Vacinação chega às escolas do ES e deve atender 62.014 alunos

Crianças e adolescentes menores de 15 anos matriculados em escolas públicas municipais e estaduais do Espírito Santo, nos ensinos Infantil, Fundamental e Médio, vão poder atualizar a caderneta de vacinação de graça dentro do próprio colégio. A Semana de Intensificação da Vacinação nas Escolas 2025 começa nesta segunda-feira (14) em todo o Estado e segue até o dia 30 deste mês. Só na rede estadual, a estimativa é de que 62.014 alunos sejam atendidos.

Durante todo o período, as equipes de vacinação dos municípios estarão nas escolas para verificar as carteiras de vacinação, fazer busca ativa e realizar ações de educação em saúde junto aos jovens. A aplicação das doses depende de autorização prévia dos pais.

Quem pode ser vacinado dentro da escola

A ação alcança os estudantes da rede pública municipal e estadual com menos de 15 anos. Pela estimativa da Secretaria da Educação (Sedu), 62.014 alunos nessa faixa etária serão atendidos somente na Rede Pública Estadual de Educação, número que inclui os atendidos pelo Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) no cumprimento de medidas socioeducativas.

Em resumo, o que vale para o estudante da rede pública:

  • Quem: crianças e adolescentes menores de 15 anos dos ensinos Infantil, Fundamental e Médio.
  • Quando: da segunda-feira (14) até o dia 30 deste mês.
  • Onde: nas próprias escolas públicas municipais e estaduais, em todo o Estado.
  • Quanto custa: nada. A vacinação é gratuita.
  • Condição: é preciso autorização prévia dos pais para que o estudante receba as doses.

Quais vacinas estarão disponíveis

As doses das vacinas de Febre Amarela, Tríplice Viral, Tríplice Bacteriana (DTP), Meningocócica ACWY e HPV 4 já estão disponíveis nas cidades para vacinação dos jovens. Com a autorização dos pais, os estudantes vão receber vacinas que protegem contra febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, meningites e contra o vírus que causa cânceres de colo de útero, anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe.

Segundo o calendário divulgado pela própria Sedu, é isto que cada uma delas cobre:

  • Febre Amarela (FA): contra febre amarela.
  • Tríplice Viral: contra sarampo, caxumba e rubéola.
  • Tríplice Bacteriana (DTP): contra difteria, tétano e coqueluche.
  • Meningocócica ACWY: contra meningites causadas pelos sorogrupos ACWY.
  • HPV 4: contra o vírus que causa cânceres de colo de útero, anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe.

Além do que já está previsto para a rotina nos municípios, a coordenação do Programa Estadual de Imunizações da Secretaria da Saúde (Sesa) pediu mais de 94 mil doses ao Ministério da Saúde (MS) para essa estratégia de vacinação.

“Além do quantitativo previsto de vacinas para a rotina nos municípios, o Programa Estadual de Imunizações também pediu ao Ministério da Saúde o envio das vacinas de doses adicionais das vacinas febre amarela, DTP, tríplice viral, entre outras, para atender a todos os municípios capixabas. É muito importante que os pais autorizem que os seus filhos sejam vacinados para protegê-los de doenças e, com isso, promovam também a saúde coletiva de todos agora e no futuro, com o controle e eliminação de doenças”, enfatizou a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações, Danielle Grillo.

Por que a vacina vai até a sala de aula

Uma semana de intensificação é um período com data marcada para começar e terminar, em que as equipes de saúde concentram esforços sobre um público específico em vez de esperar que ele apareça espontaneamente ao longo do ano. A escola entra como ponto de aplicação porque reúne, num mesmo endereço e horário, justamente a faixa etária que a campanha quer alcançar — o que permite conferir carteira por carteira e identificar quem está com doses atrasadas.

Dois termos se repetem nesse tipo de ação. Busca ativa é o trabalho de ir atrás de quem está com dose em atraso a partir do registro da carteira, em vez de aguardar a procura espontânea. Cobertura vacinal é o percentual do público-alvo que já recebeu determinada dose — é esse índice que a Semana de Intensificação tenta elevar, e é ele que aparece nos percentuais divulgados mais adiante.

De acordo com a coordenadora, os objetivos da ação de vacinação de crianças e adolescentes são reduzir a incidência dessas doenças, melhorar a cobertura vacinal com a redução de bolsões de não vacinados e conscientizar os estudantes sobre a importância da imunização, combatendo a desinformação sobre as vacinas.

