Caçamba furtada da Prefeitura de Águia Branca é recuperada

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) recuperou em Cachoeiro de Itapemirim, na região Sul do Estado, a caçamba de um caminhão da Prefeitura de Águia Branca furtada quatro dias antes. A ação foi nessa terça-feira (18), no distrito de Arariguaba, e terminou com a prisão de um homem de 52 anos, proprietário de um ferro-velho, suspeito de receptação. Ele foi conduzido ao Centro de Triagem de Viana (CTV), onde permanece à disposição da Justiça.

O equipamento havia sido furtado no dia 14 de novembro, na Rodovia do Café (ES-080), em área rural do município de Águia Branca. A Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) iniciou as diligências assim que tomou conhecimento do furto e obteve informações de que a caçamba estava circulando instalada em outro veículo, na região Sul do Estado.

O que as imagens do cerco inteligente mostraram

O rastreamento saiu das câmeras do sistema de Cerco Inteligente do Governo do Estado, que registra a passagem de veículos pelas rodovias e permite reconstruir por onde um veículo circulou depois que ele já passou. Foi assim que a equipe localizou a carga em movimento:

Por meio de imagens do cerco Inteligente do Governo do Estado, foi possível identificar que a caçamba do caminhão estava sendo utilizada em um caminhão Ford Cargo, que seguia sobre um veículo tipo guincho, em direção ao município de Rio Novo do Sul, por volta das 8 horas

A descrição é do chefe da Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), delegado Marco Aurélio Ferreira Oliveira.

Um detalhe do trajeto costuma se perder na hora de resumir o caso, e ele muda o mapa: Rio Novo do Sul era o destino do transporte, não o lugar da recuperação. A caçamba foi alcançada antes, em Arariguaba, distrito de Cachoeiro de Itapemirim, ainda instalada no caminhão Ford Cargo que era levado sobre o guincho — e não parada dentro do ferro-velho, que só entrou na ação no passo seguinte.

A abordagem ao guincho e o que havia dentro da caçamba

Em Arariguaba, a equipe abordou o motorista do guincho que transportava o caminhão Ford Cargo com a caçamba instalada. Segundo o delegado, foi o conteúdo da própria caçamba que abriu a segunda etapa da ação:

No interior da caçamba foi encontrada uma cabine de caminhão totalmente envolvida por plástico preto. O condutor relatou já ter realizado aproximadamente quatro transportes de peças de caminhão para um ferro-velho.

Com essa informação, os policiais civis se deslocaram até o ferro-velho, no mesmo distrito. O comunicado da Polícia Civil não informa se alguma medida foi adotada em relação ao motorista do guincho, nem o identifica. No local, ainda de acordo com o chefe da DFRV:

Em entrevista preliminar, o proprietário, um homem de 52 anos, afirmou ter adquirido a cabine de caminhão de um homem de 26 anos, pelo valor de R$ 1.000,00

O relato é atribuído pela Polícia Civil ao próprio proprietário do estabelecimento, em conversa preliminar — não a um interrogatório formal.

Três motores Cummins com sinais identificadores adulterados

No ferro-velho, a DFRV fez uma vistoria veicular, atribuição administrativa da divisão que corre em paralelo à apuração criminal. Foram encontrados três motores da marca Cummins com sinais identificadores adulterados e uma cabine sem etiquetas de identificação.

Sinais identificadores são as numerações gravadas de fábrica em peças como motor e chassi. Elas amarram cada peça a um veículo específico. Quando são limadas, raspadas ou regravadas, a peça perde a origem rastreável — e é justamente esse rastro que a vistoria procura. O homem de 52 anos ainda declarou ter quebrado seu aparelho celular antes da chegada da equipe policial.

Furto e receptação são crimes diferentes, e o vínculo entre eles não foi estabelecido

Este é o ponto que não pode ficar ambíguo. O homem preso é suspeito de receptação, e não de furto. Nada no que a Polícia Civil divulgou aponta quem levou a caçamba da Rodovia do Café. Encontrar o bem não prova quem o subtraiu, e ter uma peça consigo não é o mesmo que tê-la furtado — a apuração continua justamente porque essa ligação ainda não foi feita.

Os termos que aparecem no caso não são intercambiáveis:

  • Furto é subtrair coisa alheia móvel sem violência e sem grave ameaça a pessoa. É o que a Polícia Civil informa ter ocorrido em Águia Branca no dia 14.
  • Roubo é a subtração feita com violência ou grave ameaça. É outro crime, com pena maior. Não é o caso aqui: chamar de roubo o que foi comunicado como furto descreve um episódio que não aconteceu.
  • Receptação é adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar coisa que se sabe ser produto de crime. Quem é suspeito de receptação não é, por isso, suspeito de ter praticado o crime anterior.

Vale reter também o estágio processual: prisão não é condenação, e o suspeito não foi julgado. Enquanto não houver sentença condenatória definitiva, ele é inocente.

As fases que ainda separam a prisão de um processo

A expressão à disposição da Justiça costuma soar como caso encerrado. Não é. Da prisão até uma eventual condenação existe um percurso, e cada etapa decide uma coisa diferente:

  • Custódia. A pessoa presa é levada a uma unidade — aqui, o Centro de Triagem de Viana (CTV) — e ali permanece enquanto sua situação é analisada.
  • Audiência de custódia. Nas horas seguintes, um juiz vê a pessoa presa e decide se relaxa a prisão, se a converte em preventiva, se aplica medidas cautelares ou se ela responde em liberdade. Essa audiência não julga culpa: ela controla a legalidade da prisão e verifica se houve maus-tratos.
  • Inquérito policial. A polícia reúne perícia, imagens, documentos e depoimentos. Ao final, pode indiciar. Indiciamento não é condenação — é a conclusão da autoridade policial sobre quem, na avaliação dela, deve responder formalmente.
  • Denúncia. O órgão de acusação recebe o inquérito e decide se apresenta denúncia, se pede novas diligências ou se pede o arquivamento.
  • Processo. Só quando um juiz recebe a denúncia é que passa a existir processo e a pessoa passa a ser ré. A defesa se manifesta, as provas são produzidas em juízo e só então vem a sentença, ainda sujeita a recurso.

No caso da caçamba, a Polícia Civil declarou dois objetivos para a continuidade das investigações: identificar e capturar os demais envolvidos e recuperar a cabine do veículo subtraído, que segue sem localização.

Como comunicar furto de veículo ou peça de origem duvidosa

Os canais para acionar a polícia ou repassar informação são estes:

  • 190 — emergência policial, para o fato que está acontecendo agora: veículo sendo levado, carga sendo transferida, transporte irregular em curso. Tenha à mão placa, cor, modelo e o sentido em que o veículo seguiu.
  • 181 — Disque-Denúncia, para informação sobre fato já ocorrido, ponto de desmanche ou peça de procedência duvidosa. Não é preciso se identificar.

Para quem compra peça usada, a precaução é documental: exigir nota fiscal, conferir se a numeração do motor e do chassi está íntegra e legível e guardar o comprovante da transação. Peça cuja origem não pode ser demonstrada expõe o comprador a responder pela aquisição, mesmo depois de o negócio estar fechado.

A caçamba pertencente ao caminhão da Prefeitura de Águia Branca foi recuperada.

Leia também no Direto Notícias

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

resgate na Segunda Ponte

Guarda de Vitória realiza resgate na Segunda Ponte

Guardas municipais realizaram resgate na Segunda Ponte de mulher que estava no parapeito da estrutura na madrugada de segunda-feira.