O Senado Federal gastou R$ 2.304.711,93 para recuperar instalações, bens e equipamentos danificados na invasão de 8 de janeiro de 2023. O valor, arredondado para cerca de R$ 2,3 milhões, foi executado nos meses seguintes ao episódio e cobre reparos de engenharia, troca de carpete, restauro de tapeçarias e reposição de equipamentos. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (8), quando se completam três anos dos atos que, no registro da Agência Senado, destruíram parte das dependências das sedes dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Na mesma prestação de contas, a Casa lista as medidas de segurança adotadas ao longo dos últimos três anos — da inspeção obrigatória de quem entra no prédio à convocação de mais de 160 novos policiais legislativos.
Em que foram gastos os R$ 2,3 milhões
O detalhamento do valor, item a item, mostra que mais de dois terços do total ficaram em duas frentes: a estrutura física danificada e o piso do Complexo Arquitetônico. A distribuição informada é a seguinte:
- R$ 889,4 mil em reparos de engenharia, vidros e estrutura;
- R$ 818,2 mil na substituição do carpete;
- R$ 236,2 mil na restauração da tapeçaria de paredes;
- R$ 234,2 mil no restauro dos sistemas de segurança e de viaturas;
- R$ 84 mil no restauro de objetos musealizados e decorativos;
- R$ 23,8 mil na reposição e no restauro de bens e móveis;
- R$ 18,7 mil na reposição e no restauro de equipamentos de informática.
Para chegar a esses resultados, o Senado contratou profissionais para reparos de engenharia e para a restauração de obras, objetos e mobiliários, além de comprar equipamentos e insumos. Móveis e equipamentos foram restaurados, renovados, reconstruídos, ajustados, alinhados, revitalizados ou substituídos, conforme o estado de cada peça.
O que o valor cobre e o que ele não cobre
Os R$ 2,3 milhões correspondem ao dinheiro efetivamente gasto para restabelecer instalações, bens e equipamentos do Complexo Arquitetônico. É uma conta de reparo, com recorte de tempo definido: os meses seguintes ao 8 de Janeiro de 2023.
As medidas de segurança são outra coisa. Elas se estendem por um período mais longo — os últimos três anos — e o levantamento divulgado não informa quanto custaram. Uma única rubrica atravessa os dois lados: os R$ 234,2 mil de restauro dos sistemas de segurança e de viaturas, que aparecem na conta de reparo porque recompõem o que existia antes, e não porque ampliem a proteção. Somar as duas listas, portanto, produziria um número que o material não sustenta.
Os dados são atribuídos à Assessoria de Imprensa do Senado Federal e foram publicados pela Agência Senado.
O que mudou para entrar no prédio
A mudança mais visível para quem circula no Senado está no Ato da Primeira Secretaria 1/2023. A norma determina que todos os colaboradores e visitantes da Casa sejam submetidos a procedimentos de inspeção em pórtico e raio-x.
O alcance da regra é o ponto: ela não separa quem trabalha no prédio de quem vai visitá-lo. Pórtico detector é o portal fixo que acusa metal quando a pessoa passa; o raio-x faz o mesmo com bolsas, mochilas e volumes, na esteira. Antes do ato, o rastreio não era obrigatório para todo mundo que entrava.
Nos acessos principais ao Palácio do Congresso Nacional foram instaladas películas antivandalismo. São filmes aplicados sobre o vidro que não impedem a quebra, mas seguram os cacos no lugar quando a superfície é atingida — o que retarda a passagem por ali e reduz o risco de corte.
As cinco frentes citadas pelo Senado
O balanço organiza a resposta institucional em cinco linhas de ação:
- 1. Inspeção obrigatória. O Ato da Primeira Secretaria 1/2023 estendeu pórtico e raio-x a colaboradores e visitantes.
- 2. Blindagem dos acessos. Películas antivandalismo nos principais pontos de entrada do Palácio do Congresso Nacional.
- 3. Equipamentos de controle de distúrbios civis. Aparato usado para conter aglomerações e tumultos sem recorrer a arma de fogo.
- 4. Treinamento da Polícia Legislativa. Formação de operadores químicos, inteligência e condução de cães farejadores.
- 5. Reforço de efetivo. Mais de 160 novos policiais legislativos admitidos por concurso público ao longo dos últimos dois anos.
Vale registrar a diferença de prazos dentro dessa lista: a contratação dos mais de 160 policiais é atribuída aos últimos dois anos, enquanto o conjunto das medidas de segurança é descrito no período de três anos desde a invasão.
Por que o restauro não é uma reforma comum
Parte do que foi danificado não podia ser simplesmente comprada de novo. Os R$ 84 mil de objetos musealizados se referem a peças registradas em acervo por seu valor histórico ou artístico: nesses casos, a intervenção exige profissional de restauro, que recupera a peça original em vez de substituí-la. O mesmo vale para a tapeçaria de paredes, cujo conserto respondeu por R$ 236,2 mil.
Já a informática, com R$ 18,7 mil, é a menor linha da conta — sinal de que os equipamentos de tecnologia foram os menos atingidos entre os itens listados. Além dos reparos, o Senado informa ter feito melhorias nos sistemas de segurança e na infraestrutura tecnológica existentes.
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