Mortos “assinaram” fichas da Conafer, revela CPMI

Primeiramente, um depoimento marcado por tensão e ironia sacudiu a CPMI do INSS nesta segunda-feira (29). De fato, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, enfrentou questionamentos graves sobre fraudes em descontos previdenciários e respondeu com evasivas que irritaram os parlamentares.

A entidade está no centro de investigações por figurar entre as associações com maior volume de cobranças sobre aposentadorias. Consequentemente, a arrecadação da Conafer disparou de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões, justamente no período em que descontos irregulares se intensificaram.

Fichas assinadas por falecidos chocam deputados

Sem dúvida, o momento mais impactante ocorreu quando o relator Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou evidências de que 2.083 pessoas já falecidas teriam “assinado” autorizações de adesão em 2023. Além disso, a Controladoria-Geral da União solicitou cem fichas para verificação, e entre elas havia documentos atribuídos a pessoas mortas há cinco e até vinte anos.

Em contraste com a gravidade das acusações, Lopes reagiu com sarcasmo. Ou seja, devolveu a pergunta questionando se não seria “padrão do INSS ter defunto recebendo benefício”. Dessa forma, o clima na comissão ficou ainda mais hostil.

Presidente alega desconhecer movimentações próprias

Por outro lado, o dirigente declarou repetidamente não ter conhecimento sobre fatos apresentados pelos parlamentares. Nesse sentido, disse ignorar uma movimentação de quase R$ 2 milhões em suas contas pessoais em apenas dois meses. Também afirmou não lembrar de entrevista na qual chamou um deputado de “padrinho” da confederação.

Assim sendo, a compra de aeronaves por instituto vinculado à entidade e a participação de sua esposa em licitação suspeita também foram classificadas por ele como desconhecidas.

Valores bilionários e defesa frágil marcam sessão

Certamente, os números divergem conforme a fonte. A CGU estima arrecadação de R$ 800 milhões sobre aposentados, enquanto Lopes admitiu algo entre R$ 500 e R$ 600 milhões. Portanto, mesmo na versão mais favorável ao depoente, os valores são expressivos.

Finalmente, o relator destacou que a totalidade dos aposentados entrevistados negou ter autorizado os descontos. Em outras palavras, nenhum beneficiário confirmou adesão voluntária, o que fortalece a tese de fraude sistemática na confederação.

Compartilhe essa publicação, clicando nos botões abaixo:

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

Segredo da Crise que Sacode Brasília em Março

Segredo da Crise que Sacode Brasília em Março

O cenário político brasileiro atravessa uma das semanas mais turbulentas dos últimos anos. De fato, …