A Secretaria da Educação (Sedu) e o Cefope reuniram nesta quarta-feira (07) diretores e coordenadores pedagógicos das escolas estaduais do Espírito Santo que passam a integrar o Programa Escola do Futuro a partir deste ano. O encontro, de formação inicial, apresentou aos gestores as diretrizes pedagógicas e operacionais da proposta antes que ela comece a valer nas unidades.
Na prática, o que muda nessas escolas é um pacote de rotina: uso de ferramentas tecnológicas na aula, aulas em que o estudante trabalha em grupo e resolve problemas em vez de só assistir, e quatro eixos definidos pela rede para orientar a implementação em cada unidade. A formação tratou desses eixos, do perfil das escolas participantes e dos diferenciais da proposta.
Os gestores aprenderam usando o mesmo método que devem levar à sala de aula
A capacitação não foi palestra. As três técnicas aplicadas com os diretores são as mesmas que a rede espera ver com os alunos, e vale entender o que cada uma significa fora do jargão:
- Storytelling — a informação é apresentada em forma de narrativa, com começo, conflito e desfecho, em vez de lista de tópicos. Foi usado para construir a narrativa da própria formação.
- Jigsaw — a turma é dividida em grupos, cada grupo estuda uma parte do conteúdo e depois ensina essa parte aos colegas. Aqui, cada grupo ficou com as atribuições de um dos atores da escola, a partir das diretrizes operacionais e pedagógicas.
- Estudos de Caso — os participantes recebem uma situação concreta e precisam decidir o que fazer. Foram simuladas situações do cotidiano escolar ligadas à implantação do programa.
O objetivo declarado foi alinhar informações entre unidades que estão começando e permitir troca de experiências entre gestores de regiões diferentes.
A formação dos gestores é fundamental para que o Programa seja compreendido em sua totalidade e implementado de forma consistente nas escolas. São eles que lideram os processos, articulam as equipes e garantem que as ações inovadoras se concretizem no cotidiano escolar, sempre com foco na aprendizagem dos estudantes
A avaliação é da assessora especial do Programa Escola do Futuro, Rayane Natividade.
60 escolas a mais em 2026, e a meta de 25% da rede ficou para trás
Os números explicam por que a formação foi necessária agora. Desde o lançamento, em 2023, 50 unidades escolares já haviam sido certificadas. Em 2026, entram outras 60 escolas da Rede Estadual.
Com esse acréscimo, o programa passa de 25% para cerca de 29% das unidades da rede — a meta inicial era atender um quarto das escolas, e ela foi superada. O alcance geográfico também muda: a iniciativa passa a estar presente nas 11 Superintendências Regionais de Educação, em mais de 50 municípios, o que corresponde a mais de 75% do território capixaba. Ao todo, cerca de 150 mil estudantes estudam em escolas alcançadas pela proposta.
O que o material divulgado ainda não responde a pais e responsáveis
Para quem tem filho matriculado na rede estadual, três informações continuam de fora do que foi divulgado e é honesto registrar a ausência:
- Quais são as 60 escolas. A lista das unidades que entram em 2026 não foi apresentada junto com o anúncio da formação.
- Quando começa em cada unidade. Há a indicação de que as ações estão previstas para 2026, mas não há calendário por escola.
- O que muda na rotina do aluno. Não foi detalhado se há alteração de horário, de disciplinas ou de material.
Também não há, no material, qualquer regra de vaga própria: nada indica matrícula separada, prova de seleção ou inscrição específica para as unidades do programa — trata-se de escolas da rede estadual que já funcionam e continuam com seus alunos. Quem quiser saber se a escola do filho está entre as novas participantes precisa perguntar na direção da própria unidade ou na Superintendência Regional de Educação que atende o município.
Quem participou diz que saiu com as dúvidas resolvidas
Entre os gestores presentes, o efeito imediato relatado foi de alinhamento — saber o que cada função da escola precisa fazer a partir de agora.
A Formação sobre a Escola do Futuro 2026, realizada no Cefope, foi um momento fundamental para aprofundar o entendimento das diretrizes e propostas do Programa. O encontro possibilitou o esclarecimento de dúvidas, o alinhamento de informações e a troca de experiências entre os participantes, contribuindo para maior segurança e clareza quanto aos encaminhamentos e à implementação das ações previstas para 2026
O relato é da diretora da EEEFM Sebastiana Grilo, Jeanine Schumacher.
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