OBMEP 2023: 68 alunos recebem medalhas em Cachoeiro — Direto Notícias

OBMEP 2023: 68 alunos recebem medalhas em Cachoeiro

Atenção à data: a solenidade descrita aqui já pertence ao passado, e este texto a registra em vez de convocar alguém para ela. Foram 68 estudantes medalhistas da edição 2023 da olimpíada os que compareceram à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Presidente Getúlio Vargas, em Cachoeiro de Itapemirim, para receber as medalhas da OBMEP em Cachoeiro de Itapemirim das mãos da estrutura regional de ensino que atende o município e as cidades vizinhas, a Superintendência Regional de Educação (SRE). Nenhum deles ganhou coisa alguma naquele dia: a conquista era antiga, e ali se cumpriu apenas o rito de passar a peça adiante.

A sexta-feira (04) é 4 de outubro de 2024, e a conta é do portal

O comunicado escreve na última sexta-feira (04) e para por aí. Não há mês, não há ano, e a referência só se sustenta para quem lê na mesma semana da publicação. Vencido esse prazo curto, o 04 vira um número solto no meio da frase.

A amarração é possível por fora do texto, desde que fique claro de quem é o cálculo — e ele é nosso, não de quem emitiu o comunicado. Combinando o número 04, o dia da semana declarado e a data em que a nota foi publicada, chega-se a 4 de outubro de 2024. Essa data cheia não aparece em parte alguma do material oficial. O que ele oferece é a palavra última, bastante ao menos para indicar que o ato antecedeu a divulgação.

O que ocorreu naquela escola não foi a disputa

Ninguém resolveu problema de matemática na EEEFM Presidente Getúlio Vargas naquela sexta. A prova, a correção e a decisão sobre quem levaria peça pertencem à edição de 2023, e estavam encerradas havia meses. A solenidade tratou apenas do último passo: colocar a medalha na mão de quem já tinha o direito a ela.

A separação importa porque o costume é achatar tudo num verbo só. Disputar a olimpíada, ter a prova apurada, aparecer na relação de premiados e receber o objeto são quatro momentos com datas próprias. Quando a distância entre o primeiro e o último passa de um ano, o ano gravado na medalha deixa de coincidir com o ano da festa — daí a necessidade de carimbar a edição em toda menção a medalha, sob pena de o leitor não saber a que disputa aquela peça pertence.

Os 68 e os 866 contam gente, não peças de metal

Os dois números do comunicado vêm com a unidade colada neles, e a unidade é a mesma nos dois casos: pessoas. São 68 estudantes medalhistas na área da regional de Cachoeiro de Itapemirim e 866 estudantes premiados com medalha regional no Espírito Santo inteiro, na edição 2023. Em nenhum ponto o texto oferece um total de peças fabricadas, transportadas ou distribuídas.

A diferença não é implicância. O comunicado fala em respectivas medalhas regionais, no plural, e não esclarece se cada premiado levou uma peça ou se alguém saiu com mais de uma — hipótese que ele nem confirma nem descarta. Também não abre o 866 por regional, de modo que a fatia estadual que coube a Cachoeiro de Itapemirim só apareceria se alguém fizesse uma divisão que o órgão não fez. Os números ficam aqui como foram publicados.

O único 11 do comunicado conta regionais, não municípios

Há um algarismo pequeno no balanço estadual, e ele muda de significado se o leitor o encostar na frase errada. O 11 do texto está preso a Superintendências Regionais de Educação: é a quantidade de estruturas que o Estado tem para repartir a entrega, cada uma marcando o próprio dia.

Esse número não descreve escolas, não descreve turmas e não descreve cidades. A relação de municípios que aparece no parágrafo dos medalhistas é outra informação, publicada sem número na frente — e emparelhar as duas produziria uma equivalência que a nota não afirma em momento algum.

De onde vieram os premiados com as medalhas da OBMEP em Cachoeiro

O comunicado nomeia os municípios de origem dos medalhistas que subiram ao palco: Atílio Vivácqua, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Jerônimo Monteiro, Iconha, Itapemirim, Marataízes, Mimoso do Sul, Presidente Kennedy, Rio Novo do Sul e Vargem Alta. É a lista tal como o órgão a divulgou, na ordem em que ele a divulgou.

O que a nota sonega é a distribuição: não informa quantos medalhistas cada município colocou no palco. Uma família de Marataízes ou de Rio Novo do Sul lê a notícia inteira sem descobrir se a sua cidade entrou com um nome ou com uma dezena. E a natureza da própria relação fica dúbia — ela tanto pode ser o retrato completo da área atendida pela SRE quanto o recorte apenas das cidades que emplacaram alguém, hipótese em que o restante da regional teria ficado de fora sem que o texto o admitisse.

A entrega da mesma edição foi partida em muitas datas

As medalhas da OBMEP em Cachoeiro são parte de um calendário bem maior: a edição 2023 não trocou de mãos num ato único no Espírito Santo. Cada uma das 11 Superintendências Regionais de Educação marcou a própria solenidade, e o comunicado dá por realizadas, até ali, as das SRE Afonso Cláudio, Barra de São Francisco, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí, Nova Venécia, São Mateus e Vila Velha. Repare que a de Cachoeiro de Itapemirim consta da lista de concluídas: o balanço já incorpora a cerimônia que o próprio texto acabara de narrar.

Duas dessas etapas anteriores tinham virado notícia por aqui. Em agosto de 2024, as medalhas desta mesma edição 2023 já haviam sido distribuídas na regional de Nova Venécia, em ato anterior a este. A outra fica mais perto no calendário: a regional de Guaçuí reuniu os seus medalhistas de 2023 poucas semanas antes da sexta-feira de Cachoeiro. São episódios anteriores a este, com outros estudantes e outra plateia.

