R$ 18 milhões sem explicação: o silêncio que assombra a CPMI do INSS

De fato, o depoimento mais aguardado da semana na CPMI do INSS terminou em frustração. Primeiramente, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-chefe da Procuradoria-Geral do órgão, recusou-se a esclarecer como seu patrimônio cresceu R$ 18 milhões em apenas cinco anos. Amparado por habeas corpus do ministro Luiz Fux, do STF, ele compareceu à comissão nesta quinta-feira (23) e limitou-se a prometer: “Tudo será esclarecido”.

Além disso, o ex-procurador sequer prestou compromisso formal, seguindo orientação de sua advogada. Ou seja, suas declarações não carregam o peso legal de um testemunho juramentado.

Suspeitas pesam sobre acordos fraudulentos

Nesse sentido, parlamentares apontam que Oliveira Filho teria chancelado convênios irregulares entre associações e o INSS, além de sabotar mecanismos de fiscalização sobre descontos em benefícios previdenciários. Consequentemente, ele figura como peça central no esquema que desviou recursos de aposentados.

Em contraste com a gravidade das acusações, o depoente discorreu apenas sobre sua trajetória funcional. Afirmou ser servidor da Advocacia-Geral da União desde 2006 e declarou-se apartidário, sem padrinhos políticos, tendo servido governos de diferentes espectros ideológicos.

Reunião com lobista levanta questionamentos

Por outro lado, Oliveira Filho confirmou participação em encontro com o atual ministro Wolney Queiroz, então secretário-executivo da Previdência. Dessa forma, admitiu que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, também esteve presente. Certamente, a revelação intensificou desconfianças sobre vínculos entre autoridades e intermediários suspeitos.

Assim sendo, o ex-procurador também silenciou sobre empresas vinculadas à sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, que já havia deposto anteriormente.

Presidente da CPMI cobra prisões ao Supremo

Finalmente, o senador Carlos Viana fez apelo público ao ministro André Mendonça para decretar as 19 prisões já aprovadas pela comissão. Sem dúvida, a pressão parlamentar reflete a indignação popular diante da impunidade.

Portanto, a CPMI segue com agenda intensa. Entre os próximos convocados estão o ex-ministro Ônix Lorenzoni, dirigentes sindicais e familiares de investigados, sinalizando que as apurações ainda reservam revelações significativas para as próximas semanas.

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