A 50ª edição do congresso mundial de medicina veterinária de pequenos animais aconteceu no Rio de Janeiro, entre 25 e 27 de setembro de 2025, e reuniu 5.200 participantes, 112 expositores e representantes de 92 países. O encontro é conhecido pela sigla WSAVA, iniciais em inglês de World Small Animal Veterinary Association Congress — o congresso da associação mundial dos veterinários que cuidam de cães, gatos e outros animais de companhia.
Foram três dias de palestras e debates sobre avaliação clínica, nutrição, comportamento, manejo de dor, cirurgia e novas tecnologias. Os números de público, a descrição da programação e as falas reproduzidas aqui vêm da cobertura publicada pelo portal Cães e Gatos, assinada por Camila Santos em 23 de novembro de 2025.
Os números do congresso medem coisas diferentes
Vale separar o que cada número conta, porque a versão que circulou embaralhou os três. Os 5.200 são participantes — palavra mais ampla do que profissionais, porque não distingue quem já se formou de quem ainda estuda. Os 92 são países com representantes presentes, o que não é o mesmo que delegação oficial de cada país. E os 112 expositores são empresas e instituições com estande: a parte comercial que corre ao lado das palestras em congressos desse porte.
Há ainda a confusão dos 50 anos. O que a cobertura descreve é a 50ª edição do congresso, e não meio século de fundação de uma entidade — o texto de origem diz que a WSAVA sustenta sua missão há meio século, o que é frase de balanço, não dado de aniversário institucional.
A avaliação do presidente do congresso sobre a recepção brasileira
A ideia de que o evento ganhou uma energia brasileira não é uma medição: é a avaliação de quem organizou o congresso e de quem escreveu a cobertura. O presidente do evento resumiu assim a passagem pelo Rio:
“Ficamos encantados com a cultura, a energia contagiante e a atmosfera incrível que envolveu todo o evento. A hospitalidade e o entusiasmo de todos tornaram a experiência ainda mais especial — foi realmente inspirador”
A avaliação é de Dr. Jim Berry, presidente da WSAVA 2025.
A mesma cobertura descreve a edição comemorativa como um reencontro pós-pandemia, em que a colaboração internacional e o fortalecimento das associações locais ganharam novo destaque. É a leitura do material de origem sobre o próprio evento, e não uma apuração independente.
O que a Anclivepa levou ao último dia do evento
No encerramento, a Anclivepa — Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais — reuniu centenas de congressistas em uma programação paralela. Especialistas de Ortopedia, Gastroenterologia, Dermatologia e Oftalmologia apresentaram casos, resultados de pesquisa e atualizações clínicas.
Dois termos aparecem sempre nesse tipo de programação e merecem tradução. Educação continuada é o estudo que segue depois da faculdade: cursos, congressos e atualizações ao longo da carreira. Medicina baseada em evidências é a decisão clínica apoiada em estudos publicados e resultados medidos, e não apenas na experiência pessoal de cada profissional.
O que a professora da UENF apresentou sobre cirurgia ginecológica
Entre os convidados esteve a médica-veterinária e professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Tainara Micaele, que ministrou a palestra Cirurgias ginecológicas: abordagens avançadas. Segundo a cobertura, ela apresentou técnicas e protocolos atualizados para o tratamento cirúrgico de afecções reprodutivas em fêmeas — problemas no aparelho reprodutor —, com ênfase na necessidade de conhecer a fundo a anatomia e a fisiologia envolvidas em cada procedimento.
“As cirurgias ginecológicas em pequenos animais evoluíram significativamente nos últimos anos, tanto em termos de técnica quanto de segurança para os pacientes. Hoje, não basta apenas executar o procedimento: é fundamental compreender a fundo os processos fisiológicos e as possíveis complicações. Além disso, a adoção de protocolos individualizados faz toda a diferença no sucesso cirúrgico”
A declaração é da professora Tainara Micaele, da UENF, que completou:
“A atualização constante e a troca de experiências são essenciais para que possamos oferecer um atendimento cada vez mais eficiente”
Nutrição e dermatite: o que foi apresentado ainda não é receita
Outro momento destacado foi a palestra de Marconi Farias, apresentado pelo material de origem como professor adjunto e doutor na área de Clínica Veterinária de Animais de Companhia, com mestrado em Ciência Animal. O tema foi a nutrição e a suplementação em cães com dermatite — o nome que se dá à inflamação da pele.
De acordo com a cobertura, a apresentação discutiu como determinados nutrientes exercem papel direto na modulação da inflamação e na integridade da barreira cutânea, a função de proteção da pele, reduzindo a necessidade de terapias farmacológicas prolongadas.
Nada disso é orientação de tratamento, e a diferença importa para quem tem um animal em casa. O material não traz nome de nutriente, dose, produto nem indicação para um caso específico. Congresso é o lugar onde pesquisa é apresentada e discutida entre profissionais — o que não a transforma, sozinha, em conduta recomendada. Trocar a alimentação ou introduzir suplemento em um animal doente é decisão de quem examina o animal e acompanha o caso.
De onde veio este material
A cobertura de origem foi publicada pelo portal Cães e Gatos, com assinatura de Camila Santos, e termina convidando o leitor a ler o artigo completo na edição de novembro (nº 315) da Revista Cães e Gatos, publicação de mesmo nome. Ou seja: o texto que descreve o congresso também divulga uma edição da própria casa.
Isso não invalida os números nem as falas, que seguem atribuídos a quem os disse. Mas explica o tom elogioso e recomenda ler cada avaliação sobre o desempenho brasileiro como avaliação de parte interessada, e não como medição independente. A programação paralela do último dia, por sua vez, foi organizada por uma associação do setor, e os 112 estandes lembram que congresso científico também é feira de negócios.
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