O Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral (CEEFMTI) Washington Pinheiros Meirelles, em Itapemirim, levou estudantes do Atendimento Educacional Especializado a uma visita guiada por lugares históricos da própria cidade. O percurso fez parte do projeto Esculturas da Ancestralidade Negra – Itapemirim tem História, que juntou arte, cultura e trabalho de sala de aula em torno da memória afro-brasileira e da Educação para as Relações Étnico-Raciais.
Quem conduziu o grupo foi o historiador Luciano Moreno. Os professores Horácio Neto e Renan Bastos acompanharam a caminhada e ficaram responsáveis pela mediação didática e pelo suporte de acessibilidade ao longo de todo o trajeto. Entre os pontos visitados, a divulgação da Sedu destaca a Residência de Dom Pedro II.
O AEE não é aula de reforço: quem é o público do projeto
A sigla AEE, que aparece na divulgação, é a forma curta de Atendimento Educacional Especializado. Trata-se do apoio dirigido a estudantes da educação especial — entre eles alunos com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades.
Vale entender a diferença que o termo esconde: o AEE não substitui a sala de aula comum nem funciona como reforço da matéria. Ele é um serviço complementar, oferecido em geral em horário diferente do das aulas regulares, com materiais e recursos adaptados às necessidades de cada estudante. Por isso a escolha do público muda o sentido da atividade: um projeto de patrimônio histórico direcionado ao AEE precisa ser pensado desde o começo para que o grupo consiga percorrer, ver, ouvir e entender o que está sendo mostrado.
É esse trabalho que os dois termos técnicos da divulgação descrevem. Mediação didática é ajustar a explicação do historiador à linguagem e ao ritmo do grupo. Suporte de acessibilidade é garantir o deslocamento e descrever o que está sendo visto para quem precisa dessa descrição. A página da Sedu registra que os professores fizeram as duas coisas, mas não detalha quais recursos foram usados no percurso.
O que a escola diz ter buscado com a caminhada
A outra sigla do texto é ERER, de Educação para as Relações Étnico-Raciais — o campo que trata de como a história e a cultura afro-brasileira entram no currículo e de como a escola lida com a desigualdade racial no dia a dia. A visita foi o modo escolhido para tirar esse conteúdo do papel e colocá-lo na rua.
Segundo a Sedu, o objetivo era provocar reflexões sobre ancestralidade, identidade e pertencimento, aproximar os estudantes da história local e estreitar a ligação entre currículo, cultura afro-brasileira e inclusão. A iniciativa somou, ainda, ações de acessibilidade e de patrimônio cultural.
A avaliação dos dois professores que acompanharam o grupo
“O projeto foi uma oportunidade de vivenciar a ancestralidade negra em nosso território, fortalecendo o protagonismo dos estudantes do AEE e o compromisso com uma educação inclusiva e antirracista”
A avaliação é do professor Horácio Neto.
“Essa experiência reforçou a importância de promover vivências significativas que conectem os estudantes à história e à cultura do seu município. A ancestralidade negra é uma herança que precisa ser reconhecida, celebrada e ensinada.”
A declaração é do professor Renan Bastos.
Do lado dos estudantes, a divulgação afirma que a visita despertou interesse e novas percepções sobre história e igualdade racial, e traz o relato de um dos participantes:
“Achei legal ver os lugares antigos e saber que eles contam histórias importantes. Eu aprendi que a cor da pele não muda o valor de ninguém”
A fala é de um dos estudantes que participaram da visita. A leitura sobre o efeito da atividade é da própria secretaria: a divulgação não informa como esse resultado foi observado nem se houve alguma forma de avaliação depois do percurso.
O que a divulgação não detalha
Quem quiser reproduzir a ideia em outra escola esbarra em algumas lacunas. A página da Sedu não informa:
- quando a visita aconteceu nem quanto tempo durou;
- quantos estudantes participaram;
- quais esculturas deram nome ao projeto, onde estão e quem as produziu;
- quais outros lugares do município entraram no roteiro além da Residência de Dom Pedro II;
- o que o grupo viu dentro da Residência de Dom Pedro II — o texto registra apenas que o local se destacou pelo peso simbólico e pela ligação com a história e a cultura da cidade.
São informações que ficam com a escola e que costumam ser justamente o que interessa a quem pretende repetir a experiência. A escola é um centro estadual em tempo integral, ou seja, com jornada diária ampliada em relação à das unidades de turno único — o que ajuda a explicar como uma atividade fora dos muros cabe no calendário sem tomar o lugar das aulas.
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