A EEEFM Ermentina Leal, em Aracruz, desenvolveu o projeto “Raízes e Resistências – Folhas da Nossa Identidade”, em que os estudantes aprenderam a reciclar papel e usaram as folhas produzidas para representar a própria história e a cultura capixaba.
Como se faz papel reciclado
Sob orientação do professor de Ciências Gabriel Porto, os alunos passaram por todas as etapas do processo: trituração do material descartado, mistura com água, prensagem e secagem.
Fazer papel do zero ensina algo que a aula teórica de reciclagem não alcança — a quantidade de material e de água que uma única folha consome. O aluno que passou pela prensa entende, sem precisar de gráfico, por que reduzir consumo vem antes de reciclar.
A parte que transforma a folha em documento
Cada estudante produziu folhas personalizadas com desenhos, palavras e cores que expressavam a própria identidade. O trabalho ampliou o olhar para a história e para as manifestações culturais do Espírito Santo, com destaque para figuras como Chico Prego, Dona Astrogilda e João da Viúva, e para a cultura do Congo, símbolo da resistência e da ancestralidade africana no Estado.
São nomes que raramente aparecem no livro didático e que carregam a história da resistência negra capixaba. Trazê-los para dentro de um exercício de arte é o que diferencia o projeto de uma oficina de reciclagem comum.
“Essa atividade vai muito além da confecção de folhas recicláveis. Ela une sustentabilidade, cultura e história, permitindo que os alunos compreendam, na prática, como pequenas ações podem impactar o meio ambiente, enquanto conhecem e valorizam as tradições e resistências capixabas. É gratificante ver cada aluno expressando sua identidade e aprendendo de forma tão significativa”
A avaliação é do professor Gabriel Porto.
Os resultados que a escola observou
Ainda segundo o professor, a ação promoveu atitudes sustentáveis, valorizou manifestações culturais afro-brasileiras e fortaleceu o sentimento de pertencimento e o respeito à diversidade. No plano das competências, os alunos exercitaram trabalho em equipe, criatividade, expressão artística e reflexão sobre identidade e ancestralidade.
“Gostei de poder colocar nas folhas símbolos que representam quem eu sou e de onde venho. Cada detalhe mostra um pouco da minha história, e isso me fez sentir orgulho da minha identidade e das minhas raízes”
O relato é de um dos estudantes participantes.
Um formato que se repete na rede
Projetos que juntam prática manual e conteúdo cultural têm aparecido em outras unidades estaduais. Em Linhares, alunos do Ensino Médio produziram cerâmica em aula de História, no estudo das culturas indígena e afro-brasileira.
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