Exercício Resex 2025 simula emergência nuclear em Resende

Instituições civis e militares se reuniram em Resende, no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 21 e 24 de outubro, para o Exercício Resex 2025 — um simulado de resposta a emergências envolvendo instalações nucleares. Os cenários foram encenados na Fábrica de Combustível Nuclear das Indústrias Nucleares do Brasil, e a atividade integra o Programa Geral de Atividades do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro.

Nada do que foi encenado corresponde a uma ocorrência real. Um exercício desse tipo põe à prova o plano escrito: mede quanto tempo cada decisão leva, mostra onde a comunicação entre instituições diferentes emperra e revela quem precisa ser avisado antes de quem. O que fica ao fim dos quatro dias é o resultado de um teste, não um selo de capacidade comprovada.

O que foi encenado nos quatro dias

Os cenários simulados incluíram incêndios em áreas críticas, tentativas de sabotagem contra instalações, ofensivas cibernéticas e furtos de material nuclear. São situações de naturezas distintas — uma física, uma digital, uma de proteção do material — e cada uma cobra um conjunto diferente de respostas de quem está na mesa de decisão. Um roteiro que mistura os quatro tipos serve justamente para impedir que a resposta seja ensaiada sempre da mesma forma.

Três centros de gerenciamento decidindo ao mesmo tempo

A operação distribuiu o gerenciamento por três centros — em Brasília, no Rio de Janeiro e em Resende. As equipes dos três precisaram atuar de maneira integrada e coordenada, o que significa que o exercício não testou apenas a reação no local do cenário. Testou também a distância entre quem está diante do problema e quem decide sobre ele, que é onde costuma aparecer o atraso em qualquer operação com muitas instituições envolvidas.

Quem participou do Resex 2025

A coordenação geral coube ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A participação do Ministério da Defesa foi conduzida pela Chefia de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e as três Forças Armadas atuaram no mesmo esforço:

  • Marinha, Exército e Força Aérea — planejamento e comando conjuntos;
  • Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República — coordenação geral da operação;
  • Agência Nacional de Segurança Nuclear, Ibama, Defesa Civil e Polícia Militar do Rio de Janeiro — participação nos cenários.

O Capitão de Mar e Guerra Carlos Weizel de Fontoura Barreto Júnior destacou que o compartilhamento de informações entre as instituições potencializa a resposta em crises nucleares. É o ponto que o formato do exercício reproduz na prática: cada órgão chega com uma parte do quadro, e a resposta depende de que essa parte circule.

O que o simulado responde e o que fica em aberto

Um exercício mostra como as instituições se comportaram naquele roteiro, naqueles quatro dias e com data marcada. Não equivale à avaliação de uma emergência real, que não avisa quando começa nem segue o cenário previsto. É por isso que atividades assim são repetidas e integram um programa de atividades, e não acontecem como evento isolado.

A mesma rodada de emergência nuclear também foi acompanhada pelo lado do município, na reportagem Angra dos Reis faz exercício de emergência nuclear, publicada no início de outubro — ali o recorte é o da cidade e dos seus serviços, e não o da estrutura de comando.

Fonte: Ministério da Defesa

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