Orquestra de violões de Alfredo Chaves na 5ª feira rural

No Distrito Turístico de Pindobas, em Venda Nova do Imigrante, a 5ª Feira de Experiências do Turismo Rural (RuralturES) recebeu na programação um grupo de dezoito estudantes de violão vindos de Alfredo Chaves — todos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Camila Motta, pelo programa Música na Rede. A participação aconteceu na sexta-feira, 15 de agosto de 2025 — a feira já terminou, e esta matéria a trata como tal: não há inscrição a fazer, ingresso a comprar nem horário a conferir.

Os verbos que o comunicado usa, e o que ele não narra

A nota da Secretaria da Educação (Sedu) descreve o dia com dois verbos, e só dois: os estudantes participaram da 5ª edição da feira e integraram a programação dela. Nenhuma frase do texto oficial narra a apresentação em si.

Fica sem resposta, portanto, quase tudo que faria a cena existir para quem não estava lá: quantas peças o grupo tocou, que repertório levou, quanto tempo ficou no palco, em que horário se apresentou, se houve ensaio no local e quanto público parou para ouvir. A execução musical aparece de forma indireta uma única vez, dentro da fala do professor que rege o grupo. O que está documentado é a presença dos estudantes na grade do evento.

Há quanto tempo a orquestra existe e de onde vêm os violões

São as duas perguntas que decidem se a experiência é repetível em outra escola, e o material não responde a nenhuma delas.

  • Idade do grupo: não há data de criação da orquestra da EEEFM Camila Motta, nem informação sobre quantos anos de aula os dezoito já acumulam.
  • Tamanho: dezoito é o número que viajou. Se a orquestra da escola é maior que isso, o comunicado não diz.
  • Instrumentos: nada indica se os violões pertencem à escola, se foram doados, se chegaram pelo programa estadual ou se cada estudante leva o seu. É o dado que separa um projeto replicável de um projeto que depende do que a família tem em casa.
  • Rotina: não há carga horária de ensaio, dia da semana, nem se a prática ocupa turno regular ou contraturno.

Sem esses quatro itens, uma escola que queira montar grupo parecido não encontra ali custo, prazo nem caminho. Sobra o dado de participação.

A atividade tem programa estadual por trás — o deslocamento, não se sabe

Neste ponto o comunicado é específico, e a especificidade importa: não se trata de projeto tocado por uma escola sozinha. O Música na Rede aparece com três instituições declaradas.

  • Secretaria da Educação (Sedu) — a quem o programa pertence;
  • Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) — parceira;
  • Fundação de Amparo e Apoio à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) — parceira.

Dentro dele cabem quatro frentes: Banda nas Escolas, Corais nas Escolas, Orquestra de Violões nas Escolas e Orquestra Jovem — na lista do texto oficial, o nome da terceira vem grafado Orquestra de Violes nas Escolas. A oferta descrita é de aula de violão em turma e prática de orquestra.

Ter programa estadual por trás, porém, não responde pela viagem. O material não informa quem decidiu levar o grupo à feira — se a convocação partiu da rede ou se a escola se inscreveu por conta própria — e não diz quem pagou o transporte dos dezoito estudantes e dos instrumentos até Venda Nova do Imigrante.

A feira: quinta edição, organizador não nomeado

O evento é a 5ª edição da Feira de Experiências do Turismo Rural, tratada pela sigla RuralturES, no Distrito Turístico de Pindobas. Duas noções que o comunicado presume no leitor: turismo rural é a atividade que leva o visitante até a propriedade produtiva — a agroindústria familiar, a lavoura, a mesa posta na fazenda —, e distrito turístico é a área que o município delimita para concentrar esse tipo de roteiro.

Daí em diante, o texto oficial cala. Não nomeia quem organiza a feira, não conta quantos expositores ou produtores participaram, não menciona patrocinador e não informa se há recurso público na conta do evento. Sobre uma sexta edição, o comunicado não afirma nem nega: a continuidade simplesmente não é tratada.