Quais regionais ainda deviam a solenidade, o comunicado não conta. Nenhuma delas é nomeada, nenhuma agenda futura aparece e em momento algum se estipula quando a edição 2023 estaria inteiramente distribuída — o balanço só olha para trás.

Entre 68 medalhistas, a nota nomeia só a superintendente

Vale registrar o que o material oficial faz com os nomes, porque neste ponto ele é econômico. Nenhum dos 68 premiados aparece identificado: não há relação nominal, não há escola de origem individualizada e não há qualquer indicação de quem recebeu o quê. O único nome próprio de pessoa no texto inteiro é o de quem dirige a regional.

A ausência da relação tem custo para quem lê: sem ela, ninguém confere se o filho, o vizinho ou o aluno está no grupo, e a notícia se reduz à foto da noite. Mesmo assim, a lista não seria republicada aqui. A regra desta redação é estável para estudante da educação básica: o nome entra quando é ele que carrega a informação, caso de quem foi eleito para falar pelo município numa etapa maior, e fica de fora quando serve apenas de ilustração. O motivo é prático: um adolescente premiado não pediu para virar resultado de busca, e o cruzamento entre a identidade dele e o endereço escolar dele continua acessível a qualquer um por tempo indeterminado, sem que ele possa retirá-lo de lá. Cargo público é outra história: quem responde profissionalmente pela cerimônia é identificado, e por isso a superintendente aparece com nome nas duas falas a seguir.

A Matemática como bicho-papão, na avaliação da superintendente

O comunicado abre espaço para duas declarações, e as duas são da superintendente Regional de Educação de Cachoeiro de Itapemirim, Fernanda Ferreira Villela Vieira. Na primeira, ela explica por que o ato existe:

“Realizar essa cerimônia é reconhecer e valorizar o estudo, a competência, a organização e o acompanhamento, presentes em todo o processo que envolve a OBMEP nas escolas”

Entre uma fala e outra, o texto oficial resume em discurso indireto um elogio aos professores, a quem credita o desenho de atividades que reforçam o aprendizado e o estímulo para que os alunos confiem no próprio potencial. Em seguida, ela amplia a lista de créditos e chega ao trecho mais concreto:

“A organização das equipes gestoras – desde a coordenação da OBMEP, do Programa Matemática da Rede até os diretores escolares, que elaboram estratégias tornou possível a participação dos alunos. Ressalta-se também o acompanhamento dos pais e responsáveis dos alunos, que não medem esforços para que os filhos e filhas se desenvolvam. Enfim, é uma celebração que visa desmistificar a imagem da Matemática como ‘bicho-papão’ e revelar o potencial de nossos estudantes capixabas, independente da rede”

Duas observações sobre esse trecho. Ele cita a coordenação da OBMEP e o Programa Matemática da Rede como parte da engrenagem, sem que o comunicado explique o que qualquer um dos dois faz — e, ao indicar o site de consulta algumas linhas adiante, o mesmo texto chama a iniciativa de Matemática na Rede, sem dizer se é a mesma coisa com outro nome. Já o fecho, ao falar em estudantes capixabas independente da rede, é o único momento em que o material lembra que a competição alcança também a escola particular, o que o nome por extenso confirma: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas. Todo o resto do que se descreve ali é estrutura pública.

A página da premiação saiu do ar; o site do programa continua

O fecho do comunicado remetia o leitor a uma consulta: no site do Matemática na Rede estariam os locais, as datas e os horários das cerimônias já agendadas. O texto publicado apenas mandava clicar, com uma âncora que não dizia para onde levava.

O endereço foi testado agora, e o resultado tem dois lados. A página específica da premiação deixou de abrir — a resposta do servidor é a de conteúdo inexistente. Já o site do programa segue funcionando normalmente no seu endereço principal. Convém separar os dois casos: não estamos diante de um endereço que jamais chegou a ser publicado, tampouco de um caminho remanejado para outro ponto do mesmo site. O que havia ali foi retirado; a estrutura que o hospedava permanece. A consulta indicada pela nota para acompanhar as cerimônias agendadas fica registrada como estava no material original.

Para quem chega hoje, o prejuízo é limitado: as solenidades daquela edição acabaram, e não há agenda a perder. Some junto com a página, isso sim, o acesso ao restante do calendário estadual — a única porta que o material abria para além do próprio evento. E nenhum outro canal é oferecido no lugar: o texto não traz linha telefônica, endereço eletrônico nem atendimento presencial para quem tenha dúvida sobre a entrega das peças, e em nenhum momento apresenta a superintendência nesse papel.

De que metal são as medalhas? A nota não diz

Ouro, prata e bronze não aparecem uma única vez no comunicado — nem quando ele descreve as medalhas da OBMEP em Cachoeiro, nem quando trata dos 866 premiados do Estado inteiro. O rótulo usado é sempre o mesmo, medalha regional, sem trocar de nome em nenhum ponto do texto, o que evita a confusão de faixa que outros balanços produzem. O problema é que a faixa nunca é explicada: não se diz o que ela representa, qual foi a linha de corte para entrar nela, nem em que difere das demais formas de reconhecimento da competição.

As lacunas não param aí. Quantos estudantes da regional chegaram a sentar para fazer a prova é dado que não consta, e sem esse denominador o 68 fica sem tamanho: pode ser uma fatia alta ou modesta dos participantes, e não há como decidir qual. Sobre a competição em si, o material se limita a soletrar a sigla — não indica quem a promove, quem escreve as questões nem quem corrige. E o que a medalha dá a quem a recebeu, além da própria medalha, não é mencionado em linha alguma.

O documento é institucional, e institucional descreve acerto, não pergunta. A única voz ouvida dirige a regional; professor, estudante e família não aparecem em nenhuma linha.

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