Corrida com cães: como evitar choque térmico e lesões no calor

Correr acompanhado do cachorro virou hábito de quem treina cedo ou no fim da tarde, mas a atividade tem dois riscos que decidem se o passeio termina bem: o choque térmico e a sobrecarga física. O alerta é de Rubens Antônio Carneiro, professor titular da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista publicada em 8 de dezembro. Antes do primeiro treino, segundo ele, o cão precisa passar por avaliação com médico-veterinário — e o horário da saída importa tanto quanto a distância.

Em cidade quente e de verão longo, esse é o ponto que o tutor mais subestima. O choque térmico acontece quando o organismo do animal não consegue dissipar o calor, quadro agravado em caminhadas sob sol forte e em cães de pelagem densa. Carneiro afirma que o choque de calor pode levar à morte.

Antes das 9h ou depois das 17h: o horário é a primeira medida de segurança

A recomendação do professor é objetiva: as corridas devem ocorrer antes das 9h ou após as 17h, fora das faixas de calor intenso. Animais de pelagem abundante exigem atenção redobrada, porque a camada de pelos dificulta a troca de calor com o ambiente.

O horário também resolve outro problema que costuma ser tratado à parte: o piso quente. Proteção nas patas, segundo Carneiro, só é necessária quando o chão está quente — e isso não deve acontecer se o tutor escolher o horário adequado. Em outras palavras, calçado para pata é remendo; a solução é não sair no sol.

A consulta veterinária vem antes do primeiro quilômetro

Quem nunca correu com o animal precisa começar pelo consultório, e não pela rua. A avaliação verifica se o cão tem condição de sustentar esforço — e é ela que pode revelar um problema cardíaco, respiratório ou ortopédico que a rotina de casa não mostra.

Antes de qualquer coisa, é fundamental levá-lo ao médico-veterinário para uma avaliação geral, com foco na condição corporal, aspectos cardiológicos e respiratórios, além de pontos ortopédicos e neurológicos

A orientação é do professor titular da Escola de Veterinária da UFMG, Rubens Antônio Carneiro.

Não existe distância padrão: o começo é 1 km por pelo menos uma semana

A sobrecarga aparece quando o tutor ignora idade, porte ou condição clínica do animal. As consequências listadas pelo professor são dificuldade respiratória, dor articular, cansaço intenso e até acidentes por perda de controle. Por isso a intensidade precisa entrar aos poucos.

Não existe um limite geral válido para todos os cães; cada indivíduo apresenta seu próprio ritmo. O início deve ser lento, com caminhadas leves de cerca de 1 km por pelo menos uma semana. Se ele estiver em boas condições, aumente com bom senso

A explicação é de Rubens Antônio Carneiro. Pela orientação dele, o avanço depende da disposição que o cão demonstra: sinais de dificuldade indicam que é hora de parar, não de insistir.

Idade e porte mudam a conta

Filhote não corre. O ideal, de acordo com o professor, é aguardar a idade adulta jovem — por volta dos oito meses, com variação conforme a raça. Animais de grande porte chegam a esse estágio mais rapidamente e também se tornam idosos mais cedo, o que exige revisões frequentes e controle clínico constante.

No outro extremo da vida, cães idosos podem caminhar, desde que sejam respeitados seus limites e suas condições de saúde. Já os animais considerados atletas precisam de controle anual e monitoramento clínico rigoroso para manter desempenho com segurança.

Guia curta e condução sem puxão evitam o acidente na rua

Nunca se deve caminhar ou correr com o cão solto. A guia ou o peitoral são obrigatórios no percurso — e a razão não é estética.

Eles são seres irracionais e podem atacar ou serem atacados, provocando acidentes

A afirmação é de Carneiro. Ele recomenda guias curtas, de aproximadamente um metro, porque encurtar a distância melhora o controle em situações inesperadas — outro cachorro que cruza o caminho, uma bicicleta, um portão que abre. A condução, acrescenta, deve ser tranquila, sem puxões nem imposição: a regra é não forçar.

Se o animal resiste, tem dificuldade de adaptação ou demonstra ansiedade, o professor indica a ajuda de um educador, que trabalha o treinamento e o comportamento durante o exercício.

Água durante todo o percurso

A hidratação deve ser garantida ao longo de toda a atividade, e não apenas na volta para casa. Vale planejar a rota em função disso — levar água ou passar por ponto onde ela esteja disponível — porque em dia quente a pausa para beber é parte do treino, não interrupção dele.

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