Operação Asfixia 25: 5ª fase termina com três pessoas presas

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Polícia (DP) de Marataízes, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão na quarta-feira, 21 de maio de 2025, na etapa que a corporação chama de 5ª fase da Operação Asfixia 25. Participaram 63 agentes e 20 viaturas. Três pessoas foram presas e autuadas em flagrante por tráfico de drogas: dois homens, de 22 e 30 anos, e uma mulher de 34 anos.

É a quinta etapa de uma operação da qual a nota oficial não descreve nenhuma das quatro anteriores. Não há data de início, não há quantas pessoas foram alcançadas antes, não há o que se apurou em cada rodada e não há intervalo entre uma e outra. O número da fase é a única coisa que o material informa sobre a história da operação — e ele, sozinho, não diz se as etapas ocorreram em semanas, meses ou anos.

O que a Operação Asfixia 25 apura, a nota não conta

O texto oficial descreve o objetivo em uma linha: combater o tráfico de drogas nos municípios de Marataízes e Itapemirim, na região sul do Espírito Santo. É a finalidade declarada, não o objeto da investigação. Fica de fora qual esquema é apurado, se há um grupo sob apuração, desde quando o trabalho corre e o que ligou uma fase à seguinte.

O nome também não é explicado. A nota não diz o que o 25 do batismo designa — pode coincidir com o ano da divulgação, mas o material em nenhum momento afirma isso, e supor seria completar o release por conta própria. Operação batizada costuma ter o nome explicado no anúncio; esta vem sem glossário.

Marataízes e Itapemirim aparecem em qual dos quatro papéis?

Uma nota policial costuma ter quatro lugares diferentes, e eles raramente coincidem. Nesta, apenas um está fixado com precisão:

  • Onde a conduta teria ocorrido — a nota não informa. Ela dá o alcance declarado da operação, não o endereço de crime nenhum.
  • Onde cada prisão aconteceu — a nota não reparte. Diz que as diligências ocorreram nos bairros Barra de Itapemirim, Ilmenita, Santa Rita, Pontal e Curvina, todos em Marataízes, e no bairro Graúna, em Itapemirim, mas não vincula nenhuma das três prisões a nenhum desses seis pontos.
  • Onde corre a apuração — este é o dado firme: a DP de Marataízes, unidade da Polícia Civil que conduziu a ação.
  • Qual juízo expediu as ordens — a nota não informa. Foram 12 mandados de busca e apreensão, e o material não diz de que vara ou comarca saíram.

Para quem mora em qualquer um dos dois municípios, a diferença não é detalhe. Ler os dois topônimos colados ao verbo prender sugere que houve prisão em cada um deles; o que a nota sustenta é que a operação foi feita nos dois e que a delegacia responsável é a de Marataízes.

Três pessoas, e a nota as coloca todas na mesma situação

Aqui não há a mistura de regimes que é comum nesse tipo de anúncio. O material trata as três da mesma forma: presas e autuadas em flagrante, todas por tráfico de drogas. As idades — 22, 30 e 34 anos — são todas de pessoas adultas, o que mantém o caso inteiro no regime comum, sem qualquer providência da legislação da infância.

O que fica em aberto é tudo o que vem depois do flagrante. A nota não diz se as três passaram por audiência de custódia, se a prisão foi mantida ou relaxada, se alguém saiu mediante fiança, nem para onde foram levadas. Autuação em flagrante é o registro do ato na delegacia; a permanência da prisão depende de decisão judicial posterior, que o material não menciona.

Há ainda uma lacuna de enquadramento. O único crime citado é o tráfico de drogas. Associação para o tráfico não aparece uma única vez, e são coisas distintas: o tráfico pune a conduta de quem comercia; a associação exige o vínculo estável entre duas ou mais pessoas para essa finalidade. Uma operação em cinco fases, com 12 mandados e seis bairros, é o tipo de arranjo que costuma acompanhar apuração de grupo — mas quem escreve isso é o leitor, não o órgão. O que o release enquadra é o flagrante do dia.

A lista de apreensões não tem dono, e a nota não pretende dar um

Em parágrafos vizinhos, o material informa o que foi recolhido e informa que três pessoas foram presas. Em nenhum ponto ele liga um item a uma pessoa. Quem lê corrido monta sozinho a ligação; ela não está escrita. O que a nota registra como apreendido, sem atribuir a ninguém e sem dizer em qual dos endereços cada coisa apareceu:

  • uma motocicleta;
  • R$ 8.890,00 em espécie;
  • 529 gramas de cocaína descrita como pura, mais 55 pinos de cocaína prontos para comercialização;
  • um pedaço de maconha pesando 130 gramas, mais cinco buchas de maconha;
  • quatro balanças de precisão;
  • cinco telefones celulares;
  • um simulacro de arma de fogo;
  • comprimidos utilizados para mistura de entorpecentes, sem quantidade informada.

Repare em como as duas drogas são medidas. A cocaína vem em gramas e em pinos; a maconha, em gramas e em buchas. São unidades diferentes para a mesma substância, e a nota não converte nem oferece total de peso — pino e bucha são porções de embalagem, cujo conteúdo varia. Somar, ou transformar unidades em gramas, produziria um número que o órgão não publicou.

