Estudantes de Guarapari no Ifes: minicursos e feira em Vitória — Direto Notícias

Estudantes de Guarapari no Ifes: minicursos e feira em Vitória

A atividade já ocorreu e o material oficial não anuncia nova edição. Minicursos de robótica, programação e impressão 3D, mais o percurso por uma feira tecnológica, formaram o roteiro de uma visita técnica de estudantes de Guarapari no Ifes, campus Vitória, numa quinta-feira, dia 26. São alunos do curso técnico em Informática para a Internet da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Doutor Silva Mello, no município.

O registro veio de uma nota divulgada pela Sedu. Ela conta o que foi feito, mas deixa de fora quase tudo o que interessa a quem mora em Guarapari: não diz quantos estudantes foram, como o grupo foi escolhido, quanto tempo durou a programação nem se outras escolas do município terão a mesma chance. Esta reportagem publica o que o material sustenta e, no fim, lista o que ele não responde.

O que estudantes de Guarapari no Ifes fizeram no campus

A programação teve duas frentes, segundo o material: percorrer as instalações do instituto e passar por atividades de mão na massa. As oficinas citadas são estas:

  • Robótica
  • Programação Orientada — o texto oficial para o nome aí, sem completar a que a programação é orientada
  • Impressão 3D

Os três aparecem apresentados como exemplos, e não como a lista fechada da agenda. Ou seja: pode ter havido outras oficinas, e o material não informa quantas foram no total. Também não diz quem ministrou cada uma, nem em que espaço do campus a feira tecnológica aconteceu.

Oficina maker e impressão 3D: o que essas palavras querem dizer

Os dois termos que mais aparecem no relato exigem tradução para quem está fora da área. Oficina maker é o nome dado a um espaço equipado com ferramentas e máquinas de bancada, onde quem participa constrói o próprio protótipo em vez de assistir a alguém construir. Já a impressão 3D parte de um desenho feito no computador: a máquina ergue a peça camada por camada, e o objeto sai pronto para a mão em minutos ou horas, conforme o tamanho.

É por isso que uma oficina dessas rende mais que uma palestra sobre o mesmo assunto: o estudante sai com uma peça física e com a noção do erro cometido no caminho — o desenho que não fecha, a medida que não encaixa.

A avaliação do professor responsável

Quem conduziu a iniciativa foi o professor Leonardo França. Para ele, o encontro rendeu mais que treino técnico: abriu conversa sobre projetos que a escola desenvolve. Quais são esses projetos, o material não conta — a menção fica em aberto.

A ação superou as minhas expectativas. Foi perceptível o comprometimento e o engajamento de todos os participantes. Os alunos trocaram conhecimentos e perceberam, de forma prática, que consolidaram habilidades além do que inicialmente supunham. Eles reconheceram que nosso curso fornece a base necessária para que possam ingressar profissionalmente na área

A avaliação é do professor Leonardo França, responsável pela iniciativa.

O relato de quem esteve lá: da impressora aos tijolos ecológicos

Uma estudante do curso técnico contou o que fez na oficina maker e o que a chamou atenção na feira: um projeto de construção com tijolos produzidos de forma ecológica. O material oficial não explica esse projeto — não diz quem o desenvolve, de que material são os tijolos nem em que estágio ele está.

A visita foi bastante enriquecedora, especialmente pelas oficinas. Na oficina maker, pude criar um modelo em 3D e ver os resultados na impressão. Além disso, conheci um projeto de construção sustentável que apresentou tijolos fabricados de forma ecológica, o que chamou muito a minha atenção

A fala é de uma aluna do curso técnico em Informática para a Internet, citada na nota oficial.

Por que este texto não escreve o nome da estudante

A nota oficial traz o nome completo da aluna. Aqui ele não aparece, e a escolha é editorial: somar nome, escola, curso e município aponta uma adolescente específica dentro de uma única turma, e a proteção de estudantes da educação básica pesa mais que o crédito nominal. A fala foi publicada palavra por palavra, sem corte por dentro — o que muda é só a assinatura. O professor segue identificado porque responde pela iniciativa na condição de profissional.

O que a nota não responde a quem mora em Guarapari

Esta é a parte que o leitor do município procura e não encontra no material oficial:

  • Quantos alunos foram. Nenhum número de participantes aparece — nem do grupo, nem da turma, nem do curso.
  • Como o grupo foi escolhido. Não há indicação de que tenha ido a turma inteira, nem de critério de seleção, nem de inscrição.
  • Se outras escolas de Guarapari entram na próxima. A nota não anuncia nova edição, não fala em calendário e não descreve nada parecido com um programa permanente. Tratar isso como projeto continuado seria conclusão do portal, não informação do órgão.
  • Quanto tempo durou. Não há horário de início nem de fim, e não dá para saber se a visita ocupou um turno ou o dia.
  • Se houve certificado. O material não menciona emissão de certificado, carga horária nem registro dos minicursos no histórico do estudante.
  • Quem organizou e quem pagou. Não se informa de quem partiu o convite, quem ministrou as oficinas, como foi o transporte de Guarapari até a capital nem quem custeou o deslocamento.
  • Se existe convênio. A aproximação entre as duas instituições é descrita como troca de experiências, sem qualquer acordo formal citado.
  • O mês. A nota escreve apenas quinta-feira (26). Como este registro é de 2 de outubro de 2024, o dia 26 cai no mês anterior — mas quem precisa da data exata não a encontra no texto oficial.

Divulgação oficial tem um lado só

As duas falas publicadas são de participantes da própria atividade: o professor que a organizou e uma aluna que dela participou. Não há avaliação externa, nem número que meça resultado — matrícula, aprovação, ingresso na área, nada. Ausência de crítica em material institucional não equivale a consenso; equivale a material institucional.

O que dá para fazer com essa informação hoje

Como se trata de atividade pontual, já realizada e sem repetição anunciada, não há prazo correndo, inscrição aberta nem vaga a disputar. Quem em Guarapari se interessa pelo curso técnico em Informática para a Internet ou quer saber de novas visitas precisa procurar a própria escola: o material oficial não divulga telefone, e-mail, site ou formulário, e nenhum canal de atendimento foi informado junto com a nota.

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