Câmara faz sessão solene por vítimas do 7 de outubro

A Câmara dos Deputados realizou em Brasília (DF), na quarta-feira (15), uma sessão solene em homenagem às vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel. A cerimônia foi proposta e conduzida pelos deputados federais Gilberto Abramo (MG) e Márcio Marinho (BA), ambos do Republicanos, e reuniu parlamentares de vários partidos, representantes da sociedade civil e uma integrante da Embaixada de Israel.

Vale entender o que é esse tipo de sessão, porque o nome confunde. Sessão solene é reunião de homenagem: a Câmara suspende a pauta de votações para marcar uma data ou prestar uma comemoração. Não há projeto em análise, não há votação e não sai dali nenhuma decisão com efeito legal. O que a sessão produz são discursos — e, por isso, tudo o que segue abaixo é posição de quem falou no plenário, com nome e cargo, e não conclusão da Câmara nem dado oficial produzido por ela.

Quem propôs a sessão e a que título

Gilberto Abramo é líder do Republicanos na Câmara e preside o Grupo de Amizade Brasil-Israel. Márcio Marinho integra a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e também faz parte do mesmo grupo de amizade.

Grupo de amizade parlamentar, aqui, é outro termo que merece tradução: trata-se de um agrupamento informal de parlamentares voltado ao relacionamento com um determinado país. Ele organiza visitas, recebe delegações e propõe atos como esse, mas não tem poder de decidir política externa nem de assinar compromisso em nome do país — isso corre por outra via.

No discurso de abertura, Abramo sustentou que a paz depende de ação continuada, e não de comoção pontual.

Lembrar essa data não é apenas rememorar um episódio trágico. É reafirmar que a paz não nasce da omissão, mas de atitudes que promovem respeito, empatia e responsabilidade. É fácil se comover diante da tragédia. Difícil é manter o compromisso com o bem depois que o tempo passa e o noticiário muda

A declaração é do deputado Gilberto Abramo, líder do Republicanos na Câmara e presidente do Grupo de Amizade Brasil-Israel.

Os números do ataque apresentados no plenário

Os balanços lidos durante a sessão contabilizaram 1.139 vidas perdidas em Israel, entre civis, militares e policiais, além de mais de 3.400 feridos e 247 pessoas sequestradas. São os dados apresentados na cerimônia pelos organizadores e convidados.

A representante da Embaixada de Israel, Rasha Atamny, classificou o ataque como o pior contra judeus desde o Holocausto e falou sobre o retorno dos reféns.

Naquele dia, Israel sofreu uma tragédia que separou famílias e destruiu a sensação de segurança em lares que, apenas um dia antes, estavam repletos de amor, música e risos. Após mais de dois anos de cativeiro em condições desumanas, os reféns restantes retornaram para casa. 20 deles de pé, mas 28 em caixões

A fala é de Rasha Atamny, representante da Embaixada de Israel.

Marinho falou em paz e citou também as vítimas de Gaza

Márcio Marinho dedicou seu discurso ao que descreveu como compromisso do Brasil com uma paz duradoura no Oriente Médio, com a defesa do diálogo diplomático e com o respeito aos direitos humanos.

Que a memória das vítimas do 7 de outubro permaneça viva como um chamado à humanidade. Que possamos, a partir dessa lembrança, trabalhar por um mundo em que a intolerância jamais encontre espaço e em que a paz seja o maior compromisso entre os povos

O trecho é do deputado Márcio Marinho, membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

Foi também Marinho quem trouxe ao plenário as vítimas de Gaza. As estimativas citadas na sessão apontam mais de 65 mil palestinos mortos e cerca de 165 mil feridos.

Ao homenagearmos as vítimas do 7 de outubro, também estendemos nossa compaixão a todos os inocentes, israelenses e palestinos, que perderam suas vidas, seus lares e seus sonhos em meio à violência

A afirmação é do deputado Márcio Marinho.

O que os convidados disseram sobre antissemitismo

Diretora da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), Célia Parnes afirmou que o antissemitismo nunca foi extinto e que apenas mudou de forma.

Ele retorna agora disfarçado de nova linguagem, mas com a mesma intenção de deslegitimar e isolar

A avaliação é de Célia Parnes, diretora da CONIB.

Ainda segundo Parnes, os crimes de antissemitismo registrados no Brasil cresceram mais de 1000% desde o ataque de 2023. O número foi apresentado por ela no plenário e é atribuído à entidade que dirige.

Se me perguntarem se alguma vez eu tive medo em relação às minhas origens, aqui no nosso país, posso responder que nunca. Mas hoje, talvez por estar mais exposta às informações que circulam em diversos grupos da minha comunidade, não posso ignorar a dura realidade

O relato também é de Célia Parnes.

Na sequência, Gilberto Abramo apresentou levantamentos de entidades estrangeiras. Citou a Liga Antidifamação dos Estados Unidos, cujas pesquisas, segundo ele, registraram alta de 400% em incidentes antissemitas logo após os ataques de outubro, e um relatório atribuído por ele à Agência Judaica e à Organização Sionista Mundial.

Esse cenário se repete globalmente. O relatório da Agência Judaica e da Organização Sionista Mundial aponta que os casos de antissemitismo aumentaram 340% no mundo. Esses dados revelam com clareza que o atentado não visava apenas causar mortes e medo em Israel, mas desestabilizar a imagem do povo judeu e fomentar o ódio no mundo

A conclusão é do deputado Gilberto Abramo. Os percentuais de 1000%, 400% e 340% citados ao longo da sessão são de levantamentos das entidades mencionadas pelos oradores, não de estatística oficial brasileira, e cada um mede coisa diferente: registros de crime no Brasil, incidentes contados nos Estados Unidos e casos compilados em escala mundial.

Como foi a cerimônia

A sessão teve apresentações musicais do Quinteto de Sopro regido pelo Maestro Thiago Francis e acompanhou o roteiro habitual desses atos: fala dos proponentes, discursos de convidados e homenagem à data. Estiveram no plenário deputados de vários partidos e representantes da sociedade civil.

Encerrada a sessão, nada muda em termos de lei ou de política pública: o ato tem valor simbólico e fica registrado como sessão realizada. Qualquer medida concreta sobre os temas tratados nos discursos precisaria seguir o caminho ordinário — projeto apresentado, análise em comissão, votação em plenário e, quando for o caso, as etapas seguintes de tramitação antes de virar norma.

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