Dois itens merecem o nome exato. Simulacro de arma de fogo é imitação: reproduz a aparência de uma arma, não dispara e não é arma — e ninguém foi enquadrado por arma no material. Quanto à cocaína descrita como pura, o adjetivo é do release; a nota não menciona laudo, perícia ou exame que sustente a classificação, que em geral só se confirma depois de análise laboratorial.

Doze mandados de busca não autorizam prender ninguém

A distinção decide como o leitor entende a ação do dia:

  • Mandado de busca e apreensão é ordem judicial sobre coisa e sobre lugar. Autoriza a equipe a entrar em um endereço determinado e recolher o que a decisão descreve. Não autoriza prender.
  • Prisão em flagrante não depende de ordem anterior: ocorre quando alguém é surpreendido durante o crime ou logo depois, e é formalizada por autuação na delegacia.

Foi essa a combinação aqui — a entrada nos imóveis teve amparo judicial, e as prisões vieram por flagrante durante as diligências. Ainda assim, a nota não diz quantos dos 12 endereços renderam apreensão, nem se as três pessoas presas estavam em imóveis alcançados por mandado.

Cinco apoios listados, nenhuma função descrita

Além da Polícia Civil, o material cita como apoio a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), a Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), a Guarda Civil Municipal de Marataízes, a Guarda Civil Municipal de Itapemirim e a Secretaria de Segurança de Marataízes. O efetivo de 63 agentes é descrito como policiais civis, militares e penais, guardas civis municipais e servidores dessa secretaria.

A nota lista os participantes e não descreve o que coube a cada um. Não há como saber, pelo texto, o que fez a polícia penal numa diligência de busca em residências, nem qual foi a tarefa dos servidores municipais. Vale registrar também que a Guarda Civil Municipal de Marataízes e a Secretaria de Segurança de Marataízes aparecem como dois apoios distintos do mesmo município, e o material não explica a relação entre elas — o que é diferente de dizer que não exista.

A avaliação oficial sobre o arranjo veio em uma frase:

A Operação Asfixia 25 reforça o trabalho integrado entre as forças de segurança reafirmando o compromisso das forças de segurança com o enfrentamento ao tráfico de drogas e à criminalidade na região

Quem assina a avaliação é o delegado Thiago Viana, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Marataízes. A frase trata do arranjo entre as corporações e não faz referência a nenhuma das três pessoas presas.

Arranjo parecido voltou a aparecer meses depois no mesmo município: em agosto, equipes da mesma delegacia, da PMES e da guarda municipal prenderam dois homens em flagrante por um assalto a motorista de aplicativo, com veículo e celular recuperados. É episódio posterior a este, com outras pessoas e outro tipo de ocorrência, e nada no material liga um caso ao outro.

Nove pontos que o release não cobre

  • Quando a Operação Asfixia 25 começou e em que datas ocorreram as quatro fases anteriores.
  • Quantas pessoas foram alcançadas nessas fases e qual foi o desfecho de cada uma.
  • O que a apuração investiga, além da finalidade genérica de combate ao tráfico.
  • O que o 25 do batismo designa.
  • Onde as condutas apuradas teriam ocorrido.
  • Em qual bairro e em qual município cada uma das três prisões se deu.
  • Que juízo expediu os 12 mandados.
  • Qual item apreendido foi encontrado com quem, e em qual endereço.
  • O que aconteceu depois do flagrante — custódia, manutenção da prisão, destino das três pessoas.

Nenhuma dessas ausências indica erro do órgão. Release de divulgação é peça curta, escrita no dia, e não tem a função de relatório. Mas quem lê o anúncio precisa saber onde ele para, porque o texto sugere um caso mais fechado do que aquele que descreve.

Como informar e a quem recorrer

Uma pergunta que o release deixa passar: o que originou as 12 ordens de busca. Ele não informa se as diligências vieram de denúncia da população, de investigação própria da delegacia ou das duas coisas somadas. A informação de serviço vale de qualquer forma, porque a operação alcançou endereços espalhados por seis bairros de dois municípios.

Quem tiver o que relatar sobre ponto de venda de drogas na região sul do Espírito Santo pode usar o 181. O Disque-Denúncia recebe a informação sem identificar quem liga e sem exigir que a pessoa compareça a qualquer unidade policial. Situação em curso, com alguém em risco naquele instante, é outro caso: aí o número é o 190, que despacha atendimento na hora.

Uma última nota sobre linguagem, porque ela muda o que o leitor guarda: as três pessoas estão autuadas em flagrante, o que é o começo do procedimento e não o seu fim. Não há, no material, indiciamento formal, denúncia apresentada, processo instaurado ou condenação. Chamar quem está nessa fase de traficante é antecipar decisão que ninguém tomou.

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

assassinato na Argentina

Assassinato na Argentina é descoberto por erro de ortografia

Erro de ortografia em WhatsApp revelou assassinato na Argentina; dois ex-funcionários foram presos.