Suspeito de roubos e latrocínio é procurado em Cariacica

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) pediu ajuda da população para localizar um suspeito procurado em Cariacica: um homem de 39 anos que, segundo a corporação, é alvo de apuração por roubo, extorsão e por possível participação em um latrocínio no município. Trata-se de pessoa procurada e investigada, não de alguém condenado. O que a PCES informa existir contra ele é um mandado de prisão em aberto — uma ordem judicial que ainda não foi cumprida, e não uma decisão que tenha reconhecido autoria.

O caso está com a Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), unidade que investiga crimes envolvendo veículos. As informações foram divulgadas pelo titular da delegacia, delegado Luiz Gustavo Ximenes, que classifica o procurado como alvo de apuração por crimes praticados com violência e grave ameaça — entre eles, a restrição de liberdade das vítimas.

O que é um mandado de prisão em aberto — e o que ele não é

Mandado em aberto quer dizer que uma ordem de prisão foi expedida e ainda não foi cumprida: a pessoa não foi localizada, ou não foi presa até agora. A ordem parte de uma decisão judicial; à polícia cabe executá-la. Ela não afirma que a pessoa cometeu o crime — afirmação de autoria só ocorre ao fim de um processo, com direito de defesa e decisão definitiva.

Existem tipos diferentes de mandado, e eles não pesam igual: há o que decorre de prisão decretada durante a investigação ou o processo, o que vale por prazo determinado para viabilizar apurações, e o que resulta de uma condenação já definida. O material divulgado pela Polícia Civil não diz de qual tipo é este mandado, nem quando ele foi expedido, nem por qual juízo. Sem esse dado, não dá para afirmar em que etapa o caso está.

Quatro episódios, e o que separa um do outro

O delegado citou registros distintos, em datas distintas. Reunidos aqui na ordem em que teriam ocorrido, segundo a versão da Polícia Civil:

  • Setembro de 2023 — um roubo no qual teriam sido levados um veículo automotor e pertences de quem foi abordado.
  • Outubro de 2023 — um latrocínio, no qual as investigações apontariam possível participação do suspeito. A corporação não afirma autoria: fala em possibilidade a apurar.
  • 10 de janeiro de 2024 — o roubo de um celular e de outros pertences de uma mulher grávida, na Rua Bolívar de Abreu, no bairro Campo Grande.
  • Julho, sem o ano — uma série de roubos contra um mesmo estabelecimento comercial. O texto oficial fala apenas em julho do ano passado, expressão que não informa o ano, e também não diz quantos episódios compõem essa série.

Sobre o caso de janeiro de 2024, o delegado detalhou:

No dia 10 de janeiro de 2024, ele subtraiu um celular e outros pertences de uma mulher grávida, mantendo-a refém na Rua Bolívar de Abreu, no bairro Campo Grande. O caso teve grande repercussão e foi amplamente divulgado pela imprensa

A descrição é do delegado Luiz Gustavo Ximenes, titular da DFRV. Sobre os demais registros, ele afirmou:

Ele ainda é apontado como participante de uma série de assaltos a um mesmo estabelecimento comercial em julho do ano passado

Ainda segundo Ximenes, as apurações indicam a possibilidade de o procurado ter tomado parte no latrocínio ocorrido em outubro de 2023. A vítima desse caso morreu, e por isso não é identificada aqui.

Roubo, extorsão e latrocínio não são o mesmo crime

O texto oficial junta os três num só parágrafo, e a diferença entre eles muda tudo:

  • Roubo — a subtração de um bem com uso de violência ou de grave ameaça contra a pessoa.
  • Extorsão — constranger alguém, também com violência ou ameaça, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa para que outro obtenha vantagem.
  • Latrocínio — o nome dado ao roubo em que a vítima acaba morta. É o mais grave dos três e corre por caminho próprio.

Somar os episódios como se fossem um bloco único distorce o que a Polícia Civil disse. São ocorrências separadas, em datas separadas, e a corporação não informa se elas correm em um mesmo inquérito, se o mandado em aberto se refere a todas, a uma delas ou a nenhuma em específico — nem se outras pessoas são investigadas nos mesmos casos.

A PCES informa ainda que o procurado já tem passagens por roubo e por extorsão. Passagem, nesse uso, é o registro anterior de ocorrência ou de procedimento policial: não equivale a condenação, e o material não diz se algum desses registros virou processo nem qual foi o desfecho.

O material não diz onde está o suspeito procurado em Cariacica

Os episódios descritos pela Polícia Civil são de Cariacica — a rua e o bairro citados ficam no município. Já a ordem de prisão veio de uma decisão judicial cuja origem o material não identifica. E não há, no texto divulgado, indicação de onde as diligências estão sendo feitas nem de que o procurado esteja em Cariacica: a corporação diz apenas que segue trabalhando para localizá-lo. São três coisas diferentes — o lugar do fato, a origem da decisão e a área de busca — e o material só esclarece a primeira.

Uma etapa posterior a esta, quando a apuração termina, é a conclusão do inquérito, como aconteceu em outro caso, na Serra, em que a investigação sobre tentativa de latrocínio e roubos em ônibus foi encerrada. Trata-se de episódio independente, com outras pessoas e outro município, citado apenas para mostrar em que ponto do percurso está o caso de Cariacica: ainda na fase de busca.

O que o material oficial não responde

  • Qual é o tipo do mandado de prisão, a data em que foi expedido e o juízo de origem.
  • Quantos episódios formam a série de roubos ao estabelecimento comercial, e em que ano de julho eles teriam ocorrido.
  • Se os casos tramitam juntos e se o mandado cobre todos eles.
  • Se há outras pessoas investigadas nos mesmos episódios.
  • Se a pessoa procurada tem defesa constituída. O material é uma comunicação oficial e traz um lado só; a ausência de manifestação da defesa não significa concordância com o que foi divulgado.

Como repassar informação: 181 e 190

A Polícia Civil pede que quem tiver informação sobre o paradeiro do suspeito acione o Disque-Denúncia 181. É o canal para repassar dados sobre um caso já ocorrido — paradeiro, placa, endereço — sem que quem liga precise se identificar. A ligação é gratuita e não serve para emergência.

Para situação em andamento — crime acontecendo, risco imediato, pessoa em perigo naquele instante — o número é o 190, que aciona atendimento policial imediato. Chamar o 181 numa emergência atrasa a resposta; e ocupar o 190 para repassar informação de um caso antigo tira a linha de quem precisa de socorro agora.

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