Visita técnica à Mata Atlântica leva alunos de Alfredo Chaves

Estudantes de dois cursos técnicos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Camila Motta, em Alfredo Chaves, passaram a sexta-feira, 2 de agosto, longe da carteira. O grupo, dos cursos de Guia de Turismo e de Meio Ambiente, fez uma visita técnica à Mata Atlântica em duas paradas de Santa Teresa: o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e uma propriedade rural com atividade de ecoturismo.

A saída já aconteceu e foi uma atividade pontual, de um dia. O material divulgado pela Sedu registra o que ocorreu; não anuncia calendário, não fala em repetição da viagem e não menciona estender a experiência a outras turmas ou a outras escolas da rede estadual.

Visita técnica à Mata Atlântica: o que os alunos viram

Pelo texto oficial, a visita técnica ao Instituto Nacional da Mata Atlântica e à propriedade rural teve a intenção de testar em campo o conteúdo das aulas de Ecoturismo e de Práticas de Guia de Turismo. Os dois grupos acompanharam o funcionamento de uma reserva ambiental. O documento não deixa claro qual das duas paradas abriga essa reserva: menciona o instituto e a propriedade rural na mesma frase e só depois fala em reserva ambiental, sem dizer de qual delas se trata. A propriedade visitada é a Fazenda Angelita, de acordo com a Sedu.

Para a escola, o ganho está em ver o serviço funcionando por dentro:

Os alunos precisam vivenciar de forma prática como funciona uma unidade de educação ambiental não formal, visto que essa é uma das possibilidades de atuação profissional do Técnico em Meio Ambiente

A avaliação é da professora Danielle Costa.

O que é educação ambiental não formal

O termo que a professora usa não é explicado no material oficial, e é justamente ele que dá sentido à viagem. Educação formal é a que acontece dentro do currículo, com aula, série e boletim. A não formal é o aprendizado organizado que acontece fora disso, em espaços preparados para receber visitantes: trilhas, centros de visitação, coleções e áreas de reserva. Para quem cursa o técnico, um lugar assim não é passeio, e sim um dos ambientes onde pode trabalhar depois de formado — foi o que a professora destacou.

Vale o mesmo para ecoturismo, palavra que o texto da Sedu apresenta como um dos objetivos da atividade: é o turismo feito em área natural, que exige guia preparado para conduzir grupo em ambiente de conservação. É a ponte entre os dois cursos que foram a campo no mesmo dia.

A leitura da direção sobre sair da sala de aula

O diretor da escola defendeu que atividades como essa não são um extra à aula, e sim parte dela:

as visitas técnicas têm singular importância para o estudo das disciplinas, sendo um importante elemento para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, uma vez que permite aos professores e aos alunos irem além da exposição teórica dos conteúdos em sala de aula

A declaração é do diretor Filipe De Nadai.

São as duas únicas vozes do material: a professora e o diretor. Não há fala de estudante, de responsável, do instituto nem de quem recebeu o grupo na propriedade rural. Texto produzido pela própria rede de ensino traz um lado só, e ausência de crítica no material não significa que não exista.

O que o material da Sedu não informa

  • quantos estudantes participaram e de quais séries;
  • quem pagou o transporte e a alimentação do grupo;
  • se a viagem integra um programa da rede estadual ou partiu da própria escola;
  • qual das duas paradas é a reserva ambiental citada;
  • o que o Instituto Nacional da Mata Atlântica faz no dia a dia — o nome aparece, a atuação não é descrita;
  • se houve tarefa de avaliação depois da viagem, como relatório ou seminário;
  • se a propriedade rural recebe visitação aberta ao público e em que condições;
  • como e quando se faz a matrícula nos cursos técnicos da escola.

O mês também ficou de fora: o texto oficial escreve apenas última sexta-feira (02), e a data cheia só se fecha pelo dia da publicação, 7 de agosto de 2024.

Outras saídas a campo de estudantes de Alfredo Chaves

O material desta viagem não permite afirmar que as atividades seguintes envolveram a mesma escola ou a mesma turma. O formato, porém, se repetiu no ano seguinte: em abril de 2025, estudantes de Alfredo Chaves foram conhecer uma fábrica de alimentos e, em agosto do mesmo ano, apresentaram uma Orquestra de Violões na Feira de Experiências do Turismo Rural, evento da mesma área em que se forma o Guia de Turismo.

Quem quiser saber quantas vagas os cursos técnicos oferecem, ou como visitar os espaços que o grupo conheceu, não acha a resposta no material oficial: ele não traz endereço, horário nem canal de atendimento ao público. Essa informação precisa ser buscada diretamente na escola.

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