O principal objetivo é a proteção da vida, do meio ambiente e da soberania nacional”, afirmou.

É também por isso que o exercício dedicou quatro dias à articulação entre os participantes: a operação juntou cerca de 60 instituições civis e militares, cada uma com sua própria cadeia de comando.

Fotos: Agência Marinha

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