Acesso ao Monte Aghá é entregue pavimentado; UPA é só anúncio

O acesso ao Monte Aghá, entre Itapemirim e Piúma, no litoral sul do Espírito Santo, está pavimentado. O governador Renato Casagrande entregou a obra no sábado (15): 2,8 quilômetros de blocos intertravados ligando a Rodovia ES-060 à comunidade de Artemis, com investimento de R$ 3,29 milhões do programa Caminhos do Turismo. Na mesma agenda, o governador anunciou o repasse de R$ 12,4 milhões para a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tipo I no município.

São dois estágios diferentes, e vale separar um do outro: a estrada está pronta e liberada, já entregue. A UPA, não. O que existe até aqui é o convênio que formaliza a implantação da unidade — nem obra iniciada, nem atendimento aberto. O material divulgado pelo Governo do Estado não informa data de início das obras nem previsão de quando a unidade começará a atender.

O que foi pavimentado: da ES-060 até Artemis

A intervenção foi executada pela Secretaria de Turismo (Setur) e cobriu os 2,8 quilômetros do trecho que liga a Rodovia ES-060 à comunidade de Artemis. A escolha por blocos intertravados, em vez de asfalto convencional, tem uma razão prática: as juntas entre as peças deixam a água escoar para o solo em vez de correr por cima da pista. Isso reduz poça, erosão e o desgaste que obriga a refazer o pavimento com frequência — o motivo pelo qual esse tipo de piso é comum em vias de baixa velocidade e em trechos que sofrem com chuva.

E era exatamente esse o problema do trecho. Segundo o Governo do Estado, o caminho apresentava dificuldades de circulação em períodos de chuva. É o que muda de imediato para quem sobe: a estrada de acesso deixa de depender do tempo.

Essa é uma obra importante para potencializarmos o turismo de Itapemirim, Piúma e de toda essa linda região que envolve o Monte Aghá. Um local com uma vista linda e ótimo para exercícios ao ar livre. Vamos seguindo investindo em obras para dar aos moradores toda a estrutura necessária para uma melhor qualidade de vida e, consequentemente, atrair mais visitantes. Temos um Estado cada vez mais estruturado para que possamos ter no turismo um dos pilares do nosso desenvolvimento

A avaliação é do governador Renato Casagrande.

Como se chega ao Monte Aghá — e o que a obra não cobriu

Para quem está planejando a visita, o caminho descrito pelo Governo do Estado é este: sai-se da Rodovia ES-060, a estrada que corta o litoral capixaba, e segue-se pelo trecho até a comunidade de Artemis. É esse pedaço, e só ele, que recebeu o piso novo. O acesso está entregue e em uso.

Vale o registro para não criar expectativa errada: o material do Governo do Estado trata da via de acesso, e não descreve intervenção nas trilhas do morro. Quem vai para caminhada, contemplação da natureza ou ecoturismo — os usos que o Estado aponta como principais atrativos do lugar — chega de carro em melhores condições, mas o percurso a pé continua como era. Não há, no material divulgado, informação sobre horário de visitação, cobrança ou estrutura de apoio no local.

O Monte Aghá é apontado pelo Estado como um dos principais cartões-postais do litoral sul capixaba. A expectativa oficial é que o acesso melhor aumente o fluxo de visitantes e beneficie pousadas, restaurantes, guias turísticos e pequenos comércios da região. A obra entra num conjunto de ações do Estado no município: em setembro, o Governo já havia anunciado repasses para escolas e melhorias em acesso turístico em Itapemirim.

A UPA foi anunciada — o que isso quer dizer na prática

O anúncio da UPA é a parte da agenda que ainda não virou serviço. O repasse de R$ 12,4 milhões se destina à construção da unidade, e o convênio formaliza a implantação. Nenhuma dessas etapas é inauguração: até que a obra seja feita e a unidade abra as portas, quem precisar de urgência em Itapemirim segue usando a rede que já existe hoje.

Uma UPA é a porta de entrada de urgência que fica entre a unidade básica de saúde, que atende em horário comercial e casos de menor gravidade, e o hospital, que faz internação e cirurgia. Ela recebe quem precisa de atendimento imediato fora do horário do posto e estabiliza o paciente antes de uma eventual transferência. A classificação informada para a de Itapemirim é Tipo I, categoria que define o porte da unidade e, com ele, a estrutura que ela comporta.

Seis leitos de observação e um de isolamento, quando funcionar

Pelo projeto anunciado, a unidade terá seis leitos de observação e um leito de isolamento, e deverá funcionar 24 horas por dia. Entre os serviços previstos estão exames laboratoriais, atendimento pediátrico, estabilização de pacientes, administração de medicamentos e permanência em observação.

O leito de isolamento merece explicação, porque costuma passar batido: é o quarto separado para casos com suspeita de doença transmissível, que evita que um paciente contamine os demais enquanto aguarda diagnóstico. Já a permanência em observação é o período em que a pessoa fica na unidade para acompanhamento, sem contar como internação hospitalar — a diferença que separa a UPA do hospital.

É com grande satisfação que anunciamos a construção da UPA de Itapemirim. Essa será uma entrega estruturante, pensada para responder à crescente demanda da região e fortalecer toda a rede de atenção à saúde. Itapemirim ganha um equipamento essencial e o Estado reafirma seu compromisso de trabalhar lado a lado com os municípios para construir um SUS cada vez mais eficiente, humano e acessível

A declaração é do secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann.

Segundo o Estado, a unidade deve agilizar o acesso a tratamentos e reforçar a rede de urgência e emergência da região sul. Os prazos, porém, ficaram de fora do anúncio: não há data divulgada para o início da construção nem para o primeiro dia de atendimento.

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