Recurso público chegando ao turismo dos municípios capixabas existe, e é dado separado deste. Dois meses antes, em junho de 2025, veículos foram entregues a 45 prefeituras para as equipes municipais de turismo, e Venda Nova do Imigrante está entre elas. São atos distintos: a nota desta feira não liga uma coisa à outra, e nada no material sustenta que esse investimento tenha custeado a programação de agosto.

Por que o nome do estudante não aparece nesta matéria

O comunicado da rede estadual publica o nome completo de um dos dezoito, com série e curso. Esta matéria não o reproduz, e a escolha é editorial, não falha de apuração.

A regra vale para toda a educação básica e não depende de o registro ser elogioso — aqui é o oposto de constrangedor. O ponto é outro: nome de menor de idade colado a uma escola, a um curso e a um município continua pesquisável por tempo indeterminado, e uma apresentação musical não é ato que recaia sobre uma pessoa. Orquestra é obra coletiva; o que a notícia precisa dizer é quantos foram, e isso está dito.

A fala do estudante segue íntegra abaixo, atribuída pela função. Já o professor que rege o grupo continua nomeado: é profissional e responde pela iniciativa nessa condição. A direção da escola, que também fala no material oficial, aparece aqui apenas pelo cargo — o sobrenome que o comunicado publica ao lado do nome do estudante é o mesmo, e nomear um seria devolver por vizinhança o que a omissão do outro procura evitar.

O que foi dito — e onde o resumo da nota se afasta da fala

Essas apresentações ampliam a vivência dos estudantes, fortalecem a confiança e mostram que a música pode abrir caminhos tanto na vida pessoal quanto profissional.

O maestro e professor Alan Machado disse isso ao comunicado da secretaria, falando das apresentações em geral. Repare no que a frase não faz: ela não descreve esta feira e não chama o dia de marco. Quem chama o dia de marco na formação dos estudantes é o parágrafo que introduz a citação no material oficial — o rótulo pertence ao texto da secretaria e não aparece na declaração.

Há um segundo detalhe na costura do comunicado. O parágrafo que anuncia o objetivo da atividade — ampliar a vivência, fortalecer a confiança, mostrar que a música abre caminhos — repete, em outras palavras, o conteúdo dessa mesma fala. O objetivo declarado do deslocamento não tem, no texto, nenhuma origem além do que o professor avalia.

Foi uma experiência inesquecível. Tivemos a oportunidade de mostrar nosso trabalho para um público diferente e ainda conhecer mais sobre a cultura do turismo rural capixaba.

Quem descreveu o dia assim foi um estudante da 1ª série do curso técnico em Administração. A frase acrescenta uma informação que o resto do comunicado não dá: a turma não apenas levou o grupo, como teve contato com o conteúdo da feira.

Uma terceira declaração, do diretor da escola, ficou de fora desta matéria por não trazer informação além da satisfação com o resultado. Nenhuma das três falas, aliás, diz há quanto tempo o grupo ensaia nem de onde vieram os violões.

A escola já tinha saído da sala de aula antes

A EEEFM Camila Motta aparece com alguma regularidade em atividades fora do prédio, e isso ajuda a situar a ida à feira. Em abril de 2025, uma turma do mesmo curso técnico percorreu uma fábrica de alimentos; em agosto de 2024, a escola levou estudantes a uma visita técnica ligada à Mata Atlântica. Nos dois casos, como agora, o registro oficial se concentra na saída e não no que ela custou.

Do lado da música, o programa já rendera registro um mês antes desta feira: em julho de 2025, estudantes de violão da rede estadual gravaram duas releituras de um compositor capixaba. E a continuidade veio depois: em dezembro de 2025 — data posterior a esta matéria —, orquestras de violões de escolas da rede se reuniram num festival estadual do programa.

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