As inscrições da 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP) foram abertas em fevereiro de 2025, e o prazo para as escolas cadastrarem seus alunos, 17 de março daquele ano, está vencido. Todo o calendário daquela edição — as duas provas e a divulgação dos resultados — também já passou. O que continua valendo é o desenho da competição, que se repetiu na edição seguinte: entender como funciona a OBMEP é o que permite não perder a abertura da próxima.
Qual olimpíada é esta, exatamente
O nome curto engana, porque existem competições de matemática com denominações parecidas. A que está descrita neste material tem nome oficial completo: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas, abreviada como OBMEP. A expressão final não é enfeite — ela indica que a disputa não se restringe à rede pública.
Segundo o material, a competição foi criada pelo IMPA em 2005 e é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). A Sedu a descreve como a maior olimpíada de Matemática do país. Os objetivos declarados no material são quatro: puxar o interesse pela disciplina, encontrar jovens com talento, usar o conhecimento como via de inclusão social e levar material didático de qualidade a mais alunos da educação básica.
No Espírito Santo, a mobilização passa pelo Programa Matemática na Rede, iniciativa da Secretaria da Educação (Sedu) criada para perseguir, na rede estadual, esses mesmos propósitos — interesse pela disciplina, garimpo de talentos e inclusão social pelo conhecimento.
Quem se inscreve é a escola, não o estudante
Este é o ponto que mais gera confusão e que o comunicado resolve em uma linha. A ficha não é preenchida em casa: cabia às escolas interessadas cadastrar seus alunos, exclusivamente pelo portal oficial da OBMEP, até a data-limite. Nenhum estudante entrava sozinho na lista.
Na prática, isso muda o que a família precisa fazer. Não adianta procurar formulário na internet: quem tem interesse fala com a coordenação ou com a direção da própria unidade de ensino e confirma se o cadastro foi enviado dentro do prazo. Se a escola não inscreve, o aluno não recebe a prova, ainda que esteja na faixa de escolaridade prevista.
E a faixa é ampla: podiam disputar estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. O material não informa se havia taxa de inscrição, nem detalha que documentos ou dados a escola precisava reunir para concluir o cadastro.
Como funciona a OBMEP: duas provas e um corte de cerca de 5%
A disputa foi organizada em duas etapas, com datas distantes uma da outra. A primeira prova ficou marcada para 03 de junho e a segunda para 25 de outubro.
- Primeira etapa: todos os inscritos participam, e a prova é aplicada dentro da unidade de ensino em que o aluno já estuda — não há deslocamento. São 20 questões de múltipla escolha.
- Corte: pelo desempenho nessa etapa, a organização seleciona aproximadamente 5% dos estudantes por escola, os de melhor pontuação. O percentual é declarado como aproximado, e o material não explica como o arredondamento se aplica em turmas pequenas.
- Segunda etapa: reservada a quem passou pelo corte, em 25 de outubro. O comunicado não informa o formato dessa prova nem onde ela é aplicada.
- Resultado: a relação dos vencedores seria divulgada em dezembro, sem dia definido no material.
Medalhas, menções honrosas e uma bolsa de R$ 300,00
A edição previa 8.450 medalhas nacionais, distribuídas em 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze — os três números fecham com o total anunciado. A esse conjunto se somavam 51 mil certificados de menção honrosa, o reconhecimento dado a quem tem bom desempenho sem alcançar medalha.
Quem era premiado ganhava a chance de entrar no Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC), com bolsa de R$ 300,00. O material não diz se o valor é mensal, por quanto tempo é pago, quem o financia nem quais atividades o programa exige do estudante.
Há ainda uma camada estadual: a Sedu anunciou 20,5 mil medalhas estaduais para os participantes capixabas, faixa própria de reconhecimento que não se confunde com as medalhas nacionais. O comunicado não apresenta o critério de distribuição dessas medalhas.
Os professores dos alunos premiados também entram na premiação, com diplomas, livros de apoio e medalhas especiais, além da possibilidade de concorrer a viagens para a Cerimônia Nacional de Premiação da OBMEP e para o Encontro do Hotel de Hilbert. O que é esse encontro, quantas vagas existem e como se dá a seleção dos contemplados, o material não explica.
O desempenho capixaba, segundo a Sedu
Ao anunciar as inscrições, o coordenador do Programa Matemática na Rede, Wellington Rosa de Azevedo, apresentou os números do Estado nas edições anteriores:
“Em 2024, os estudantes capixabas conquistaram 296 medalhas nacionais, superando as 287 do ano anterior e as 180 de 2022. Além disso, 1.371 alunos do estado receberam menções honrosas, refletindo o crescimento do desempenho na competição”
A comparação é do coordenador do Programa Matemática na Rede, Wellington Rosa de Azevedo. Os três valores são de medalhas nacionais e formam uma sequência de crescimento ano a ano; o material não informa quantas escolas ou quantos alunos capixabas estavam inscritos em cada edição, dado que daria a medida proporcional desse avanço.
Sobre o significado das duas décadas de competição, ele acrescentou:
“A OBMEP está em sua 20ª edição, comemorando duas décadas de incentivo à educação e à descoberta de talentos matemáticos em todo o Brasil. Muitos deles iniciaram sua trajetória acadêmica e profissional a partir dessa competição”
A avaliação é de Wellington Rosa de Azevedo, coordenador do programa da Sedu.
Vale registrar que o desfecho dessas edições tem cerimônia própria no Estado: em dezembro de 2024, uma cerimônia marcou a premiação da Olimpíada Brasileira de Matemática no Espírito Santo e, em setembro de 2025 — meses depois desta publicação —, outra cerimônia premiou alunos capixabas medalhistas da competição.
Quando abre a próxima e onde acompanhar
O comunicado de 2025 não informa se a competição é anual, não dá a data de abertura da edição seguinte e não indica canal de acompanhamento além do portal da própria olimpíada. Essa ausência é, hoje, a informação mais útil do texto — e a única forma honesta de preencher a lacuna é olhar para o que aconteceu depois.
Um ano mais tarde, o calendário se repetiu com o mesmo desenho: as escolas tiveram até 16 de março para inscrever alunos na Obmep 2026 — publicação posterior a esta —, novamente com abertura em fevereiro e cadastro concentrado na unidade de ensino. Ou seja: fevereiro e março são os meses de ficar atento, e o lugar de perguntar é a secretaria da escola, não a família.
O que o material da Sedu não respondia
- Se a inscrição tinha custo para a escola ou para o estudante.
- Quantas escolas e quantos alunos do Espírito Santo estavam inscritos na edição.
- O formato, a duração e o local de aplicação da segunda prova.
- O dia exato da divulgação do resultado em dezembro.
- Se a bolsa de R$ 300,00 do PIC é mensal, por quanto tempo dura e quem a paga.
- O critério de distribuição das 20,5 mil medalhas estaduais.
- Se há adaptação de prova para estudantes com deficiência.
- Se o calendário se repete todos os anos e em que data abre a edição seguinte.
Como se trata de comunicado oficial de uma secretaria de Estado, o material traz um único lado. Não há, no texto, avaliação de escolas, professores ou estudantes sobre a preparação exigida pela competição — e a ausência de crítica em release de órgão público não significa que ela não exista.
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