A Secretaria da Educação do Espírito Santo (Sedu), com apoio do Instituto Unibanco, realizou nesta terça-feira (07) a Jornada Formativa: Conexões, um encontro voltado às equipes que trabalham na Rede Pública Estadual de Ensino. Pela previsão divulgada pela própria Sedu, o evento deveria reunir cerca de 900 profissionais — professores, diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores, secretários regionais e equipes técnicas.
Vale dizer o que a data significa: a jornada é uma etapa de formação e alinhamento interno, não uma medida que chega à sala de aula. Nenhuma regra nova passa a valer por causa dela. A Sedu não divulgou meta de aprendizagem, prazo para desdobrar o conteúdo nas escolas nem quantas unidades estariam representadas. O que o encontro produz é entendimento comum entre quem decide — o efeito na escola, se vier, depende do que for feito depois.
O público do encontro não é o estudante, e isso explica a pauta
A lista de convidados descreve o tipo de evento melhor do que qualquer adjetivo: quem foi chamado ocupa cargos de gestão, coordenação e apoio técnico. É gente que define calendário, distribui carga horária, acompanha resultado de avaliação e organiza o trabalho pedagógico. Por isso a programação girou em torno de como a rede se organiza, e não de conteúdo de disciplina.
Os temas da programação, traduzidos
A Sedu listou os assuntos previstos para o dia. Fora do jargão, eles querem dizer o seguinte:
- Avaliação e planejamento — medir o que a rede está entregando e usar esse retrato para montar o plano do período seguinte.
- Articulação entre dados, currículo e tomada de decisão — deixar que o resultado das avaliações indique o que precisa ser reforçado no que se ensina, em vez de decidir por impressão.
- Educação em tempo integral — o modelo em que o estudante permanece na escola por uma jornada ampliada, com atividades além do turno regular.
- Cultura de paz nas escolas públicas — convivência escolar e formas de tratar conflito antes que ele vire ocorrência disciplinar.
- Equidade e justiça social — a ideia de que oferecer o mesmo a todos não basta quando os estudantes chegam em condições diferentes; quem vem de trás precisa de mais apoio para alcançar o mesmo ponto.
A programação também previa mesas de Discussão Orientada sobre o papel das lideranças na avaliação, no currículo e na inclusão escolar.
O que a Sedu chama de cultura organizacional
O termo aparece em quase toda a comunicação do evento e costuma soar vago. Na definição usada no encontro, ele é bem concreto: o modo como as gerências de uma secretaria conversam entre si, dividem informação e cobram a mesma coisa das escolas. Quando cada setor manda um recado diferente, a escola recebe ordens que se contradizem — e é esse ruído que o encontro se propôs a reduzir.
Avançar nas políticas educacionais exige mais do que bons programas e projetos. O diferencial está em construir uma cultura organizacional sólida, coerente e voltada para resultados. Na prática, isso significa alinhar gerências, integrar esforços e fortalecer lideranças em todos os níveis. Nenhuma política tem impacto real sem pessoas engajadas, preparadas e conectadas em torno de um mesmo propósito: oferecer uma educação pública de qualidade, inclusiva e transformadora a cada estudante capixaba
A avaliação é do superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.
A participação do instituto se dá no âmbito do programa Jovem de Futuro, parceria que, segundo a Sedu, apoia o Espírito Santo na consolidação de políticas orientadas por evidências — ou seja, decisões tomadas a partir de dados medidos, e não de impressão de quem está no cargo. Na avaliação do secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, o encontro serve para estreitar vínculos institucionais e reforçar valores como ética, transparência, integridade e compromisso com o interesse público.
O que muda para quem tem filho na rede estadual
De imediato, nada. Não há matrícula a fazer, prazo a cumprir nem serviço novo a procurar. O que dá para acompanhar é se os temas do encontro aparecem no ano letivo: proposta de ampliação de jornada, mudança na forma de comunicar resultados de avaliação, ações de convivência escolar. Essas informações chegam pela direção da escola e pelas reuniões com as famílias — é lá que se pergunta o que a unidade fará com o que foi discutido.
O que o material divulgado não responde
- Quantos profissionais efetivamente compareceram: o número divulgado é expectativa de público, não presença confirmada.
- Quantas escolas, regionais ou municípios estavam representados.
- Se as atividades foram afetadas nas escolas cujos gestores participaram.
- Que documento, plano ou cronograma sai do encontro, e em que prazo.
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