Uma turma do Centro Estadual de Educação em Tempo Integral (CEEMTI) Baixo Guandu cumpriu uma visita à Câmara Municipal de Vereadores do município na semana anterior a 9 de julho de 2025, como atividade da eletiva SerOnu. O que o material oficial descreve é uma visita técnica de observação: os estudantes percorreram as dependências da Casa de Leis e ouviram explicações sobre como o Legislativo funciona. Não há registro de sessão simulada, de votação, de audiência nem de proposta estudantil apresentada aos vereadores.
O que a visita à Câmara Municipal mostrou à turma
Segundo o texto divulgado pela escola, o grupo foi recebido pelo presidente, pelo vice-presidente e pelo gerente legislativo da Casa. Com eles, os estudantes viram por dentro o prédio onde o município legisla, ouviram como se organiza uma sessão e receberam explicação sobre o papel dos vereadores, sobre os trâmites legislativos e sobre o peso da representação política para o desenvolvimento da cidade.
Vale marcar a diferença, porque ela define o alcance da atividade: conhecer o rito não é participar dele. Aprender como uma sessão se organiza e sentar-se numa sessão que delibera são coisas distintas, e o material sustenta a primeira. Nada no texto indica que a turma tenha assistido a uma sessão em andamento, redigido um texto de projeto ou levado uma demanda ao colegiado. O resultado da visita, pelo que o material afirma, é pedagógico — não produz efeito sobre nenhuma pauta da Casa.
A eletiva prepara para simular; a ida à Câmara foi conhecer
A visita entra como etapa do projeto SerOnu, que, ainda segundo o texto, prepara os estudantes para o debate e para a simulação diplomática, discutindo temas globais e também locais, com foco em quatro habilidades: liderança, oratória, argumentação e pensamento crítico. Eletiva é o componente que o próprio estudante escolhe cursar, dentro da carga horária ampliada do formato de tempo integral.
Ou seja: a simulação está no desenho do projeto, e a ida à Câmara funcionou como o repertório real que antecede o exercício. O material não informa se alguma simulação já foi realizada, nem se a visita alimentou alguma atividade avaliativa depois.
Foi uma experiência única ver nossos estudantes tão engajados e interessados em entender a política de perto. Tenho certeza de que essa vivência despertou neles um novo olhar sobre participação social e cidadania
A avaliação é da professora de Língua Inglesa Telmi de Carvalho Bonifácio, que responde pela iniciativa dentro da escola.
A leitura de quem estava na turma
Visitar a Câmara foi muito importante para mim. Percebi que a política está mais próxima do nosso dia a dia do que imaginava e me senti motivada a participar mais ativamente na comunidade
A frase é de uma estudante da 2ª série do Ensino Médio que participou da atividade. São as duas únicas falas do material — e as duas vêm de dentro da escola. Nenhuma pessoa que recebeu o grupo na Câmara é citada, nem nominalmente nem em declaração, de modo que o texto oficial não registra como a Casa avaliou a visita.
Por que o nome da estudante não aparece nesta matéria
É escolha editorial, não falha de apuração. Estudante da educação básica não é identificado aqui quando o nome apenas ilustra a atividade: numa escola de município pequeno, nome somado a série, curso e cidade aponta uma pessoa dentro de uma turma, e o registro fica indexado para sempre. A fala foi mantida íntegra, sem cortes por dentro, e a atribuição vai pela função. O nome da professora permanece porque ela responde pela iniciativa como profissional.
As perguntas que o texto oficial deixa em aberto
- Quantos estudantes foram e de quais turmas. O material não traz número de participantes nem quantas turmas a eletiva reúne.
- A data exata. Só se diz que a visita ocorreu na semana anterior à divulgação; dia e horário não constam.
- Se havia sessão em curso. Não se informa se a Casa estava em atividade ou se o roteiro foi feito com o prédio fora de sessão.
- O que faz o gerente legislativo. O cargo é citado sem que o texto explique a função nem se ela é administrativa ou de assessoramento.
- Como a eletiva funciona. Carga horária, número de vagas, critério de inscrição e desde quando o projeto existe na escola não aparecem.
- O que significa o nome SerOnu. O texto usa o rótulo sem explicá-lo em nenhum momento.
- Se a Câmara mantém programa de visitas. Não há informação sobre agendamento por outras escolas ou pelo público.
O material é comunicação institucional da escola, e traz um lado só. A ausência de qualquer avaliação crítica não significa que ela não exista — significa que não foi ouvida.
Não há anúncio de continuidade
O texto não informa nenhum desdobramento: não anuncia nova visita, sessão jovem, projeto de lei estudantil nem parceria formalizada entre a escola e a Câmara. Isso é silêncio do material, e não negativa — não se afirma aqui que a atividade terminou sem continuidade, apenas que nada foi divulgado a respeito.
A saída da sala como método, dentro e fora do município
A ida ao Legislativo não é a primeira saída registrada por estudantes da cidade: em outubro de 2024, uma turma de Baixo Guandu já havia visitado um laboratório de referência em Vitória — saída anterior, de outra área e sem ligação com esta. Três dias antes da visita à Câmara, em 6 de julho de 2025, estudantes de Guarapari cumpriram visita técnica a uma empresa, em outro município e por outro motivo. Postos lado a lado, os dois registros mostram que a aula fora da escola se repete nos registros do período — cada um deles trata, porém, de um dia diferente, e nenhum narra o que aconteceu na Casa de Leis.
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