A ação nas escolas, que dura até o final do mês, é fruto de uma parceria com a Sedu dentro do Programa Saúde na Escola (PSE), que é nacional. O PSE aproxima as redes de educação e de saúde para levar ações de prevenção para dentro das escolas, e é nele que a vacinação desta semana se encaixa. No Brasil, o objetivo é vacinar 90% dos 27,8 milhões de alunos de 109,8 mil escolas da rede pública de ensino.

A vacina da dengue fica fora das escolas

Há uma exceção que os pais precisam conhecer antes de assinar a autorização: a vacina da dengue, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos, não será ofertada nas ações dentro das escolas. Por isso, informa a Sedu, é importante que os pais levem os jovens às unidades básicas de saúde mais próximas de casa para se vacinarem.

Os números da dengue ajudam a explicar a insistência no tema. Segundo o Vacina e Confia ES, 106.150 jovens tomaram a primeira dose da vacina em 2024, o que representa 43% de cobertura vacinal, e apenas 39.255 tomaram a segunda dose, ou seja, 15%, completando o ciclo vacinal. A vacinação foi bem abaixo da meta de imunização, que é de 90%.

A distância entre os dois percentuais mostra onde o esquema se perde: boa parte de quem tomou a primeira dose não voltou para a segunda, e sem ela o ciclo vacinal não se completa. É esse intervalo entre 43% e 15% que a coordenação do Programa Estadual de Imunizações aponta como problema.

“A dengue pode matar. Não levar o adolescente para a aplicação das duas doses da vacina no prazo correto pode deixá-los expostos. Além disso, garantir a proteção da criança e adolescente com todas as vacinas disponíveis recomendadas pelas autoridades sanitárias é um direito deles”, explicou Danielle Grillo.

Confira se as vacinas estão em dia

O calendário divulgado pela Sedu lista o que é aplicado em cada idade. Serve para conferir a caderneta do estudante antes da chegada da equipe à escola.

Crianças

  • Recém-nascidos: BCG contra tuberculose miliar e meníngea e Hepatite B contra a hepatite B.
  • Com dois meses de vida: Penta contra difteria, tétano, coqueluche, Hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B (1ª dose); VIP contra poliomielite (1ª dose), Pneumo 10 contra meningite, pneumonia, otite média aguda causadas pelo pneumococo (1ª dose) e VORH contra gastroenterites (1ª dose).
  • Com três meses: Meningo C contra meningite C (1ª dose).
  • Com quatro meses: Penta contra difteria, tétano, coqueluche (2ª dose), Hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B (2ª dose), VIP contra poliomielite (2ª dose), Pneumo 10 contra meningite, pneumonia, otite média aguda causadas pelo pneumococo (2ª dose) e VORH contra gastroenterites (2ª dose).
  • Com cinco meses: Meningo C contra meningite (2ª dose).
  • Com seis meses: Penta contra difteria, tétano, coqueluche, Hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B (3ª dose), VIP contra poliomielite (3ª dose) e Covid-19 contra covid (1ª dose).
  • Com sete meses: Covid-19 contra covid (2ª dose).
  • Com nove meses: FA contra febre amarela (1ª dose), Covid-19 contra covid (3ª dose).
  • Com um ano: Pneumo 10 contra meningite, pneumonia, otite média aguda causadas pelo pneumococo (reforço), Meningo C contra meningite C (reforço) e Tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola (1ª dose).
  • Com um ano e três meses: DTP contra difteria, tétano e coqueluche (1º reforço), VIP contra poliomielite (reforço), H A inativada contra hepatite A e Tetra viral contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora (dose única).
  • 4 anos: DTP contra difteria, tétano e coqueluche (2º reforço), FA contra febre amarela (reforço) e Varicela contra catapora (2ª dose).
  • 9 anos: HPV4 recombinante contra o vírus HPV que causa cânceres de colo de útero, anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe.

Adolescentes

  • Hepatite B contra hepatite (a depender da situação vacinal até completar três doses).
  • dT contra difteria e tétano (a depender da situação vacinal até completar três doses).
  • FA contra febre amarela (a depender da situação vacinal).
  • Tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola (a depender da situação vacinal até completar duas doses).
  • HPV4 recombinante contra o vírus que causa cânceres de colo de útero, anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe (a depender da situação vacinal até os 14 anos de idade).
  • Meningocócica ACWY contra meningites causadas pelos sorogrupos ACWY (adolescentes de 11 a 14 anos).

Grávidas

  • Hepatite B contra hepatite (a depender da situação vacinal até completar três doses) e dT contra difteria e tétano (a depender da situação vacinal até completar três doses).
  • Na 20ª semana de gestação e puérperas até 45 dias, precisam tomar também a dTpa – acelular contra difteria, tétano e coqueluche.
  • Além da vacina Covid a cada gestação.

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