A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio do Departamento de Investigações Criminais (Deic), flagrou um furto de energia elétrica no Bairro das Laranjeiras, no município da Serra, na quinta-feira (27). A ação foi feita em conjunto com peritos do Departamento de Engenharia Forense do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica e com técnicos da EDP, distribuidora de energia elétrica do Espírito Santo. No endereço, uma única ligação direta à rede abastecia cinco estabelecimentos comerciais ao mesmo tempo.
Uma só ligação direta puxava energia para cinco comércios
Durante a inspeção, as equipes constataram que a ligação clandestina alimentava negócios de segmentos diferentes que dividiam o mesmo imóvel: uma tabacaria, uma loja de produtos infantis, dois restaurantes e uma barbearia. No local não havia medidor de energia instalado, o que configura o crime de furto de energia elétrica.
Sem medidor, nada do que era consumido ali chegava a ser registrado — e, portanto, nada era cobrado. É esse desvio, e não o valor da conta em si, que caracteriza a irregularidade.
Por que peritos e a distribuidora participam de uma ação assim
A presença da Polícia Científica não é detalhe burocrático. Cabe à engenharia forense examinar o padrão de entrada, a fiação e o ponto exato em que a energia foi desviada, registrar tecnicamente como a ligação foi feita e produzir o laudo que serve de prova. Sem esse exame no local, a constatação seria apenas visual.
Já a EDP entra por ser a responsável pela rede elétrica e pelos dados de consumo do endereço. É a distribuidora que identifica o ponto irregular, regulariza a instalação e calcula quanto de energia foi consumido sem passar pelo medidor.
Quem responde: inquilinos e proprietário
Os estabelecimentos são alugados, e os inquilinos alegaram que o valor do aluguel já incluía os custos de água e luz. O proprietário dos estabelecimentos é quem responderá pelo crime de furto de energia e será responsabilizado pelo pagamento da energia não faturada durante o período de irregularidade. O flagrante é o início da apuração: cabe ao inquérito e, depois, à Justiça definir a responsabilidade.
Não é caso isolado no Espírito Santo
A operação da Serra não foi ponto fora da curva. A mesma parceria entre Polícia Civil, Polícia Científica e EDP voltou a campo outras vezes ao longo do ano, sempre em casos distintos, com endereços e pessoas diferentes dos deste flagrante. Onze dias depois, uma ação conjunta flagrou furto de energia em uma marmoraria, também na Serra, mostrando que o mesmo município voltou a ser alvo em menos de duas semanas.
Ainda em abril, outra investida no mesmo município terminou com furto de energia elétrica identificado em uma fábrica e em um bar — dois pontos comerciais sem relação com os cinco desta reportagem. Em junho, a fiscalização chegou a outro município capixaba, quando as equipes flagraram furto de energia em um estabelecimento comercial na zona rural de Cachoeiro de Itapemirim, sinal de que a atuação não se limita a um único município.
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