Primeiramente, um dado surpreendente revela uma transformação silenciosa na sociedade britânica. De fato, em um terço dos bairros da Inglaterra, a quantidade de cães já ultrapassa o número de crianças. Essa realidade reflete uma mudança profunda no comportamento de casais jovens, que priorizam pets em vez de filhos.
Nesse sentido, surgiu o termo DINKWAD — sigla para dual income, no kids, with a dog, ou seja, renda dupla, sem filhos e com um cachorro. Certamente, esse fenômeno ganha força entre Millennials e a Geração Z, redefinindo o conceito tradicional de família.
Números revelam domínio canino em regiões inglesas
Levantamentos apontam que aproximadamente 34% das áreas residenciais inglesas registram mais cães do que crianças. Por exemplo, Darlington lidera com impressionantes 72 mil cães a mais que menores de idade. Além disso, Shrewsbury apresenta diferença superior a 51 mil animais.
Em contraste, grandes centros urbanos mantêm cenário distinto. Birmingham, por exemplo, conta com 323 mil crianças a mais que pets. Por outro lado, Liverpool foge à regra metropolitana, registrando cerca de 17.786 cães excedentes em relação à população infantil.
População canina dispara enquanto natalidade despenca
Consequentemente, as projeções indicam que a população canina inglesa alcançará 13 milhões em 2026, contra nove milhões registrados em 2019. Dessa forma, o crescimento é expressivo. Já a população infantil, em torno de 15 milhões, encontra-se praticamente estagnada.
Assim sendo, as taxas de fertilidade atingiram mínimas históricas desde os anos 1930. Em algumas regiões, o índice chega a apenas um filho para cada dez mulheres férteis. Portanto, estimativas apontam risco de despovoamento em nove de cada dez bairros.
Jovens tutores tratam cães como verdadeiros filhos
Sem dúvida, o vínculo emocional intensificou-se. Segundo a pesquisadora Katrina Holland, do Dogs Trust, quase um quarto dos novos tutores tem entre 25 e 34 anos. Dentro dessa faixa, dois terços se consideram “pais” de seus animais.
Finalmente, especialistas como Rowena Packer, do Royal Veterinary College, destacam a influência das redes sociais nessa tendência. Em outras palavras, festas de aniversário, roupas e rotinas compartilhadas online consolidam uma identidade construída em torno do estilo de vida sem filhos, onde o cão ocupa o centro afetivo do lar.
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